O Centro Infantil Bolinha de Neve reabriu esta terça-feira, 1 de setembro, na Covilhã, garantindo a continuidade de uma resposta educativa que esteve em risco de desaparecer depois do anúncio do encerramento do antigo “Colégio das Freiras”. O Centro Infantil tem as 130 vagas preenchidas.
A reabertura acontece depois de 19 meses de negociações e mobilização de pais, instituições, empresas, voluntários e comunidade. Em janeiro de 2025, as irmãs Doroteias tinham anunciado o encerramento do colégio no final do ano letivo, deixando em causa a resposta às crianças nas valências de creche, pré-escolar e ATL e cerca de 30 funcionários.
Perante o encerramento anunciado, a Câmara Municipal da Covilhã assegurou o pagamento da renda do edifício por mais um ano, enquanto o Centro Social Jesus Maria José, do Dominguizo, assumiu a gestão da resposta. Em paralelo, prosseguiram as negociações com o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS) e o Instituto da Segurança Social para encontrar uma solução que permitisse recuperar o Bolinha de Neve e devolver-lhe a função para a qual foi criado.
Pais foram “força motriz” do processo
A Comissão de Pais assumiu um papel central no processo. Carlos Gaspar, um dos representantes, na sua intervenção neste dia de abertura, lembrou o processo, difícil, que se desenvolveu nestes 19 meses.
“Hoje reabre o Bolinha de Neve, dito assim parece simples. Mas quem acompanhou estes últimos 19 meses sabe que há frases curtas que escondem histórias bastante longas”, afirmou.

O representante dos pais destacou a mobilização da comunidade, desde empresas que ofereceram materiais a profissionais e voluntários que disponibilizaram trabalho e conhecimento.
“Foi assim que o problema de alguns se tornou um projeto de muitos”, sublinhou Carlos Gaspar.
Também Micaela Almeida, da Comissão de Pais, destacou o caráter cívico da iniciativa. “A vontade de uma comunidade organizada é uma forma bastante eficaz de poder fazer acontecer”, afirmou.
Para a representante, a reabertura significa mais do que recuperar um edifício: “Não recuperámos apenas um espaço, recuperámos um projeto iniciado na década de 70.”
Obras feitas com recurso a voluntários
A reabertura foi possível graças a trabalhos de recuperação realizados nas últimas semanas, com a participação de dezenas de voluntários e o apoio de empresas e mecenas, que contribuíram com materiais, equipamentos e serviços.

O presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, sublinhou que, sem essa mobilização, não teria sido possível abrir o espaço a 1 de setembro, sublinhando que se se tivesse recorrido à contratualização de todos os serviços não teria sido possível.
“Fosse a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia, o Ministério, o Instituto da Segurança Social, fosse quem fosse a contratualizar estas obras de recuperação que aqui temos, não teria sido possível, cumprindo a carga legal, concretizar este objetivo de, a 1 de setembro de 2026, conseguirmos abrir este espaço”. “Sem as empresas, sem os mecenas que aqui colaboraram, sem as dezenas de voluntários, sem os pais, sem esta organização toda, não teria sido possível nós hoje vivermos este momento”, afirmou.
O autarca considerou que a reabertura constitui “a vitória da Covilhã” e “a vitória da comunidade”, elogiando particularmente a Comissão de Pais pela capacidade de mobilização.
Requalificação de cerca de dois milhões de euros vai avançar
A reabertura desta terça-feira representa, contudo, apenas uma primeira etapa. O projeto de requalificação integral do edifício, elaborado pela Câmara Municipal da Covilhã, já está aprovado e a empreitada foi lançada.
O presidente do Conselho Diretivo do Instituto da Segurança Social, Corte Real, garantiu que a intervenção vai avançar e apontou para um investimento de aproximadamente dois milhões de euros nesta primeira fase.

Segundo o responsável, a obra permitirá aumentar a qualidade da resposta prestada às crianças e às famílias.
Também Nuno Venes, presidente do Conselho Diretivo do IGFSS, destacou a solução encontrada para devolver o edifício à comunidade, salientando os constrangimentos legais que marcaram o processo.
“O que estamos aqui hoje a fazer é devolver este edifício, que tem cerca de 50 anos, à utilização para a qual ele foi pensado desde o início”, afirmou.
O responsável considerou que a solução encontrada resultou de uma conjugação de esforços entre as várias entidades e a comunidade.
“Todos fizemos a nossa obrigação”, diz Hélio Fazendeiro
Na cerimónia, Hélio Fazendeiro reconheceu o papel da Segurança Social, do IGFSS, do Governo, do Centro Social Jesus Maria José, dos pais, das empresas e dos voluntários.
“Todos fizemos a nossa obrigação”, afirmou, embora tenha reconhecido as dificuldades burocráticas e legais que acompanharam o processo.

O autarca considerou que o projeto é também um exemplo de como podem ser criadas melhores condições para as famílias e para a natalidade.
“É criando boas condições para que as famílias possam ter filhos”, defendeu, associando a reabertura do Bolinha de Neve às políticas de apoio à infância e à necessidade de responder ao desafio demográfico.
Centro Social Jesus Maria José assume a resposta
A presidente do Centro Social Jesus Maria José, irmã do Céu Lopes, agradeceu o contributo de todas as entidades, empresas, trabalhadores e voluntários envolvidos na recuperação do espaço.

“A vossa dedicação e empenho e visão foram fundamentais para transformar este espaço num lugar digno e acolhedor”, afirmou, dirigindo-se aos voluntários e colaboradores.
A responsável destacou ainda o papel do IGFSS, da Segurança Social e da Câmara Municipal da Covilhã na concretização da solução.
A cerimónia protocolar que marcou a reabertura decorreu depois de uma visita ao edifício, juntando representantes do Governo, Segurança Social, IGFSS, Município, Centro Social Jesus Maria José, Comissão de Pais, empresas, famílias e sociedade civil.
As 130 vagas criadas, para já, no Centro Infantil Bolinha de Neve estão todas preenchidas. Com a requalificação do espaço esse número poderá aumentar substancialmente, uma vez que nesta altura está a ser utilizado apenas um piso do edifício.
