Covilhã Innov Summit quer “semear ideias e inspirar” para impulsionar novos projetos e empreendedorismo

A partilha de conhecimento e a capacidade de inspirar futuros projetos inovadores são alguns dos principais objetivos da Covilhã Innov Summit, realçou o presidente da Câmara Municipal da Covilhã durante a sessão de abertura da conferência, ao início da tarde de hoje.

“Estas conferências servem para semear ideias que podem dar frutos no futuro”, afirmou o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, em declarações aos jornalistas, à margem da sessão de abertura do evento, destacando a importância da iniciativa como motor de inovação e desenvolvimento.


Hélio Fazendeiro destaca ambição e desafios para o território

O autarca acrescentou ainda que as expectativas para esta edição “são elevadas”, vincando que “vai ser mais um momento de afirmação da Covilhã no panorama regional e nacional”, sublinhando a ambição de reforçar o posicionamento do concelho como um dos polos mais dinâmicos na produção e transferência de conhecimento para o setor empresarial.

Hélio Fazendeiro destacou também que o evento pretende inspirar e mobilizar empreendedores: “Um dos objetivos destas conferências é transmitir informação, transmitir conhecimento, mas também inspirar outros agentes (…) a dar o passo inicial, a quebrar a inércia e a terem a coragem de avançar”.

A Covilhã Innov Summit está a decorrer até dia 22 no Teatro Municipal da Covilhã, numa coorganização entre a Câmara Municipal da Covilhã e a Universidade da Beira Interior (UBI), reunindo especialistas, empresários, académicos e decisores políticos em torno de temas como inteligência artificial, sustentabilidade, economia verde e transição digital.

Na sessão de abertura, Hélio Fazendeiro traçou também o retrato económico do concelho, sustentado em vários indicadores. Segundo o autarca, a Covilhã conta atualmente com cerca de 14.600 postos de trabalho, maioritariamente qualificados, distribuídos pelos setores industrial, de serviços e tecnologias. Em termos de comércio externo, destacou que, em 2025, o concelho registou 98 milhões de euros em importações e 239 milhões de euros em exportações, o que representa “um superávit de 242%”. Referiu ainda que o volume de negócios ultrapassa os 780 milhões de euros e que existem mais de 5.200 empresas ativas no território.

“A Covilhã é o motor do emprego (…) e uma forte contribuinte líquida para a balança comercial nacional”, afirmou, sublinhando também o papel do concelho na atração de investimento estrangeiro e na produção de inovação em articulação com a UBI, que já registou mais de 140 patentes.

No mesmo discurso, o presidente da autarquia lançou três desafios aos participantes do evento. O primeiro passa por “reduzir ainda mais o hiato entre a investigação de ponta das academias (…) e a necessidade imediata de transferência nas nossas PMEs tradicionais”. O segundo incide na atração de investimento, questionando “de que forma podemos usar o nosso Estatuto de Terra de Inovação para atrair grandes centros de competência digitais”. Por fim, destacou a necessidade de inclusão, defendendo que é essencial garantir “que a inovação digital é inclusiva e justa (…) e que as indústrias tradicionais não ficam para trás nesta transição”.

Ana Paula Duarte sublinha papel da academia e da Startup Competition

Também na abertura, a reitora da UBI, Ana Paula Duarte, sublinhou a importância do evento como espaço de “debate, partilha e construção do futuro”, reforçando o papel da universidade na transformação do conhecimento em valor económico e social. Destacou ainda iniciativas inseridas na Covilhã Innov Summit, como a Startup Competition, que visa aproximar jovens empresas de investidores e potenciar a inovação.

“Estes momentos não são apenas uma competição, são uma declaração de princípios (…) representam o reconhecimento de que o futuro se constrói dando palco a quem empreende e transforma conhecimento em soluções reais”, disse, salientando a relevância desta iniciativa para aproximar ideias inovadoras do mercado.

Jorge Conde destaca ligação entre conhecimento e economia

Já o vice-presidente da CCDR Centro, Jorge Conde, considerou que o evento contribui para afirmar a Covilhã como “grande motor de desenvolvimento da Beira Interior”, defendendo uma maior articulação entre academia, empresas e instituições públicas para transformar conhecimento em valor económico.

Ao longo de três dias, a Covilhã Innov Summit propõe um programa centrado na discussão de desafios globais com impacto local, posicionando o interior como um território de inovação e oportunidade. “O futuro não se espera, constrói-se”, afirmou Hélio Fazendeiro, numa mensagem que marcou o arranque do evento.