“Não temos que ter medo de quem vem de fora”. A afirmação é do presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, que defendeu a importância do acolhimento e da integração de migrantes, sublinhando o contributo destas comunidades para a economia e para a sustentabilidade demográfica dos territórios.
A posição foi expressa na sessão de abertura do 6.º Encontro Covilhã Social, que decorre esta sexta-feira e sábado, na Covilhã, subordinado ao tema “Desafios, Redes e Estratégias na Integração de Migrantes”.
Organizada pelo Município da Covilhã, a iniciativa pretende promover a reflexão e a partilha de experiências entre instituições, técnicos e entidades que trabalham na área social, num contexto em que a integração das comunidades migrantes assume uma importância crescente.
Na sessão de abertura, Hélio Fazendeiro destacou que as migrações e a integração são questões centrais para a Covilhã, para o país e para a Europa, considerando indispensável o trabalho em rede e a articulação entre as diferentes entidades.
O autarca defendeu que Portugal e os territórios precisam de criar condições para acolher quem chega, lembrando que vários setores de atividade dependem atualmente da mão de obra estrangeira. “Hoje não há setores de atividade que funcionassem sem imigrantes”, afirmou, apontando a agricultura, o turismo, a hotelaria, a restauração, a indústria e a construção civil como exemplos.

Para Hélio Fazendeiro, o acolhimento de migrantes é também uma resposta aos desafios demográficos. “Nós estamos num inverno demográfico em que para conseguirmos manter os níveis de desenvolvimento económico, de respostas sociais, de, diria até de futuro da nossa comunidade, é determinante nós termos disponibilidade para acolher pessoas que vêm de outros territórios e termos condições para o fazer”, considerou.
O presidente da Câmara destacou ainda o trabalho desenvolvido no concelho, nomeadamente através dos dois Centros Locais de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM), promovidos pela Santa Casa da Misericórdia da Covilhã e pela Associação Mutualista Covilhanense. Considerou que estas estruturas desempenham um papel determinante no acolhimento e na integração, mas alertou para a necessidade de reforçar as condições e os meios disponibilizados pelo Estado Central.
Na mesma intervenção, Hélio Fazendeiro apontou dificuldades nos processos de regularização, dando conta de situações de migrantes que vivem e trabalham na Covilhã, mas que são encaminhados para outras regiões do país para tratar da documentação. Defendeu, por isso, uma melhoria dos procedimentos e uma maior articulação entre a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) e os municípios.
“Aquilo que é do interesse de todos, dos próprios migrantes, mas desde logo das instituições e do país, é que este processo seja feito de forma expedita, de forma célere e confortável para todos”, afirmou, manifestando a disponibilidade da autarquia para continuar a colaborar com a AIMA.
O autarca terminou a intervenção reafirmando o compromisso do município com o acolhimento e a integração, defendendo que a Covilhã deve continuar a afirmar-se “como um espaço de integração, um espaço de encontro, um espaço de afirmação de identidade e de culturas”.
CIM defende respostas articuladas e ajustadas às realidades locais na integração de migrantes
Joana Farias, coordenadora da Estrutura de Apoio Técnico da Comunidade Intermunicipal Região Beiras e Serra da Estrela, destacou a importância de uma resposta articulada entre as diferentes entidades que trabalham no terreno, considerando que a integração de migrantes exige planeamento, capacidade de resposta e conhecimento das realidades locais.

“A integração é um processo que envolve não apenas as pessoas migrantes, mas também as instituições e as comunidades que as acolhem”, afirmou, defendendo a necessidade de respostas públicas coordenadas, próximas das pessoas e ajustadas às características de cada território.
A responsável sublinhou ainda que nenhuma entidade dispõe, isoladamente, de todos os recursos necessários para responder aos desafios da integração, apontando a importância da cooperação entre municípios, serviços públicos, associações, organizações da sociedade civil e empresas. Defendeu também que os próprios migrantes devem ser envolvidos na construção das respostas, para que estas correspondam às suas necessidades reais.
AIMA quer reforçar acompanhamento nos territórios
Também na sessão de abertura, Tiago Marques, diretor do Departamento de Integração de Migrantes da AIMA, destacou a importância do trabalho desenvolvido pelas estruturas locais e da cooperação entre instituições para responder aos desafios da integração.

O responsável considerou que os territórios têm um papel determinante na definição de respostas ajustadas às necessidades das comunidades migrantes, uma vez que a administração central não consegue, por si só, acompanhar todas as especificidades locais.
“O trabalho em rede é absolutamente fundamental para conseguir dar resposta a todos os desafios que a integração traz”, afirmou.
Tiago Marques referiu ainda que a AIMA está a reforçar a sua capacidade de acompanhamento no terreno. Desde agosto de 2026, o Departamento de Integração de Migrantes passou a contar com uma equipa de 16 elementos dedicada ao acompanhamento direto dos CLAIM, quando anteriormente eram quatro. Foi também reforçada a equipa de ligação à sociedade civil e às associações de imigrantes, que passou igualmente de quatro para dez elementos.
O objetivo passa por evoluir de uma lógica de atendimento e encaminhamento para um modelo de acompanhamento, que permita avaliar o impacto das medidas desenvolvidas e perceber se as respostas disponibilizadas estão efetivamente a produzir resultados.
Referir que no âmbito deste 6º encontro durante a manhã decorreu ainda i painel “Articulação e Serviços de Proximidade”.
Durante a tarde, às 14:30, tem lugar o painel dedicado ao tema da “Educação, Emprego e Dinâmica Económica”.
“Desafios Estruturais – Cidadania e Direitos” é o tema base do painel das 16:00. A fechar o dia, Intervenção da Vereadora com o pelouro da Ação Social na Câmara da Covilhã, Regina Gouveia.
Já amanhã, dia 31, os trabalhos decorrem na Biblioteca Municipal, com a realização, às 15:00, de um ‘focous group’, destinado a migrantes, entidades e comunidade em geral e que será centrado nas questões dos “Desafios, Acolhimento e Trabalho em Rede. Respostas Concelhias e Rede de Parceiros.
O balanço do encontro está marcado para as 16:00, seguindo-se uma atuação das Vozes do CAI.
