1 ano de mandato: Maioria destaca obras a andar, PSD aponta prioridades por concretizar

O presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, e o vereador eleito pelo PSD, Jorge Simões, apresentaram visões distintas sobre o primeiro ano de mandato, durante a reunião pública do executivo realizada esta sexta-feira, 16 de outubro. Enquanto o autarca socialista destacou o trabalho desenvolvido e considerou que o concelho está hoje “mais cuidado, mais desenvolvido, mais agradável”, o vereador social-democrata apontou atrasos em projetos estruturantes e medidas prometidas que continuam por concretizar.

Hélio Fazendeiro orgulhoso do trabalho realizado

Na intervenção inicial, Hélio Fazendeiro assinalou a passagem de um ano sobre as eleições autárquicas de 12 de outubro de 2025, destacando a participação eleitoral e o trabalho desenvolvido pelos diferentes órgãos autárquicos.


“Estou particularmente orgulhoso do caminho que temos feito todos em conjunto, enquanto Presidente da Câmara Municipal, enquanto Executivo Municipal, todos nós, enquanto autarcas, em todos os órgãos, na Assembleia Municipal, nas juntas de freguesia”, afirmou.

O presidente da Câmara considerou que os eleitos têm desempenhado um papel importante no cumprimento dos compromissos assumidos com a população.

“Acho que todos nós temos tido um papel importante e determinante naquilo que é o cumprimento das nossas obrigações e os compromissos que assumimos com os nossos covilhanenses. Acho que a Covilhã é hoje um espaço melhor, mais cuidado, mais desenvolvido, mais agradável, e isso indica-nos que estamos a cumprir a nossa missão”, declarou.

PSD exige compromissos, financiamento e calendários

Na sua intervenção, Jorge Simões fez duas leituras do primeiro ano de mandato: o destino dos projetos estruturantes e o cumprimento das prioridades apresentadas pelo Partido Socialista aos eleitores.

“O mandato é de quatro anos, mas o primeiro ano já devia mostrar respostas às urgências e um caminho claro para os grandes investimentos”, afirmou, defendendo que a mudança de presidente não retira ao PS a responsabilidade pela governação municipal.

O vereador social-democrata considerou que já deveriam existir respostas mais claras sobre a concretização dos investimentos anunciados.

“Não era exigível concluir tudo neste primeiro ano. Era exigível demonstrar como vamos lá chegar”, sustentou.

Entre os projetos sobre os quais pediu esclarecimentos, Jorge Simões apontou a Barragem das Cortes, as ligações à Serra, a expansão da Zona Industrial do Tortosendo, a ampliação do Parkurbis e os estudos relativos à nova piscina desportiva e ao multiusos.

Sobre a Barragem das Cortes, questionou o estado dos licenciamentos e do financiamento, considerando que o município deve apresentar um ponto de situação e inscrever no Orçamento Municipal para 2027 as verbas necessárias às etapas que lhe competem.

O vereador apontou também a requalificação da Goldra, referindo que a dotação orçamental subiu para 547 mil euros, mas que a obra continua por iniciar.

Goldra com candidatura de 2,5 milhões de euros

Em resposta às críticas sobre a requalificação da Goldra, Hélio Fazendeiro revelou que está em curso uma candidatura a fundos comunitários, apresentada diretamente em Bruxelas, para um projeto avaliado em 2,5 milhões de euros.

O presidente da Câmara explicou que a proposta está a ser construída com a participação da Universidade da Beira Interior, das escolas, das associações cívicas e de outras entidades.

“Sabem que temos em curso uma candidatura a fundos comunitários diretamente em Bruxelas, de um projeto robusto, uma candidatura para um projeto de 2 milhões e meio de euros que tem sido construído com a participação da Universidade, das escolas, das associações cívicas”, afirmou.

O autarca considera que a aprovação da candidatura poderá permitir uma intervenção significativa naquele espaço da cidade.

“Se vier a ser aprovada, acho que vai devolver um espaço nobre da nossa cidade”, declarou, acrescentando que haverá novidades sobre o processo oportunamente.

Habitação, transportes e água entre os temas debatidos

Jorge Simões questionou a dimensão da resposta municipal em matéria de habitação acessível, nomeadamente o número de casas disponíveis, as rendas praticadas e os prazos para novas soluções, a prometida descida da fatura da água e relatório de intervenção na rede viária.

“As famílias precisam de conseguir pagar uma casa”, afirmou.

Na mobilidade, lembrou a promessa de um passe municipal de 30 euros e de melhores transportes, incluindo o transporte a pedido nas aldeias, considerando que a medida continua por concretizar.

