Hélio Fazendeiro, presidente da Câmara Municipal da Covilhã, defendeu, durante a Assembleia Municipal Extraordinária opara debater o Estado do Município, um concelho financeiramente robusto e com investimentos em curso; oposição acusou o executivo de privilegiar anúncios em detrimento de resultados concretos.
O presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, traçou um retrato positivo dos primeiros nove meses de mandato, destacando a solidez das contas, a redução do endividamento, em cerca de 700 mil euros, o investimento em curso e o lançamento de projetos estruturantes. A maioria socialista acompanhou esta leitura, enquanto todos os partidos da oposição apresentaram uma avaliação distinta, apontando um desfasamento entre os anúncios do executivo e os resultados efetivamente alcançados.

Na abertura da sessão, Hélio Fazendeiro afirmou que os primeiros 271 dias de mandato revelam “uma direção clara”, assente no rigor da gestão dos recursos públicos, na proximidade às populações e na concretização de projetos.
O autarca começou precisamente pela situação financeira, referindo que o município apresenta uma posição “sólida e estável”, com um prazo médio de pagamento de cerca de 20 dias, disponibilidades financeiras de 23 milhões de euros e uma taxa de endividamento de 41%, salientando, no entanto, que “a situação financeira não é o objetivo final”, mas antes um instrumento para permitir maior capacidade de intervenção.
Entre as medidas concretizadas, destacou cerca de três milhões de euros em apoios às freguesias, associações e instituições sociais, mais de 17 milhões de euros em candidaturas submetidas a financiamento comunitário, duas dezenas de empreitadas em execução e o reforço dos protocolos com as juntas de freguesia para requalificação do espaço público, limpeza urbana e promoção territorial.
Hélio Fazendeiro elencou ainda investimentos na rede viária, na requalificação das extensões de saúde, na habitação, na educação, no desporto, na proteção civil e no turismo. Referiu igualmente a revisão do Plano Diretor Municipal, a candidatura de 2,5 milhões de euros para a requalificação do Parque da Goldra, a criação de mais de 800 habitações privadas em construção e o objetivo de implementar um passe municipal de 30 euros e um sistema de transporte flexível para as aldeias.
Na conclusão da intervenção, sintetizou o balanço dos primeiros meses de mandato afirmando que “nove meses mostram uma direção clara, um município financeiramente sólido, um investimento preparado, obras em execução, presença nas freguesias, proximidade com as pessoas e projetos de futuro em desenvolvimento”. “Não prometemos atalhos, mas prometemos trabalho, responsabilidade, transparência e determinação”, disse.
PS destaca estabilidade financeira e capacidade de concretização

Em nome do grupo municipal do PS, Pedro Bernardo reforçou a visão apresentada pelo executivo, considerando que o concelho vive uma fase de estabilidade financeira que permite preparar investimentos estruturantes e desenvolver políticas públicas em diferentes áreas.
O deputado socialista valorizou a redução da dívida municipal, a capacidade de captar financiamento e o conjunto de obras em curso, defendendo que o município está a cumprir os compromissos assumidos com os covilhanenses e a criar condições para o desenvolvimento do concelho.
Pedro Bernardo rejeitou as críticas da oposição, que falava em “pouca execução, uma perceção de lentidão e de inação”, afirmando que quem sustenta essa ideia “entrou neste edifício de olhos vendados”, uma vez que “aqui mesmo à porta nós temos obra a acontecer. Nós temos obra que dá resposta àquilo que são necessidades dos covilhanenses”, apontando como exemplo os investimentos na área da habitação, que classificou como “um tema fundamental, prioritário para o Partido Socialista no presente e no futuro da Covilhã”.
A oposição apresentou, contudo, uma leitura substancialmente diferente do estado do concelho.
Leonor Cipriano: “Há muitos anúncios, mas pouca execução”

