Revelados três segredos no Museu da Covilhã porque “a comunidade merece”

Depois de anunciar que em dois anos recebeu mais de 15.500 visitantes provindos de 32 países diferentes, o Museu da Covilhã celebrou o segundo aniversário revelando ao público três segredos do seu espólio, de forma a “aguçar a vontade de conhecer o património e a história da Covilhã”, porque “a comunidade merece”. Quem o diz é Sandra Ferreira, coordenadora do Museu.

As “tesselas” e uma fotografia do Altar de São Gonçalo, presente na extinta Igreja de São Pedro (sem imagem), situada no Pelourinho, foram os primeiros tesouros da reserva do museu a que o público teve acesso. Mostrou-se também o original do Foral Manuelino da Covilhã, datado de 1510, e que se encontra à guarda do Arquivo Municipal, cuja réplica está na exposição permanente.


Além disso, desvendaram-se outros dois segredos. Trata-se das maletas pedagógicas, dois conjuntos de materiais lúdicos-pedagógicos desenvolvidos pelo espaço C3D. Estas maletas, que incrementam o Serviço Educativo, dirigem-se a todos os públicos e são constituídas por um puzzle, um jogo da memória, um jogo de diferenças e jogos de pintar, no caso da maleta relativa ao museu em geral, e por réplicas das moedas do Tesouro da Borralheira, no caso desta peça do museu. Tudo feito com materiais usados, confirma Rúben de Matos, do espaço C3D.

Estes “presentes” aos visitantes foram uma forma de o Museu da Covilhã acarinhar o seu público. Sandra Ferreira, coordenadora do Museu, destaca os prémios e as exposições itinerantes como os pontos altos destes dois anos:

“O prémio, as menções honrosas que o acompanharam, o prémio da linguagem clara na parte da acessibilidade. São de facto prémios e menções importantes nestes dois anos de museu. Pontos altos foram também as exposições itinerantes. A que estava associada à ferrovia e a exposição da diáspora judaica, duas grandes exposições que estiveram acompanhadas de duas grandes tertúlias. São temas da comunidade e que estão em voga”.

Sandra Ferreira vinca ainda a importância do trabalho em rede, fundamental para o sucesso do museu e imprescindível na construção dos segredos apresentados.

“Para além disso, o trabalho em rede foi importante nestes dois anos, que só assim foi possível atingir estes objetivos. O trabalho com a Biblioteca, com o Arquivo Municipal e o espaço C3D, mais na parte do serviço educativo”.

Também Regina Gouveia, vereadora da Cultura, salienta o trabalho em rede e o contacto com a comunidade, uma vez que “um museu tem que ser mais que exposição”:

“Este caminho só pode ser feito com a comunidade em primeiro lugar. Os turistas têm valorizado imenso o museu, mas um museu de território, em primeiro lugar tem de ser um museu de comunidade, com que a comunidade se identifique, que a comunidade valorize e queira continuar a descobrir, e nós vamos fazer com que valha a pena continuar a descobrir”.

Recorda-se que o Museu da Covilhã tem sido referenciado como exemplo na inclusão e acessibilidades de públicos com limitações a vários níveis, tendo sido galardoado como Museu do Ano em 2022 pela APOM – Associação Portuguesa de Museologia. Encontra-se aberto de terça-feira a domingo, nos períodos 10:00-13:00 e 14:00-18:00.