A estrada nacional 232, que liga Manteigas às Penhas Douradas e que ruiu no início de março, já tem uma solução em fase de pré-projecto apresentada pela Infraestruturas de Portugal (IP).
Segundo o presidente da Câmara Municipal de Manteigas, Flávio Massano, a proposta foi apresentada numa reunião realizada a 10 de abril e deixou o autarca “muito agradado”, disse ontem durante a reunião pública da autarquia manteiguense.
“A IP já trouxe uma solução pré-projetada, já em planta, […] mapearam muito bem toda a encosta, e a solução que nos apresentaram parece-me equilibrada”, afirmou.
De acordo com o autarca, a reconstrução da estrada no local onde ocorreu o deslizamento está praticamente afastada.
“Aquilo que a IP entende é que é impossível reconstruir a estrada no sítio onde ela ruiu”, explicou, sublinhando a incerteza quanto à evolução da encosta. “Não sabemos o que é que vai acontecer no próximo inverno […] pode continuar a ruir, e a falha está pronunciada para continuar até mais acima.”
Nova curva 300 metros antes

A alternativa apresentada passa pela criação de um novo traçado antes da zona afetada. “Cerca de 300 metros antes daquela curva, fazer exatamente o mesmo tipo de curva em U, mas antes do acontecimento”, detalhou.
A solução prevê a construção de uma nova plataforma com muros de contenção e uma curva semelhante à anterior, mas antecipada no terreno. “Fazem a curva exatamente nos mesmos moldes, mas mais antecipado”, acrescentou.
Apesar de estar ainda numa fase inicial, o projeto já cumpre os requisitos técnicos das estradas nacionais. “Tudo aquilo que eles desenharam já cumpre […] as regras das vias rodoviárias de uma estrada nacional”, disse.
No entanto, falta ainda um elemento essencial: o estudo geológico. “O que ainda não cumpre é o estudo geológico […] para perceber se há pontos de ancoragem, se é possível construir a infraestrutura, se não é.”
Impacto no caminho florestal

Entre os aspetos negativos da solução está o impacto no acesso às Penhas Douradas pelo caminho florestal. A intervenção obrigará a uma escavação significativa da encosta. “Esta solução, com a grande escavação que exige, inutiliza a parte inicial do caminho florestal para as Penhas Douradas”, alertou.
A situação está ainda a ser analisada pela IP e pelo ICNF, que procuram alternativas para garantir um novo acesso naquela zona.
Apesar das condicionantes, o presidente da Câmara considera que esta é a melhor opção. “Uma solução em planta, bastante bem pensada, e que para nós seria a melhor solução”, afirmou.
Flávio Massano defendeu ainda que esta abordagem permitirá acelerar o processo. “Esta solução […] parece muito, muito, muito equilibrada e […] pode passar já para a fase de conceção e construção”, disse, acrescentando que um modelo de concurso que inclua projeto e obra poderá “acelerar muito os prazos”.
A alternativa de reconstrução no local original ou de desvio por outras vias foi descartada por ser mais demorada ou menos eficaz. “Construir a estrada no sítio onde ela estava […] iria demorar muito tempo, se fosse possível sequer”, concluiu o autarca.