“Ora, pergunto quais são essas condicionantes, qual o modelo de financiamento e que calendário está previsto para o ano 2027”, questionou, referindo-se aos constrangimentos invocados pelo executivo.

O vereador criticou também a ausência de uma redução demonstrada na fatura da água. “As famílias precisam desse alívio agora”, afirmou.

Jorge Simões apontou ainda a falta de apresentação do relatório técnico da rede viária, que, segundo referiu, tinha sido prometido para seis meses, e questionou quantas crianças continuam sem vaga em creches e quando estarão disponíveis novas respostas.

No final da intervenção, defendeu que o balanço do mandato e o Orçamento Municipal para 2027 devem apresentar compromissos concretos, com projetos, financiamento e prazos.

“Passado quase um ano, o tempo das intervenções deve dar lugar ao tempo dos compromissos verificáveis. É tempo de dizer aos covilhanenses, com projetos, financiamento e prazo, o que se pretende concretizar”, sustentou.

Em resposta às questões colocadas pelo vereador do PSD, Hélio Fazendeiro reafirmou a intenção de reforçar a oferta de transportes públicos, aumentar os horários e reduzir o custo dos passes no concelho para 30 euros.

“A nossa ambição é ter um passe de 30 euros no concelho. E também, na altura, dizíamos à população, aos eleitores, e reiteramos isso hoje: se eu puder fazer amanhã, não o vou deixar para o dia seguinte”, afirmou.

O presidente da Câmara reconheceu, contudo, que ainda não é possível avançar com uma data para a implementação das medidas.

“Não temos neste momento condições ainda para assumir um compromisso temporal. Eu não estou em condições de dizer a todos, como me desejaria, que no dia 1 de novembro vamos ter estas medidas implementadas”, declarou.

Hélio Fazendeiro apontou constrangimentos operacionais e financeiros, garantindo que o executivo está a trabalhar para melhorar a frequência, os trajetos e a acessibilidade dos transportes, incluindo soluções a pedido.

Quanto à fatura da água, anunciou que poderá chegar a uma próxima reunião uma proposta de compensação relacionada com a não atualização tarifária, referindo que os preços não são atualizados desde 2013. “Só a não atualização tarifária desses montantes é já em si uma redução do preço”, considerou.

Questionado sobre as intervenções nas escolas Campos Melo, Pêro da Covilhã e Quinta das Palmeiras, Hélio Fazendeiro afirmou que o município continua a aguardar a apreciação das candidaturas pela autoridade de gestão dos fundos comunitários.

O autarca sublinhou que o investimento necessário ronda os seis milhões de euros, considerando impossível assegurar a totalidade da despesa exclusivamente através do orçamento municipal.

Câmara considera que creches estão a responder às necessidades

Relativamente à falta de vagas nas creches, uma das questões levantadas pelo vereador do PSD, Hélio Fazendeiro afirmou não ter conhecimento de necessidades particularmente acentuadas, embora reconheça pressão sobre as respostas disponíveis, num contexto de crescimento da população.

“Não tenho nota de especiais necessidades, é óbvio que temos pressão porque temos uma população em crescimento”, afirmou.

O presidente da Câmara considera que as instituições existentes estão a dar resposta à procura.

“Eu creio que aquilo que temos, as instituições que temos, elas estão a dar resposta às necessidades que temos em termos de creche pré-escolar e depois as escolas de primeiro ciclo e segundo ciclo”, declarou.

Plano de recuperação viária está em curso

Em resposta às críticas sobre a falta de apresentação do relatório técnico da rede viária, Hélio Fazendeiro garantiu que o plano de recuperação rodoviária está em curso e apontou as obras atualmente em execução no concelho como evidência do trabalho desenvolvido.

“O plano de recuperação rodoviária está em curso, os covilhanenses veem, nós andamos com obras”, afirmou.

O presidente da Câmara referiu que a quantidade de intervenções nas estradas e nos passeios tem levado alguns habitantes a questionar se o concelho está em período eleitoral.

“Perguntam-me frequentemente: ‘Ó senhor presidente, mas estamos para ter eleições? Isto está tudo num estaleiro, está para haver eleições?’ Eu o que lhes digo é que o nosso mandato é de quatro anos e o nosso compromisso é de um trabalho continuado durante estes quatro anos, melhorando a sua qualidade de vida e aquilo que são as condições da nossa cidade”, declarou.

Sobre a habitação acessível, Hélio Fazendeiro agradeceu o reconhecimento feito pelo vereador do PSD relativamente ao trabalho desenvolvido e adiantou que espera apresentar medidas concretas no âmbito da revisão da Estratégia Local de Habitação.