Padre Brás: A justa homenagem da sua terra

O Salão Nobre dos Paços do Concelho tornou-se pequeno, para receber o muito público, que se quis associar à homenagem que o município promoveu a Monsenhor Alves Brás, ontem à noite, dia em que se assinalou os 120 anos do seu nascimento.

A vida e obra do Padre Brás foi enaltecida e recordada, pelos vários oradores da noite, destacando-se “a humanidade, a bondade e a sabedoria”, como traço comum em todas as intervenções.

Natural de Casegas, Joaquim Alves Brás, cedo se apercebeu do problema social, que nos anos 30, afetava as “criadas de servir”, moças que vinham do campo para a cidade, “com total impreparação para enfrentar a realidade com que deparavam”. Para seu apoio fundou a Obra de Santa Zita em 1931 e em 1933 o Instituto Secular das Cooperadoras da Família. Fundou ainda, nos anos 60, o Movimento por um Lar Cristão, o Jornal da Família e os Centros de Cooperação Familiar, obras em que, o denominador comum, era a sua preocupação com os mais desfavorecidos, em particular as mulheres e com a família, recordaram ontem os oradores.

O presidente da Junta de Freguesia de Casegas e Ourondo, Cesar Craveiro, recordou-o como “o mais ilustre filho da terra”. Proferiu no Salão Nobre dos Paços do Concelho as palavras que, em 1990, disse na 1ª sessão pública do processo de canonização de Alves Brás, mostrando o “orgulho de Casegas e sua gente”, na vida e obra de Alves Brás. Mostrou esperança de que, em breve, “a Santa Sé reconheça o modo heroico como viveu proclamando a sua santidade”.

“Um homem reto, austero, direto e que abominava a mentira”, disse Maria do Céu Brás, prima do Padre Brás. Oriundo de uma família “muito religiosa e de visão alargada que com pouco fez muito”, referiu, recordando que Alves Brás fez obra que se alargou a todo o país e além-fronteiras, concluindo que “Joaquim Alves Brás não era santo, mas fez-se santo”.

O postulador da causa da canonização Arnaldo Pinto Cardoso, exaltou a forte personalidade do padre Brás, referindo que em primeiro “lugar era padre, sonho de criança que concretizou, procurava a verdade, a justiça e a liberdade, era mestre e pedagogo”. Dotado de “ideias claras, firmes, fé inquebrantável, vontade indomável, ousado, persistente, corajoso e organizado, dotado de inteligência prática e de uma prática inteligente” entre muitos outros elogios, que no seu entender justificam “esta e muitas outras homenagens”, para além da beatificação e canonização.

Maria Alice Cardoso, coordenadora nacional das Cooperadoras da Família destacou a obra criada pelo homenageado, que ainda hoje assenta nos mesmos valores, “cooperar com a família sem a substituir”. Com cerca de 450 colaboradores, só em Portugal, têm várias obras que apostam no apoio à infância, com creches, jardins-de-infância, escolas e ATL, estruturas residenciais para idosos, escola profissional e centros de apoio familiares espalhados por todo o país, recordou a coordenadora nacional.

O Bispo da Diocese da Guarda, D. Manuel da Rocha Felício, recordou a deficiência de Joaquim Alves Brás, frisando que “era coxo, mas fez andar muita gente”. Considerou-o um “visionário e um profeta”, fez “andar e abanar” a sociedade da altura, “não só com palavras, mas com obras assistenciais”. Para o Bispo da Guarda, “temos ainda hoje muito a aprender com Monsenhor Alves Brás”.

“O espírito empreendedor” de Monsenhor Alves Brás foi realçado por Regina Gouveia, vereadora da cultura na autarquia, que destacou na sua intervenção, “a defesa das mulheres vulneráveis daquela época”, que promoveu, “lançando obras e consolidando-as de tal forma que chegaram os dias de hoje”, destacou.

Monsenhor Joaquim Alves Brás faleceu em 1966, em 1990 foi introduzido o seu Processo de Canonização e em 2008, o Papa Bento XVI declara-o Venerável pela Heroicidade das suas virtudes.