Baldios das Cortes exigem ser ouvidos no projeto da futura da Barragem

O presidente da Junta de Freguesia de Cortes do Meio e dos Baldios de Cortes do Meio, Jorge Viegas, que exigiu, durante a Assembleia Municipal extraordinária da Covilhã, o envolvimento da Comunidade Local de Baldios desde o início do processo da futura Barragem na Serra da Estrela, uma vez que os terrenos previstos para a obra lhe pertencem.

Jorge Viegas alertou para a necessidade de envolver os legítimos proprietários dos terrenos onde a barragem poderá ser construída, lembrando que essa consulta ainda não aconteceu.


“Eu espero que com a barragem das Cortes 2 não aconteça o mesmo que aconteceu com a barragem das Cortes 1”. “Os terrenos onde a barragem será construída são terrenos baldios e até ao momento a Câmara Municipal nem qualquer outra entidade se sentou à mesa com a comunidade local do baldio de Cortes do Meio.”

O autarca manifestou preocupação com o impacto que a infraestrutura poderá ter na freguesia e defendeu que os representantes locais devem participar em todas as fases do processo.

“Nós queremos ser parte ativa desde o primeiro momento. Relembro que em 2003 este assunto já foi a uma Assembleia da Comunidade Local e que foi reprovada essa primeira intenção de instalação da barragem. Espero que o município não faça isto à revelia do legítimo proprietário dos terrenos.”

Jorge Viegas sublinhou ainda que a freguesia pretende acompanhar o investimento, reconhecendo a sua importância para o concelho, mas defendendo que também deverá trazer benefícios para o território onde será implantado.

Em resposta, Hélio Fazendeiro, Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, garantiu que os proprietários dos terrenos serão envolvidos quando o projeto atingir essa fase.

“Obviamente que serão consultados e naturalmente que, assim que haja necessidade e oportunidade, que o projeto esteja nessa fase, para nos sentarmos com os proprietários da potencial localização da barragem, assim o faremos.”

Dirigindo-se ao presidente da Junta, o autarca concluiu: “Sr. Presidente, fique descansado que assim será feito.”

Também Leonor Cipriano, do Grupo Municipal do PSD, questionou os avanços feitos em relação a esta obra.

“O Programa assume a necessidade de pugnar pela construção da nova barragem e pelo melhor aproveitamento dos recursos hídricos. Eu pergunto o que é que já foi feito. Esta infraestrutura é decisiva para o reforço da disponibilidade hídrica. A Covilhã não pode perder mais tempo, os covilhanenses continuam à espera de avanços concretos e de um calendário claro de execução.”

Na resposta, o presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, voltou a defender que o projeto depende de financiamento do Estado, apelando ao PSD para que procure garantir a inscrição de verbas no Orçamento do Estado para 2027.

“Aquilo que eu peço à Sra. Deputada é, porventura, a influência política para que seja possível, através do Orçamento do Estado 2027, inscrever verbas concretas que nos permitam alavancar com este projeto.”

Apesar dessa dependência financeira, o autarca revelou que o município já está a avançar, com recursos próprios, na preparação técnica da empreitada.

“O município, a expensas próprias, exclusivamente com o Orçamento Municipal, nós já avançámos com aquilo que é a contratualização do caderno de encargos de preparação dos projetos e, portanto, da nossa parte, mesmo sem o apoio do Estado, já estamos a fazer caminho daquilo que é a preparação da execução da obra, da contratualização da obra, dos documentos que são necessários.”

Hélio Fazendeiro reforçou ainda que a futura barragem constitui “uma absoluta prioridade do nosso território, não só da Covilhã, mas de toda a região”.