AM Covilhã aprova recomendação para criação do Gabinete de Apoio ao Doente Oncológico

A Assembleia Municipal da Covilhã aprovou, por maioria, com 41 votos a favor e 7 abstenções (MIPP, PCP e DMI), a recomendação sobre a criação do Gabinete de Apoio ao Doente Oncológico (GADOBI), apresentada por Magna Lourenço, deputada independente.

Com uma petição pública em curso, pela criação do Centro, e que já reúne mais de 4 mil assinaturas, a recomendação surge no âmbito de existirem “respostas que ainda não cobrem a totalidade das necessidades dos doentes oncológicos da região”, apesar do trabalho já feito pela ULS Cova da Beira e pela Liga Portuguesa Contra o Cancro.  


Segunda o documento, a “Beira Interior não dispõe de um Centro Oncológico Regional, obrigando os doentes oncológicos a deslocações de 200 a 300 quilómetros para tratamentos, consultas e exames. Enquanto o Centro Oncológico não for uma realidade, é necessário resolver, desde já, a situação destes doentes, que hoje enfrentam dificuldades concretas para as quais não é dada qualquer resposta, nomeadamente dificuldades de transporte”.

Leonor Cipriano, do Grupo Municipal do PSD, manifestou-se a favor da recomendação, sendo que seria importante a Câmara Municipal da Covilhã ser pioneira na criação deste centro.      

“O Grupo Municipal do Partido Social Democrata associa-se à recomendação apresentada relativa à criação do Gabinete de Apoio ao Doente Oncológico da Beira Interior. A Câmara Municipal da Covilhã poderia ser pioneira ao criar e sediar o Gabinete, prestando apoio a todos os doentes oncológicos da Beira Interior, assegurar a sua sustentabilidade financeira, prioritariamente através de fundos nacionais/europeus e de comparticipação dos restantes municípios, promover a articulação com as entidades parceiras e remeter a recomendação aos demais municípios da região”, disse a deputada.

Nuno Pedro, da bancada do Partido Socialista (PS), também declarou o seu voto, favorável, depois das explicações da deputada independente Magna Lourenço, que afirmou que o Gabinete é apenas de intervenção social e que vai articular com todos os doentes.

Abstenções

Foram 7, os votos de abstenção nesta recomendação (MIPP, PCP e DMI). Marco Gabriel, deputado independente na Assembleia Municipal, explicou a sua abstenção na votação, afirmando que não se deve deixar que acontece a transferência do Serviço Nacional de Saúde para os municípios.

“Está em curso hoje em dia um processo de reunião e de verificação entre as juntas de freguesia, no sentido de as extensões de saúde por essas freguesias fora continuarem a ser realizadas pela ULS Cova da Beira, com muitas dificuldades que nós estamos a atravessar, e a minha abstenção vem no sentido de que cada vez mais há esta transferência do Serviço Nacional de Saúde para os municípios e que nós não devemos deixar isso acontecer, porque quando a ULSCBEIRA decidir fechar as extensões de saúde, estamos aqui a pedir para que seja a Câmara a assegurar o financiamento das extensões de saúde nas freguesias”, rematou Marco Gabriel.

Relembrar que, de acordo com a recomendação, o Gabinete de Apoio ao Doente Oncológico da Beira Interior, constitui uma estrutura de baixo investimento e elevado impacto social, que não exige a criação de novas respostas clínicas nem se sobrepõe aos recursos já existentes na região. Presta essencialmente apoio social e de acompanhamento ao doente, nomeadamente transporte, apoio alimentar, apoio domiciliário, apoio jurídico e vigilância social, matérias em que os municípios têm competência.