Pedro Flávio reeleito na Federação de Desportos de Inverno de Portugal até 2030

Pedro Flávio foi reeleito, este sábado, para mais um mandato na presidência da Federação de Desportos de Inverno de Portugal (FDI-Portugal), que tem sede na Covilhã, numa eleição em que foi o único candidato. O dirigente pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido nos últimos quatro anos, com a aposta na formação, no crescimento das modalidades de gelo e neve e na concretização de projetos estruturantes para o país e para a Serra da Estrela.

Em declarações à Rádio Clube da Covilhã, no final do ato eleitoral, Pedro Flávio considerou que a reeleição representa uma oportunidade para consolidar o trabalho realizado. “Acho que é a possibilidade de dar continuidade a este trabalho que foi feito nos últimos quatro anos. Estou muito motivado, é um trabalho de equipa, não sou só eu”, afirmou, destacando o contributo dos órgãos sociais e dos colaboradores da Federação.


Pavilhão de gelo e pista de ski sintética entre as prioridades

A construção de um pavilhão de desportos de inverno, com dimensões olímpicas, no Seixal, é um dos projetos prioritários para o novo mandato. Segundo Pedro Flávio, já existe um terreno e um projeto, estando agora o processo dependente das aprovações e dos licenciamentos necessários para avançar para a fase de construção.

“É um dos projetos âncora para estes quatro anos que temos agora pela frente”, sublinhou o presidente da Federação, que pretende criar melhores condições para a prática das modalidades de gelo e para a realização de competições internacionais.

Na Serra da Estrela, a Federação mantém também a intenção de avançar com a requalificação da pousada de juventude e a construção de uma pista de ski sintética. No entanto, estes projetos estão condicionados pela falta de validação dos financiamentos europeus a que foram candidatados.

Pedro Flávio admite que o modelo de candidatura poderá não permitir concretizar a intervenção prevista na pousada, uma vez que a Federação é concessionária do espaço, mas não é a sua proprietária. “Estamos a pensar outras formas de o fazer e candidatarmos a outras verbas para podermos eventualmente conseguir concretizar estes projetos”, explicou.

O dirigente considera que uma pista de ski sintética seria importante para recuperar a possibilidade de proporcionar o primeiro contacto com as modalidades de neve a milhares de crianças, numa altura em que a região deixou de dispor do Ski Parque e a prática está mais dependente da existência de neve natural.

Mais de 50 clubes e dois mil atletas

A Federação de Desportos de Inverno de Portugal tutela atualmente 11 modalidades e conta com cerca de 56 clubes. Depois de, no ano passado, ter ficado perto dos dois mil atletas federados, Pedro Flávio acredita que esse número será ultrapassado este ano.

“Os últimos anos foram de crescimento”, afirmou, atribuindo parte dessa evolução ao desenvolvimento das modalidades de gelo, nomeadamente o hóquei no gelo, a patinagem artística, a patinagem de velocidade e o curling.

A Federação tem igualmente procurado desenvolver modalidades menos tradicionais em Portugal, como o bobsleigh e o biatlo. No caso do bobsleigh, uma dupla portuguesa participou, no ano passado, em provas da Taça do Mundo, algo que, segundo o dirigente, não acontecia há 35 anos.

A aposta na formação passa também por projetos nas escolas, incluindo iniciativas de curling e, este ano, de hóquei no gelo. Está igualmente em curso, pela terceira edição, um projeto dirigido a crianças com deficiência intelectual de escolas da região.

“É uma das prioridades da Federação para continuar para o futuro”, salientou Pedro Flávio, que pretende alargar este tipo de iniciativas e envolver mais jovens nas modalidades de inverno.

Na Covilhã, o Laboratório de Desportos de Inverno, desenvolvido em parceria com a Universidade da Beira Interior (UBI), permite às crianças e às escolas experimentar estas modalidades através de simuladores e pistas sintéticas. “É uma forma de contornar essa falta de condições ou a falta de neve”, explicou.

Objetivo passa por reforçar a presença olímpica em 2030

O novo mandato terá também como objetivo consolidar o investimento nos atletas e nos clubes, procurando aumentar a representação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2030.

Pedro Flávio destacou o percurso de Jéssica Rodrigues, campeã do mundo júnior de patinagem de velocidade no gelo em 2025, que esteve perto de garantir a qualificação para os últimos Jogos Olímpicos, mas não conseguiu atingir o tempo mínimo exigido.

Referiu ainda a qualificação inédita de uma dupla portuguesa de dança no gelo para os campeonatos do mundo, considerando que estes resultados demonstram que o investimento começa a produzir efeitos em diferentes modalidades.

“Estamos a caminhar no sentido de nos aproximarmos do verão em termos de resultados e estamos também a aproximar-nos em termos de condições que damos aos nossos atletas”, afirmou, referindo o trabalho desenvolvido com o Comité Olímpico de Portugal e o Instituto Português do Desporto e Juventude para melhorar os apoios à preparação olímpica.

O presidente da Federação reconhece, contudo, que o crescimento implica maiores encargos financeiros, sobretudo devido aos custos das viagens, alojamento e equipamentos. O orçamento anual da instituição ronda 1,5 milhões de euros, incluindo a componente relacionada com a pousada de juventude.

A ambição para 2030 passa por alargar o número de modalidades com representação olímpica e criar condições para que mais atletas portugueses possam competir ao mais alto nível. “Estamos a trabalhar para conseguir chegar a esses objetivos”, concluiu Pedro Flávio.