ASTA encerra comemorações dos 25 anos com lançamento de livro que eterniza “uma teimosia” cultural

A ASTA – Teatro e Outras Artes encerrou esta sexta-feira, dia 8, as comemorações dos seus 25 anos com o lançamento do livro comemorativo da companhia, numa cerimónia realizada no Teatro Municipal da Covilhã.

A obra passa em revista as várias produções da companhia, num registo fotográfico que pretende perpetuar memórias e o património cultural construído e partilhado com o público ao longo dos anos.


O momento reuniu artistas, responsáveis institucionais e amigos da companhia, numa celebração marcada pela memória, pela emoção e pelo reconhecimento do percurso cultural da estrutura covilhanense.

Na abertura da sessão, o presidente da ASTA, Sérgio Novo, destacou o simbolismo do livro agora apresentado.

“Queríamos, de facto, terminar as comemorações com o lançamento do nosso livro. Ele é bastante pesado. É o peso da responsabilidade, é o peso da história”, disse.

O responsável sublinhou que a publicação reflete “o trabalho desenvolvido na cidade da Covilhã, na região, no país e, inclusive, lá fora”, esperando que o trabalho “fique para as gerações vindouras”. Que seja “um registo para o futuro, para pegarmos quando celebrarmos as bodas de ouro e que possa também servir de reflexão”, disse o responsável.

“Uma teimosia” que atravessou 25 anos

Convidado para escrever o prefácio da obra, o escritor covilhanense João Morgado definiu o percurso da ASTA numa palavra: “teimosia”.

“Como é que em poucas páginas se escreve meio século de teimosia? Porque é pura teimosia o que se tem visto com a ASTA”, afirmou, arrancando aplausos da plateia.

O autor recordou os primeiros anos da companhia e as dificuldades ultrapassadas ao longo do caminho.

“Teimosia de fazer o primeiro espetáculo num salão de hotel, quando não havia dinheiro, quando não havia espaço, quando não havia garantias de nada, mas havia a teimosia de querer fazer.”

João Morgado, que já viu duas obras suas serem encenadas pela ASTA, destacou ainda o papel da companhia na afirmação cultural do interior do país, lembrando que a esta levou os seus espetáculos a mais de duas dezenas de países e transformou a Covilhã “num verdadeiro palco”.

“A ASTA é muito mais do que aqueles maluquinhos do teatro. É um motor de desenvolvimento que alavanca a cultura na Covilhã através da educação, da intervenção social e da projeção internacional.”

O escritor defendeu também a necessidade de a companhia conquistar um espaço próprio para criação artística.

“Este livro é um documento existencial de quem precisa e por isso merece um espaço próprio onde possam criar sem pedir licenças, onde possam trabalhar sem negociar horários.”

ASTA quer novo espaço para ensaios e apresentações

Essa reivindicação foi igualmente reforçada por Sérgio Novo, que identificou como principal desafio futuro da companhia a criação de uma infraestrutura própria.

“À ASTA faz também falta, que é neste momento a próxima ambição, o próximo desafio, um espaço físico para ensaios, para apresentações. É isso que pretendemos nestes próximos anos conseguir alcançar”, disse durante a sua intervenção.

O dirigente lembrou ainda as dificuldades permanentes enfrentadas pelas estruturas culturais, desde a escassez de financiamento à falta de tempo para criar e produzir.

Câmara da Covilhã promete continuar a apoiar cultura

Presente na cerimónia, o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, elogiou o percurso da companhia e assumiu o compromisso de continuar a apoiar os agentes culturais do concelho.

“É para mim um orgulho muito grande ser presidente de uma Câmara Municipal com esta qualidade”, afirmou.

O autarca destacou a importância da ASTA no panorama cultural local e nacional, considerando a companhia “uma organização absolutamente extraordinária”.

“Tem sido sobretudo uma viagem de persistência, de coragem, de superação, de inspiração, no trabalho que ao longo destes anos todos têm desenvolvido, não só na Covilhã, mas em todo o mundo”, salientou.

Hélio Fazendeiro sublinhou ainda a singularidade da Covilhã ter três companhias profissionais de teatro e garantiu que a autarquia continuará a investir na afirmação cultural do território.

“A cultura é feita pelos agentes culturais. Não é feita institucionalmente pela autarquia. É feita pelas associações, pelos escritores, pelos músicos, por aqueles que diariamente encontram na Covilhã espaços para criar”, garantindo que a autarquia continuará a fazer este caminho com os agentes culturais.

Tal como definiu João Morgado “este livro é mais do que um cartão de apresentação, é um documento existencial de um trabalho sério.” Uma frase que resume os 25 anos de percurso da ASTA – Teatro e Outras Artes e o legado cultural que a companhia continua a construir na Covilhã e além-fronteiras.