Pelo PSD, Leonor Cipriano reconheceu alguns investimentos, como a requalificação da Estrada Verde entre Verdelhos e o Poço do Inferno, mas considerou que, nove meses depois do início do mandato, continuam a existir só anuncios.
“O reconhecimento do que está bem não nos impede de colocar a questão essencial. O que mudou verdadeiramente na vida dos covilhanenses nestes primeiros meses?… Muitos anúncios, muitas intenções, mas uma execução aquém das necessidades reais do concelho”, disse.
A social-democrata defendeu maior transparência na programação das obras, questionou o andamento de projetos estruturantes e pediu calendários concretos para várias intervenções.
Leonor Cipriano sublinhou que a resposta à sua interrogação – que mudou no concelho – “infelizmente, continua a ser pouco animadora”.
Adolfo Mesquita Nunes: “Depois de tanto planeamento, é a hora da execução”

Também Adolfo Mesquita Nunes, eleito pelo CDS, reconheceu medidas positivas, como o apoio ao associativismo, a candidatura a Capital Portuguesa da Cultura e o avanço do novo PDM, mas alertou que “é a hora da execução”, defendendo que o executivo deve passar dos projetos à concretização.
Lembrou ainda que os mandatos passam rapidamente, afirmando que “quatro anos passam a correr” e alertando que, “se passados oito meses aquilo que temos ainda é nada, aquilo que nos parece é que vamos começar outra vez a ouvir a ideia de que estamos a planear, estamos a estudar, estamos a trabalhar”.
Criticou também a degradação de espaços públicos e o atraso de projetos estruturantes.
Paulo Rosa: Promessas não substituem resultados

O MIPP centrou a sua intervenção na diferença entre anunciar e executar. Paulo Rosa afirmou que continuam por concretizar compromissos relativos à mobilidade, à habitação, à redução da fatura da água, aos transportes públicos e à rede viária, defendendo que os cidadãos precisam de datas, responsabilidades e resultados.
“Temos um concelho cheio de projetos anunciados, mas demasiado vazio de decisões executadas. Temos planos para rever planos, estudos para preparar estudos, intenções para concretizar intenções, calendários que aparentemente só existem para serem adiados. Se as promessas fossem obras, a Covilhã seria hoje o concelho mais moderno do país”, apontou.
Amadeu Alberto: “Há duas Covilhãs: a do executivo e a que os cidadãos vivem”

Pelo Chega, Amadeu Alberto contestou a leitura otimista do executivo sobre a evolução demográfica, sustentando que os dados mostram uma desaceleração do crescimento populacional e um saldo natural persistentemente negativo.
O deputado afirmou existir “duas covilhãs”: a apresentada pelo executivo e a vivida diariamente pelos cidadãos, marcada, disse, pela perda de população em várias freguesias, dificuldades no acesso à saúde e problemas de habitação e emprego. “A Covilhã onde os jovens continuam a sair porque não encontram emprego qualificado nem habitação acessível. A Covilhã onde muitas freguesias continuam a perder população e serviços. Onde há comerciantes que lutam diariamente para manter as portas abertas. Onde idosos vivem sozinhos com dificuldades de acesso a cuidados de saúde e a serviços de proximidade. Essa é a realidade que nenhum discurso político consegue esconder”, frisou.
Mónica Ramôa: “Mais do que obras, falta uma visão estratégica para o concelho”

Já a deputada do PCP, Mónica Ramôa, defendeu que o essencial não é contabilizar obras ou investimentos, mas perceber qual é o projeto de futuro para o concelho.
Criticou a falta de uma estratégia integrada nas áreas do ordenamento do território, da adaptação às alterações climáticas, da habitação, da cultura e das políticas para a infância, considerando que o município continua a responder aos problemas de forma reativa, em vez de os antecipar.
Sublinhou que “a verdadeira questão” é que saber que projeto de futuro, “está hoje a ser construído para Covilhã”.
Para o PCP “governar um concelho é, claro, gerir o quotidiano, mas não só, é antecipar problemas, definir prioridades, preparar o território para os desafios que já conhecemos. E é precisamente aqui que sentimos faltar uma visão integrada”, criticou.
