AM Covilhã: debate sobre “Visão 360°” coloca o foco na valorização do Rio Zêzere

A Assembleia Municipal da Covilhã acolheu, a 27 de abril, um debate temático centrado na “Visão 360”, proposto pelo MIPP – Movimento Independente pelas Pessoas. A iniciativa colocou em discussão uma abordagem integrada ao desenvolvimento do concelho, tendo como eixo estruturante a valorização do rio Zêzere através de um corredor verde.

MIPP propõe corredor verde como projeto estruturante

Paulo Rosa destacou o carácter estratégico da proposta. “Estamos perante a concretização de uma visão estratégica, pensada de forma global, integrada e orientada para resultados”, disse.


Entre as medidas apresentadas, sobressai o Corredor Verde do Zêzere, descrito como um projeto de valorização ambiental e territorial, que deverá, “em paralelo, ser complementado com uma via rodoviária estruturante, este um outro projeto, com traçado de autoestrada e que ligará o Sul ao Norte do Concelho”, disse Paulo Rosa.

De acordo com a proposta, o corredor será desenvolvido nas freguesias da denominada Corda do Rio, de forma modular, faseado e adaptado às diferentes zonas do território. Cada módulo integra cinco áreas funcionais distintas, avançou também Paulo Rosa.

A primeira corresponde à entrada do parque, funcionando como ponto de acolhimento e distribuição dos visitantes. Segue-se uma zona de merendas e lazer, destinada ao convívio e permanência no espaço.

O projeto inclui ainda um parque de fitness ao ar livre, promovendo a prática de atividade física em contacto com a natureza, bem como uma praia fluvial e área náutica, orientada para atividades recreativas ligadas à água.

Por fim, está prevista uma zona natural com observatório, aproveitando a paisagem ribeirinha para fins de contemplação e educação ambiental.

“O objetivo é garantir diversidade de experiências ao longo do percurso”, disse o eleito do MIPP.

O investimento estimado situa-se entre 2,5 e 3 milhões de euros, sendo apontado o recurso a fundos europeus como principal fonte de financiamento, embora tenha sido lembrado pelo PS que uma das fontes descritas, o PRR, já não é exequível.

PCP acompanha proposta e defende prioridade

Pelo Partido Comunista Português, Vítor Reis Silva manifestou concordância com a proposta, enquadrando-a numa reflexão já existente no território.

“É evidente que só podemos estar de acordo com esta perspetiva.”

O eleito comunista recordou que o aproveitamento do rio Zêzere tem sido defendido ao longo dos anos por várias entidades e freguesias: “A freguesia da Boidobra tem apresentado ao longo dos anos essa possibilidade”, destacou.

Sublinhando o potencial do projeto, considerou que este deve assumir carácter prioritário: “Penso eu que é uma visão e um objetivo que deve transformar-se como um objetivo prioritário.”

CDS aponta Zêzere como desafio central do concelho

Também João Bernardo valorizou a proposta, considerando-a um contributo sério para a definição estratégica do concelho.

O deputado destacou o potencial ainda por explorar do rio Zêzere, classificando-o como um dos principais desafios ambientais: “Se calhar o maior desafio ambiental do Concelho da Covilhã”, disse.

Criticou ainda o estado atual das margens e a falta de acessibilidade: “Olhar para o Zêzere hoje é desesperante”, apontou.

PS concorda com valorização do rio, mas critica generalizações

Pelo Partido Socialista, Pedro Bernardo reconheceu o mérito da proposta, destacando o valor do rio Zêzere como ativo estratégico.

“É um dos maiores patrimónios naturais que nós temos dentro do Concelho da Covilhã.”

No entanto, alertou para o uso excessivo de conceitos vagos no debate político: “Falarmos de estratégia por estratégia serve de muito pouco e só alimenta aquilo que é o populismo.”

Apesar das reservas, reafirmou o consenso quanto à necessidade de valorização do rio: “Estamos plenamente de acordo que existe a necessidade da valorização do Rio Zêzere.”

Sublinhou também a necessidade de valorizar o que já existe, como a Grande Rota do Zêzere, e o projeto privado de criação de uma Estação Náutica no concelho.

Chega critica situação do concelho e pede mudança de rumo

Outras bancadas da Assembleia Municipal encaram o tema proposto, Visão 360°, por outro prisma.

Amadeu Alberto, do partido Chega, optou por uma intervenção mais abrangente, centrada numa análise crítica da realidade do concelho.

“A Covilhã vive hoje um paradoxo claro. Tem um potencial extraordinário, mas resultados medíocres.”

O eleito destacou problemas como a perda de população, envelhecimento e encerramento de comércio: “Continuamos a perder população, a envelhecer rapidamente, a ter comércio a fechar, ruas desertas, freguesias esquecidas.”

Defendeu ainda a necessidade de uma mudança estrutural na governação: “O modelo esgotou-se. O Concelho precisa de uma rutura com a lógica de gestão acomodada. A Covilhã precisa, antes de mais, de ordem, rigor e prioridades claras”, concluiu.

PSD valoriza obra passada e questiona governação recente

Pelo Partido Social Democrata Ana Simões destacou o desenvolvimento alcançado no passado, apontando exemplos concretos de investimento na mobilidade, na habitação social, na educação, em parques e no desporto.

Referiu ainda equipamentos e infraestruturas criadas como o complexo desportivo e “pavilhões e equipamentos nas diversas freguesias.”

A deputada atribuiu esses resultados a uma estratégia política definida: “Tudo isto não aconteceu por acaso, foi resultado de uma estratégia, de uma liderança e de um tempo político concreto. Foi o tempo do PSD”.

E deixou uma crítica direta à governação socialista: “Que marcas deixou nestes 12 anos a governação do Partido Socialista na Câmara?”

“Se não sabe o que foi feito nos 12 anos que o Partido Socialista governou a Câmara Municipal da Covilhã, é porque de facto não viveu na Covilhã”, respondeu Pedro Bernardo (PS), elencando obras como o Teatro Municipal da Covilhã, Pavilhão Municipal INATEL, e, no desenvolvimento económico, defendeu a gestão socialista que trará “frutos no futuro”.

Executivo destaca convergência e abertura a contributos

A encerrar o debate, o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, valorizou o contributo do MIPP e destacou pontos de convergência com a estratégia municipal.

“Foi um trabalho honesto, dedicado e expressivo, com o qual eu concordo na sua grande maioria.”

O autarca referiu que a valorização do rio Zêzere já integra projetos em curso:

“A valorização do património natural, nomeadamente a parte do Rio Zêzere, coincide exatamente com algumas coisas que já estamos a fazer”, disse, destacando a candidatura à classificação de Estação Náutica do Concelho e o apoio a projetos como a criação de um centro náutico.