O Jardim Público da Covilhã recebe, no próximo dia 14 de novembro, com concentração pelas 10h00, uma manifestação, organizada pelo coletivo Porta a Porta e que integra o movimento “Casa Para Viver”, que reivindica o acesso a habitação digna e a preços comportáveis e contesta a especulação imobiliária. O protesto realiza-se em 30 cidades neste mesmo dia.
Na Covilhã os manifestantes irão dirigir-se para o Pelourinho, onde terão lugas as intervenções públicas.
A iniciativa pretende chamar a atenção para as dificuldades crescentes no acesso à habitação, não só devido à falta de casas disponíveis, mas também aos preços praticados e à oferta de tipologias que nem sempre corresponde às necessidades das famílias.
Na Beira Interior, os promotores da manifestação apontam para uma realidade marcada pela existência de edifícios devolutos, pelo envelhecimento da população e pelas dificuldades sentidas por jovens, trabalhadores e famílias na procura de habitação adequada. A estes problemas juntam-se as limitações de mobilidade e de acesso aos transportes públicos, sobretudo fora dos principais centros urbanos.
O movimento aponta que na Covilhã, cerca de 15% do parque habitacional estava vago em 2021, segundo os Censos, o que correspondia a mais de 5.400 habitações. Os promotores ressalvam, contudo, que uma casa devoluta não significa necessariamente que esteja disponível para habitação, uma vez que muitos imóveis precisam de obras profundas ou estão condicionados por questões de propriedade, heranças ou falta de capacidade financeira para a reabilitação.
O movimento considera que a recuperação destes edifícios pode contribuir para aumentar a oferta de habitação permanente e a custos controlados. No entanto, alerta que parte dos imóveis reabilitados acaba direcionada para segmentos de maior rentabilidade, sem garantir o acesso a habitação acessível.
Outro dos problemas identificados prende-se com a evolução dos preços. De acordo com os dados divulgados pelos promotores, em agosto de 2026 o preço pedido para a compra de habitação na Covilhã rondava os 1.344 euros por metro quadrado, cerca de 35% acima do valor registado dois anos antes. É também apontada a predominância de tipologias T0 e T1, associada à procura estudantil, que não responde às necessidades de habitação familiar.
A manifestação surge ainda como forma de contestação às políticas habitacionais que, na perspetiva dos organizadores, favorecem a especulação imobiliária em detrimento das famílias. Entre as medidas criticadas estão a eliminação de limites aos aumentos das rendas em novos contratos, o agravamento dos encargos com cauções e rendas antecipadas, a redução da estabilidade contratual e a aceleração dos processos de despejo.
Entre as principais reivindicações do movimento “Casa Para Viver” estão a revogação da atual Lei do Arrendamento e o travão aos despejos sem alternativa de habitação digna, a regulamentação e redução das rendas, com contratos de duração mínima de 10 anos, e a limitação da taxa de esforço do crédito à habitação para primeira habitação a 35% dos rendimentos.
O movimento defende também o reforço da oferta de habitação pública e acessível, através da recuperação de imóveis devolutos e do fim da alienação de património público, bem como medidas de combate à especulação imobiliária e à pressão do alojamento turístico nos bairros, defendendo “mais vizinhos, menos turismo”.
