Covilhã: Assembleia Municipal aprova moção pela reposição urgente da Linha da Beira Baixa

A Assembleia Municipal da Covilhã aprovou na sessão de dia 27 de abril, por larga maioria, a moção apresentada pelo Grupo Municipal do Partido Socialista que exige a reposição urgente e eficaz dos serviços de circulação ferroviária na Linha da Beira Baixa. O documento recolheu 41 votos favoráveis das várias bancadas e 7 votos contra, do PSD e das freguesias do Paul e Peso.

A moção, apresentada por João Cristóvão, alerta para os impactos da interrupção da circulação ferroviária desde 11 de fevereiro, na sequência dos danos provocados pelas tempestades junto ao rio Tejo, e critica a resposta dada até agora.


“O cancelamento sistemático dos serviços regionais Covilhã-Guarda, sem qualquer alternativa, é um ataque direto à coesão territorial. De que serve existir um passe se não existe comboio?”, questionou o deputado socialista.

PS exige reposição de serviços e inclusão de Belmonte

Entre as reivindicações inscritas na moção está a inclusão imediata da estação de Belmonte nos transbordos ferroviários, a reposição dos serviços regionais entre Covilhã e Guarda e o cumprimento do prazo apontado para a reabertura integral da linha.

João Cristóvão defendeu que o final de 2026, previsto para a reposição da circulação, “deve ser visto como um limite máximo e não como uma conveniência política”.

O socialista classificou a atual resposta como “tardia” e “insuficiente”, considerando que muitos utentes ficaram sem alternativas viáveis de mobilidade.

PSD reconhece problemas, mas vota contra

Apesar do voto contra, o Grupo Municipal do PSD manifestou concordância com parte das preocupações levantadas, sublinhando, no entanto, o trabalho em curso por parte das Infraestruturas de Portugal e da CP.

Leonor Cipriano reconheceu “insuficiências, nomeadamente na cobertura do troço norte e na inclusão da Estação de Belmonte”, mas destacou as soluções em marcha e o calendário definido para a reabertura.

“Apelamos a que, em vez de confrontos, façamos uma cobrança unida e construtiva ao Governo, à IP e à CP, para que a linha regresse o mais breve possível”, afirmou.

A social-democrata salientou ainda que o presidente da Câmara de Belmonte já terá sido contactado “precisamente para resolver a inclusão de Belmonte no serviço de transbordo rodoviário”.

CDS vota a favor e desafia Governo

Na declaração de voto, João Bernardo, do CDS-PP, justificou o apoio à moção com críticas diretas ao Governo e assumiu a posição do partido como defesa dos interesses do interior.

“O CDS Partido Popular vota favoravelmente esta moção porque tem vergonha na cara”, afirmou, acrescentando que o partido será “sempre parte da defesa dos interesses das populações no interior, mesmo que seja contra o nosso Governo”.

O eleito garantiu que a preocupação com a reposição da linha será levada ao Governo “mais uma vez”.

MIPP vota a favor e defende mais ambição para a ferrovia

Já José Páscoa, do MIPP, votou favoravelmente, mas defendeu uma visão mais ambiciosa para a ferrovia na região, criticando que a discussão se limite à reparação da infraestrutura.

“O que nós gostaríamos era que, além da recuperação, houvesse uma perspetiva de futuro e que não continuássemos a olhar para a linha da Beira Baixa como um desvio, que foi precisamente assim que ela funcionou durante cerca de dois ou três anos quando a linha da Beira Alta esteve interrompida por obras”, afirmou.

Entre os votos contra, Rui Amaro, da freguesia do Peso, justificou a posição com o facto de as obras já estarem em curso.

“Sabemos que estão a decorrer as obras para a reposição da linha e as obras não se fazem de hoje para amanhã. Se fossem de hoje para amanhã, o TCT estava todo alcatroado e a Rua de Santa Maria Madalena também”, declarou.

O Grupo Municipal do PCP e restantes presidentes de Junta, bem como a deputada independe votaram favoravelmente a moção.

recordar que foi publicado no dia 9 de abril, em Diário da República, o concurso público internacional para as obras de estabilização de taludes na Linha da Beira Baixa, no troço entre Belver, Fratel e Sarnadas de Ródão (nos concelhos de Gavião e Vila Velha de Ródão), pelo preço base de sete milhões de euros. O prazo de apresentação de propostas decorre até 2 de maio, e as obras terão um prazo de execução de 1050 dias.