Exploração de lítio pode ser uma oportunidade

Foi a opinião unânime expressa pelas cinco bancadas representadas na Assembleia Municipal da Covilhã, no programa Praça Pública.

Para o painel convidado da Rádio Covilhã, “o país e a região não são assim tão ricos que possam desperdiçar recursos”, no entanto, no final da frase, os cinco representantes partidários colocam um “mas”. Trata-se de um tema que deve ser amplamente debatido e esclarecido.

Por parte do movimento independente “De Novo Covilhã”, Fausto Batista, antigo mineiro e ex-presidente da Junta de freguesia de S. Jorge da Beira, afirmou que “não vê mal nenhum”, desde que “sejam respeitadas todas as normas e haja acompanhamento e fiscalização”, referindo que “hoje em dia, o impacto ambiental pode ser muito mais reduzido do que no passado”. Para Fausto Batista, as zonas onde a prospeção se verifica “podem vir a ter benefícios económicos e pode ser uma oportunidade”.

Hélio Fazendeiro, do PS, afirma que “o património natural da região, é a jóia da coroa”, que diferencia a nossa região de outras, frisando que é o que “nos dá uma qualidade de vida diferente”. Para o socialista, esta situação não pode ser incompatível com “as atividades económicas dos novos tempos”, é por isso preciso saber “o que se pretende e como se pretende explorar, é preciso debater e saber quais as intenções da exploração”. acrescentando que “será diferente se for explorar, levar e deixar o entulho, explorar e depois fazer a requalificação”.

Vítor Reis Silva, do PCP, afirma que “não podemos à partida rejeitar esta ideia, não devemos desperdiçar os recursos existentes”. Para o comunista, o que está em causa “é o tipo e a forma de exploração”, rejeitando uma “exploração colonial, em que a empresa explora e vai embora e as populações nada ganham”, frisou. Para Reis Silva, “é preciso estudar, avaliar, ponderar e ver qual a viabilidade comercial, para ver quais os benefícios”.

Também o PSD concorda com esta visão. Pedro Torgal afirmou que “se o produto for rentável deverá ser explorado”, mas “sempre com grande preocupação com as pessoas e os recursos naturais, outra das riquezas que temos”. Para Pedro Torgal é preciso encontrar um equilíbrio “entre o desenvolvimento e a preservação”, exigindo a todas as “entidades locais, nacionais e europeias que as normas para estas explorações sejam cumpridas”.

João Vasco Caldeira, do CDS-PP, “considera que a exploração pode ser um impulso económico”, mas tem que ser feita “com o respeito pela população e normas ambientais”. Para o centrista tem de se promover a informação e o debate sobre este tema, “sem que seja inquinado pelo discurso dos indefetíveis radicais”. Para Vasco Caldeira a “falta de informação pode levar a decisões mal fundamentadas”, acrescentando que “não se pode deixar que as ondas indefetíveis sejam ensurdecedoras”.

Um amplo debate, esclarecedor sobre a matéria é o que sugerem os líderes políticos da Assembleia Municipal da Covilhã, e só depois tomar decisões sobre um tema que “economicamente” pode ser uma “oportunidade” para o concelho.