O aumento significativo das reformas e pensões, o reforço dos serviços públicos e a redução do custo dos transportes públicos estiveram entre as principais reivindicações deixadas pelos dirigentes sindicais no 27.º Convívio de Reformados, realizado sábado à tarde Na Covilhã.
Luís Garra, coordenador da Inter-Reformados, espera obter respostas concretas na reunião de 17 de novembro com o presidente da Câmara da Covilhã sobre o passe social único de 30 euros para todos e a gratuitidade dos transportes para reformados. O dirigente admite que, caso não haja avanços, poderão ser necessárias outras formas de luta.
A iniciativa foi organizada pela União dos Sindicatos de Castelo Branco (USCB/CGTP-IN), pela Inter-Reformados, pela Associação de Reformados da Covilhã e pela União de Reformados do Tortosendo.
Luís Garra quer respostas concretas da Câmara

A reivindicação da gratuitidade dos transportes públicos para reformados está em negociação com a Câmara Municipal da Covilhã desde 2023. Depois de, em setembro de 2024, ter sido conseguida uma redução de 25% no preço dos passes sociais para os beneficiários do Cartão Social Municipal e reformados com mais de 65 anos, que tinha um descontos de 50%, a Inter-Reformados pretende que a autarquia concretize a promessa eleitoral de implementar o passe social único de 30 euros, válido para todos os utentes, independentemente da idade ou situação profissional.
Luís Garra reconhece que houve uma evolução na posição do presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, que já admitiu discutir a gratuitidade, mas considera que ainda não existem garantias quanto à concretização das medidas.
Na reunião de 17 de novembro, com o presidente da autarquia e o vereador João Marques, o dirigente espera respostas claras e compromissos concretos.
“Nós queremos respostas, queremos respostas muito claras, porque a situação que nós hoje estamos a viver requer medidas urgentes para aliviar a carteira das pessoas”, afirmou.
Luís Garra considera que a redução do preço dos transportes é também uma forma de combater o isolamento e a solidão dos idosos, sobretudo nas freguesias rurais, onde os custos elevados e a escassez de horários dificultam as deslocações. Como exemplo, apontou São Jorge da Beira e as Minas da Panasqueira, onde um passe pode custar 130 euros.
“Um passe gratuito, ou a um preço reduzido, se for para o passe único de 30 euros, (…) aquelas pessoas vêm à cidade, vão estar com os seus familiares, vão conhecer coisas que não conhecem”, defendeu.
O dirigente sublinhou que a medida não representa uma exigência desproporcionada, lembrando que existem já vários municípios e regiões do país com transportes gratuitos ou com tarifas reduzidas.
“É este o sentido de humanidade, é este o sentido de desenvolvimento que nós queremos para a nossa região e, neste caso, para o nosso concelho”, afirmou.
O coordenador da Inter-Reformados deixou ainda um aviso sobre o resultado das negociações com a Câmara. Garantiu que a reunião será encarada com espírito construtivo, mas que a falta de respostas poderá obrigar à adoção de outras posições e a uma maior mobilização dos reformados.
“No dia 17, vamos para a reunião com sentido construtivo. De diálogo e de negociação a sério. Sem quaisquer truques, nem nada na manga. Mas poderemos ter que tomar posições”, avisou.
E acrescentou: “Aquilo que define se ganhamos ou perdemos é a força que temos”, apelando ao apoio dos reformados às reivindicações.
O aumento do custo de vida e a insuficiência das atualizações das pensões foram também apontados como motivos de preocupação. Luís Garra contestou a previsão de um aumento de 3,3%, dando como exemplo uma pensão de 500 euros, que teria uma subida de apenas 15 euros.
“Eu pergunto se 3,3% de aumento nas nossas pensões vai resolver a vida de alguém. Isto não pode continuar assim”, afirmou.
CGTP exige aumento das pensões e reforço dos serviços públicos

Também Sérgio Santos, coordenador da União dos Sindicatos de Castelo Branco, apresentou um conjunto de reivindicações para 2027, defendendo um aumento geral e significativo de todas as reformas e pensões, acompanhado de maior investimento nos serviços públicos e no combate à pobreza e às desigualdades sociais.
O dirigente sindical considerou inaceitável que quem trabalhou e descontou durante toda a vida fique, depois de reformado, numa situação de pobreza ou dependência.
“Não é justo nem aceitável que quem trabalhou ou trabalha e sempre descontou para a Segurança Social esteja agora, depois de reformado, numa situação de pobreza ou de dependência”, afirmou.
Entre as medidas reivindicadas pela CGTP-IN estão a alteração da fórmula de atualização das pensões, a revogação do fator de sustentabilidade, o regresso da idade legal de reforma aos 65 anos e o acesso à reforma antecipada sem penalizações para trabalhadores com 40 ou mais anos de descontos, independentemente da idade.
Sérgio Santos defendeu igualmente o reforço da Segurança Social pública, universal e solidária, manifestando oposição a qualquer tentativa de privatização, mesmo que parcial, do sistema.
Na área da saúde, reivindicou a garantia de médico e enfermeiro de família para todos, a expansão dos cuidados de saúde primários, a eliminação de condicionamentos no transporte de doentes e o reforço da rede de cuidados continuados. Defendeu ainda o aumento das comparticipações nos medicamentos para reformados e pensionistas com pensões inferiores ao salário mínimo nacional.
A habitação e a mobilidade foram outras das áreas destacadas. A CGTP-IN reclama uma política pública de habitação que assegure preços acessíveis, apoios às famílias com maiores carências e proteção dos arrendatários, bem como a gratuitidade dos transportes públicos para todos os reformados e pensionistas.
Sérgio Santos defendeu ainda a reabertura de serviços públicos encerrados, sobretudo no interior, considerando que a sua ausência prejudica as populações e contribui para o agravamento da desertificação.
