Na sessão de encerramento da edição 2026 do Covilhã Innov Summit 2026, o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, lançou dois desafios centrais ao Governo, dirigidos ao ministro da Economia e Coesão Territorial, Castro Almeida: a criação de uma grande zona industrial de referência no interior-centro e o reforço das infraestruturas rodoviárias e ferroviárias.
No seu discurso, o autarca defendeu que “a coesão se faz com visão, com investimento estratégico e com coragem política”, sublinhando que a cidade “está a fazer a sua parte”, mas que é necessário um salto para responder às necessidades do país. Nesse sentido, apresentou como primeiro desafio “a construção de uma grande zona industrial da Covilhã e da região”, ambicionando criar “a grande zona industrial de referência do interior”.
O presidente destacou que o PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência já aponta essa prioridade para o interior-centro e foi direto: “face ao dinamismo da Covilhã, a nossa centralidade ibérica e as infraestruturas que dispomos, essa localização deve ser na Covilhã”. O presidente garantiu ainda disponibilidade imediata para trabalhar com o Governo: “Estamos disponíveis para começar a trabalhar hoje mesmo para que este sonho dê resposta à necessidade urgente de solo industrial qualificado”.
O segundo desafio centrou-se nas acessibilidades, consideradas essenciais para a coesão territorial. O autarca apontou a construção do IC6 (ligação Covilhã-Coimbra) e a melhoria da ferrovia até Lisboa como prioridades. “A inovação viaja pela fibra, mas as pessoas e as mercadorias precisam de ligações seguras e rápidas. O IC6 é o cordão umbilical que falta”, afirmou.
Sublinhando os impactos dos incêndios de 2025 — que consumiram mais de 60 mil hectares, incluindo 20 mil no concelho —, Fazendeiro classificou estas obras como “uma questão de coesão territorial e de justiça”. Criticou ainda os atuais tempos de ligação: “Coimbra está a pouco mais de 100 quilómetros, mas as alternativas atuais demoram cerca de duas horas de caminho e o dobro da distância”.
Na resposta, o ministro Castro Almeida reconheceu a necessidade de criar condições para a instalação de empresas e garantiu apoio governamental. “O Governo não lhe vai faltar com as condições para que possa ter o espaço que for necessário para que nenhuma empresa deixe de ter onde se instalar”, afirmou, acrescentando: “Arranje as empresas que eu arranjo o espaço”.
O governante destacou ainda que o PTRR terá financiamento dedicado à criação de áreas empresariais, criticando a realidade de vários municípios sem capacidade de acolhimento: “Isto é inaceitável. (…) Vamos ter que aproveitar o PTRR para resolver essa dificuldade”.
Em resposta, Hélio Fazendeiro assumiu as palavras do ministro como um compromisso político: “Vou levar essas palavras como um compromisso de apoio ao Município da Covilhã para alargar aquilo que é a sua capacidade de solo industrial”. O autarca apontou como prioridade imediata a terceira fase da zona industrial do Tortosendo, bem como novas áreas de expansão.
Fazendeiro apelou ainda ao uso de instrumentos de captação de investimento estrangeiro, nomeadamente através da AICEP, para atrair grandes empresas: “Nós temos o terreno, aguardamos também aquilo que é a disponibilidade do Governo (…) para nos candidatarmos à localização de investimento estrangeiro de grande dimensão”.
