Mário Centeno apresenta livro na Covilhã. “Contas Certas” retrata mudança política em Portugal

O livro “Contas Certas – Crónica de uma Mudança Política em Portugal”, da autoria de Mário Centeno e Filipe Santos Costa, apresentado esta quarta-feira, na Universidade da Beira Interior (UBI), retrata essencialmente o processo político que acompanhou Portugal entre 2014 e 2020.

A apresentação da obra, feita pelo músico e compositor covilhanense João Gil, insere-se no âmbito das comemorações dos 840 anos de História e 156 anos de Elevação da Covilhã a Cidade.


Este livro, que conta com 470 páginas, surgiu no momento em que Mário Centeno terminou todas as suas funções públicas, sendo que muita da escrita já estava pensada.

Para o economista e político português, esta é uma obra para quem quer perceber mais sobre finanças, mas também que fala sobre ciência política, filosofia e a sua vida pessoal.

“É um livro para quem quer perceber de finanças, visto pelos olhos do autor, que explica como é que se fez um período bastante interessante e de sucesso. Portanto é uma obra que tem um bocadinho de economia, finanças, ciência política, filosofia e também nesta forma de estar, que eu gosto de imprimir nestes momentos aquilo que escrevo”, começou por dizer o autor.

Este trabalho reflete um período, que acompanhou Portugal entre 2014 e 2020, desde a preparação, o programa eleitoral e o governo do Partido Socialista, terminando no dia em que Mário Centeno saiu do Ministério das Finanças.

“O livro começa com a preparação do programa, que depois foi a eleição, o governo do Partido Socialista e termina quando eu saí do Ministério das Finanças. No meio conta um pouco do meu trajeto académico e pessoal, porque acho que é importante perceber quem fez o quê e o que eu trouxe de mim próprio para este processo. Essencialmente quatro quintos do livro é sobre a política que acompanhou Portugal entre 2014 e 2020”, revelou Mário Centeno.

O nome “Contas Certas”, de acordo com o antigo Ministro das Finanças entre 2015 e 2020, “é uma forma de assumir compromissos”, dado que Portugal esteve muito tempo em incumprimento, e é também um “apelo para que se continue a cumprir.”

Obra apresentada por João Gil

A escolha para a apresentação deste livro, que foi lançado há um mês, foi o músico e compositor covilhanense João Gil, que afirmou, durante a sua intervenção, ser uma obra que fala de uma parte da história do país, que acabou por se considerar uma vitória de todos os portugueses.

Um livro da história recente de Portugal, juntamente com memórias da sua vida pessoal. Para João Gil, é algo fácil de ler, apesar de ter partes mais densas para quem estuda economia ou finanças.

“É um livro fácil de ler e escrito de uma maneira simples, onde o esforço é mínimo, porque estamos a ver quase um documento escrito num jornal, numa linguagem coloquial, fácil e entendível. Tem partes realmente mais densas para quem estuda economia, finanças e gestão, mas mesmo assim considero que é fácil de ler. Li o livro todo, foi fácil e gostei muito. Sendo músico e compositor, é também uma obra de música e isso é surpreendente”, disse João Gil.

Este trabalho apresenta no seu interior uma “playlist” e um conjunto de músicas, visto que são utilizadas frases retiradas de canções. A ideia surgiu depois dos autores perceberem que existia um fio condutor.

UBI foi o local escolhido para a apresentação

A Universidade da Beira Interior recebeu a sessão de apresentação do livro, no Anfiteatro das Sessões Solenes, que se encontrava bem composto, grande parte por alunos da instituição.

Ana Paula Duarte, reitora da UBI, assumiu que o papel da Universidade vai muito além da formação e da investigação, sendo uma honra receber Mário Centeno.

“Enquanto Universidade Pública, entendemos que o nosso papel vai muito além da formação e da investigação. Somos um espaço privilegiado de reflexão, de debate e de partilha de conhecimento sobre os grandes desafios da sociedade, da economia e das políticas públicas. Por isso, é uma honra receber nesta casa uma personalidade que marcou um período particularmente relevante da vida económica e política portuguesa, que hoje nos traz um destino inscrito sobre essa experiência”, atirou a reitora, no seu discurso protocolar.

Também para Hélio Fazendeiro, presidente da Câmara Municipal da Covilhã, “é uma honra e um orgulho institucional/pessoal” ter Mário Centeno na cerimónia de apresentação. O autarca referiu que a Covilhã se enquadra nesta questão de “Contas Certas”, derivado a orçamentos equilibrados.

“A Covilhã é uma cidade que se tem afirmado muito por conta daquilo que é a iniciativa privada, das suas gentes, a capacidade empreendedora, de gestão, de organização do território, de contas certas, lá está, de termos orçamentos equilibrados e conseguirmos com isso investir, reinvestir, transformarmos e inovarmos construindo o futuro. É um pouco isto que este livro nos retrata, como é que nós, condenados a uma fatalidade de empobrecimento programado, conseguimos de repente dar um salto de transformação do ponto de vista da nossa política, que não só transformou internamente o rumo dos portugueses, como fez mesmo as instituições internacionais alterar aquilo que era a sua visão sobre a forma de combater ou de lidar com estas crises dos mercados e das dívidas soberanas”, comentou o chefe da autarquia.

O presidente da CMC deixou ainda um pedido a Mário Centeno, para que continue a “engrossar fileiras” desta equipa que luta pela coesão territorial. “É preciso demonstrarmos que para bem daqueles que vivem nos grandes centros urbanos nós precisamos de desenvolver o resto do território.”

Recorde-se que este livro é uma crónica, que tem muitas memórias, onde a última frase provém de uma conversa no gabinete do Ministério das Finanças, entre Mário Centeno e Carlos do Carmo, no seu último dia a exercer funções.