Estudantes da UBI lutam contra aumento das propinas e cortes no Ensino Superior  

Os estudantes da Universidade da Beira Interior (UBI) reuniram-se esta tarde, junto à instituição, para lutar contra as políticas do Governo para o Ensino Superior, nomeadamente o possível aumento das propinas, os cortes no investimento público e as alterações à ação social.  

Entre as preocupações apontadas estão: o aumento dos preços das residências estudantis públicas, a possibilidade de milhares de estudantes perderem o acesso a bolsas no próximo ano letivo e as novas limitações ao acesso a licenciaturas, mestrados e doutoramentos, no âmbito do chamado “Decreto da Exclusão”. 


Rita Lucas, uma das responsáveis pela organização do protesto e aluna do Mestrado em Relações Internacionais, revelou aos jornalistas que um dos objetivos da manifestação passa por não existir um aumento do valor das propinas. 

“Que não haja um aumento das propinas, porque como nós sabemos, a ideia é que as propinas sejam gratuitas a seu tempo, que todo o ensino seja gratuito e isso não está a ser cumprido. Também a questão da habitação e não só com a crise habitacional que nós estamos a ter agora, mas também as residências públicas, que estão a aumentar os preços cada vez mais sem aumentar a qualidade das mesmas, a ação social, que é cada vez mais desprezada para aquilo que são os estudantes e a vida deles, e também a elitização do ensino superior, que é uma das nossas maiores preocupações”, começou por dizer a estudante. 

A proposta do aumento das propinas já foi travada no ano letivo passado, na sequência da mobilização estudantil, incluindo na Covilhã. No entanto, essa luta está de volta, devido à aprovação do orçamento do Estado. 

“A força dos estudantes conseguiu travar esse aumento das propinas, no entanto agora, com a nova aprovação do orçamento do Estado, volta a recair a mesma luta e a mesma questão por parte do Governo, que questiona se será benéfico aumentar as propinas, que é algo que os estudantes estão contra e aqui se vê também pela força dos estudantes que estão aqui presentes”, afirmou Rita Lucas. 

Vários alunos, de diferentes cursos, assim como Núcleos da Universidade juntaram-se a esta manifestação, organizada pelo movimento “Ninguém fica para trás”, que no ano passado iniciou a sua luta contra o aumento das propinas. 

Outra das preocupações diz respeito às residências estudantis, dado ao aumento do valor e ao facto das infraestruturas estarem cada vez mais degradadas. 

“As residências há alguns anos eram 90 e poucos euros, neste momento estão a 170. Há muitas pessoas que se queixam, sendo que as condições continuam a ser cada vez mais degradadas, pela antiguidade das infraestruturas, e o aumento continua. Pode existir o aumento, mas não havendo uma melhoria nas condições, acaba por ser penalizante para os estudantes. São necessárias mais residências e com melhores condições”, atirou a aluna da UBI. 

Recorde-se que os estudantes percorreram algumas ruas da cidade da Covilhã entoando algumas palavras de ordem e convocando ainda todos os alunos a participar na manifestação geral dos estudantes, que se realiza a 18 de novembro, em Lisboa.