Acessibilidades à Serra da Estrela suscitam múltiplas propostas na AM Covilhã

A Assembleia Municipal da Covilhã reuniu em sessão extraordinária esta segunda-feira para, por proposta do Grupo Municipal do PS, debater as acessibilidades à Serra da Estrela.

João Flores Casteleiro, na primeira intervenção do debate, sublinhou que o tema foi escolhido uma vez que, dadas as dificuldades, “não era aceitável passar mais um inverno sem debater o tema”.


Destaca que “as soluções não são óbvias e não serão unanimes”, mas as respostas devem encontradas em conjunto, salientando que a Assembleia Municipal deve também assumir o seu papel, promovendo o debate.

Apontou desde logo algumas das soluções que estão em cima da mesa, como o teleférico, apontado como solução pela Turistrela, e as estradas de acesso por Unhais da Serra, Cortes do Meio ou Verdelhos, reivindicadas pelas populações.

Nuno Lourenço, da Junta de Freguesia de Cortes do Meio e Cátia Gaudêncio da Junta de Freguesia Unhais da Serra, salientaram que os acessos ao maciço central pelas suas localidades, são alternativas “que podem potenciar a Serra da Estrela e as freguesias da zona”, sublinhando que o turismo na Serra da Estrela não é só Torre e neve, mas todo o território e durante todo o ano.

Fernando Pinheiro (A Covilhã tem Força), defende que Cortes do Meio, Unhais da Serra e Verdelhos ganhariam uma vida diferente com essas acessibilidades.

Sobre acessos à Torre, nomeadamente com a opção teleférico, sublinha que “se há capacidade financeira, é preciso fazer com que aconteça”.

Mónica Ramôa, por parte da CDU, frisa que em primeiro lugar é preciso definir o que se quer da Serra e só depois avançar com acessibilidades.

Ainda assim, sobre a matéria, vinca que se fala de teleférico desde 1950, estando na altura de encontrar alternativas novas, realçando que é preciso defender as classificações da Serra da Estrela enquanto Parque Natural e Geoparque Natural da UNESCO.

Mónica Ramôa defende que se deve retirar o trânsito do maciço central, reduzi-lo ao mínimo necessário e ter transporte alternativo. Refere uma espécie de “Metro bus”, com parques de estacionamento à menor cota possível.

Nuno Reis, do Grupo Municipal do CDS, concordou com a posição do PCP, principalmente no debate que deve ser feito “sobre o que queremos da Serra da Estrela”.

Criticou a ausência de investimento para o programa turístico neve no Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela.

Já no final do debate João Bernardo lamentou o leque de convidados presente “uma vez que é técnico e não pode apresentar propostas”.

“Em vez de termos aqui os outros municípios para saber o que temos que fazer, trazemos aqui a parte técnica”, apontou. Concluiu que “é triste estar a discutir, mas sem soluções para apresentar”.

Lino Torgal, por parte do PSD realçou a degradação da EN 339 que tem ainda as bermas originais, com desníveis superiores a 20 cm em alguns locais.

Quanto a meios mecânicos para acesso à Serra, defende que devem ser tidos em linha de conta “todo o ano” para servir como alternativa ao automóvel, sublinhando que esta deve ser a grande preocupação.

Vanda Ferreira, do mesmo grupo municipal, frisa que se deve pugnar pela requalificação da estrada 339 e por um plano de manutenção, salientando que a bancada está a preparar uma recomendação ao Governo a apresentar na próxima Assembleia Municipal.

Por parte do PS, Pedro Bernardo, destaca que “a serra vai para além da neve e do maciço central”, valorizando um território que vai desde Cortes do Meio a Verdelhos.

Relembrou as vias de mobilidade verde já aprovadas no Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela, que incluem locais estratégicos para criar parques de estacionamento.

“A Serra da Estrela já é um centro de desenvolvimento, mas tem um longo caminho a percorrer”, apontou Hélio Fazendeiro (PS), elogiando a opção da Câmara Municipal da Covilhã, e das Juntas de Freguesia do território, na criação de trilhos, percusos pedonais e outras infraestruturas.

Sublinha também o facto de, ao fim de muitos anos, haver transporte público para a Serra.

“Transporta diariamente pessoas, em vários horários, desde a Covilhã até à Torre, é um contributo parco, mas importante”, sublinhou.

Destacando que o tema da neve foi muito debatido, dá conta que a Serra está disponível 365 dias, sublinhando que “é preciso reduzir as dificuldades quando existe a neve”, mas pensar as acessibilidades de uma forma integrada, que respeite o ambiente, concluindo que certamente o debate na Assembleia Municipal “permite dar passos de entendimento comuns nesta matéria”.

A sessão contou com a presença de Artur Costa Pais, administrador da Turistrela; Fátima Reis, da Direção Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Centro e, por parte da IP, Rosa Saraiva (Gestão Regional da Guarda) e Francisco Miranda (Centro Operacional Centro e Norte).