No âmbito das comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, realizou-se hoje um simulacro de incêndio no Museu da Covilhã, envolvendo meios internos e operacionais externos, como Bombeiros, PSP e Proteção Civil Municipal. A iniciativa teve como objetivo avaliar a capacidade de resposta a uma situação de emergência, assegurando a evacuação de pessoas e a proteção do património e no final todos os envolvidos salientaram a boa resposta dos envolvidos.
Proteção de pessoas e património em foco

Luís Marques, vereador com o pelouro da Proteção Civil na Câmara Municipal da Covilhã, explicou que a especificidade do espaço museológico implica cuidados acrescidos, sobretudo pela necessidade de preservar peças de elevado valor.
“Sabemos que nos museus, além de tudo aquilo que é um salvamento normal e a retirada de pessoas do edifício e também o combate ao incêndio, temos como preocupação a preservação do elevado valor museológico que existe aqui.”
O autarca adiantou ainda que o simulacro permitiu validar os procedimentos que estão plasmados no Plano de Autoproteção, elaborado pela Serviço Municipal de Proteção Civil, e identificar aspetos a melhorar, nomeadamente ao nível da sinalética e da iluminação em cenários com fumo.
“o briefing que já foi feito indica que a evacuação foi feita num tempo considerado o adequado”, sublinhando que “há sempre aqueles pequenos aspetos a corrigir, algumas sinaléticas que precisamos melhorar, alguma iluminação que não está adequada que permita a evacuação em zonas com muito fumo.”
Resposta rápida e evacuação eficaz

Do lado do museu, a coordenadora Sandra Ferreira considerou que o exercício confirmou a capacidade de resposta da equipa em caso de emergência, tanto na evacuação de visitantes como na salvaguarda das obras mais relevantes.
“Serviu para perceber que, realmente, estamos em condições de, numa situação dessas, conseguirmos salvar as pessoas que se encontraram no museu e também as obras de arte que nós identificámos como prioritárias, que também foram salvaguardadas e retiradas.” (2:26–2:39)
A responsável descreveu ainda a rapidez da atuação, com a ativação imediata dos meios de socorro e a evacuação quase total dos ocupantes do edifício em poucos minutos.
“Foi tudo muito rápido, logo após percebermos que não tínhamos condições para controlar este incêndio ligámos o 112, ativámos os meios, em 3 minutos tínhamos os Bombeiros a contactar, conseguimos colocar as 17 pessoas prontamente fora do edifício e demorou mais um bocadinho a socorrer uma pessoa que estava em cadeira de rodas e só depois retirámos as obras de arte”, detalhou.
O exercício, concluído em cerca de 15 minutos, evidenciou dificuldades associadas à visibilidade reduzida provocada pelo fumo.
Realismo no treino operacional

Também Óscar Pinto, comandante em suplência dos Bombeiros Voluntários da Covilhã, destacou o grau de realismo do simulacro, sublinhando que os operacionais foram surpreendidos pelas circunstâncias do exercício.
“Sim, acho que correu muito bem, nós tentámos mesmo improvisar ao máximo (…) tentámos mesmo fazer que fosse o mais real possível”, disse, sublinhando que os bombeiros no terreno sabiam que se tratava de um simulacro, mas não o que iriam encontrar, uma vez que numa situação real também não sabem.
O responsável lembrou que a intervenção em edifícios com valor patrimonial exige cuidados adicionais no combate ao incêndio, de forma a evitar danos irreversíveis.
“São edifícios antigos, têm um valor cultural que acho que é diferenciado”. Detalhou também que face às obras de arte, que se danificam com o fogo, mas também com a água, é preciso “ter uma atenção maior na atuação, um maior cuidado no combate ao incêndio e os bombeiros estão de parabéns, porque seguiram todos os procedimentos e correu tudo bem”, disse.
Ainda assim, reforçou que a prioridade se mantém inalterada em qualquer ocorrência.
“A nossa missão continua a ser a mesma e o foco continua a ser o mesmo. Pessoas e bens, e por essa ordem, concluiu.
As conclusões agora retiradas deverão contribuir para reforçar os mecanismos de segurança de um espaço com elevado valor histórico e cultural na Covilhã.
Estiveram envolvidos na operação 17 operacionais, oito dos Bombeiros Voluntários da Covilhã, cinco da PSP da Covilhã e quatro do Serviço Municipal de Proteção Civil.
