Direção dos Bombeiros da Covilhã responde a críticas em comunicado

A Direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Covilhã reagiu, em comunicado, às acusações feitas por um grupo de bombeiros na última reunião pública da Câmara Municipal da Covilhã, defendendo a legalidade da sua atuação e acusando o porta-voz do grupo de omitir informação relevante sobre a evolução da instituição.

No documento, a direção começa por enquadrar o processo de substituição do comando, explicando que a exoneração de três elementos do comando, em janeiro de 2026, deu origem à abertura de um procedimento de seleção para novo comandante, envolvendo auscultação interna a oficiais, chefes e subchefes.


A associação refere que o contributo recolhido teve carácter consultivo e que o nome mais referido foi o do Chefe Armando Maria, posteriormente proposto à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). Acrescenta ainda que decorrem diligências para conclusão da formação necessária ao exercício de funções.

O comunicado confirma também a visita de inspetores da Polícia Judiciária, sublinhando que as mesmas se relacionaram com matérias de comando e operacionalidade, “não tendo sido apontada qualquer irregularidade relativamente à administração e gestão da associação”.

A direção rejeita igualmente as acusações de falta de diálogo com o corpo de bombeiros, defendendo que a comunicação é feita através da cadeia de comando e não diretamente pela administração.

No entanto, é na resposta às críticas públicas que o tom se torna mais contundente.

A direção acusa o porta-voz do grupo de omitir vários dados sobre a evolução da instituição e enumera: “Não informou os autarcas e a população em geral que estes órgãos sociais receberam esta Associação em 2012 com graves situações de relações que existiam; com situação financeira preocupante”.

Acrescenta ainda: “Não informou os autarcas nem a população em geral que estes órgãos sociais receberam em 2012 um quartel que nem licença de utilização tinha”.

O comunicado destaca também a evolução da instituição, referindo que “não informou a população em geral que neste corpo de bombeiros não existia nenhuma equipa de Intervenção Permanente e hoje temos quatro”, e que “os Fundos Patrimoniais em 2012 eram de 1.221.468,48€… e em 2025 são de 2.676.720,23€”.

A direção critica ainda o facto de não terem sido referidos episódios recentes envolvendo processos internos e investigação, questionando: “Mas disto esse grupo não fala. Porque será??”

Sobre questões laborais, a direção esclarece o pagamento de subsídios e trabalho extraordinário, garantindo que o subsídio de turno é pago aos operadores de central e explicando que as EIP recebem uma compensação acordada. O pagamento de horas extraordinárias, acrescenta, é feito “integralmente, mas só depois de devidamente justificado”.

Sobre as críticas do sindicato, “só há um ponto em que estamos de acordo. ‘revisão do acordo de empresa’, e só ainda não avançou, porque o sindicato ficou na última reunião com a Direção de apresentar uma proposta à Associação, o que ainda não fez”, descreve o documento.

Também “lamenta que determinadas ações e estratégias adotadas possam colocar em causa, no espaço público, o bom nome e a credibilidade de uma Instituição com quase 151 anos de história ao serviço da comunidade”, frisando que, “e porque existem processos em curso nas entidades competentes, a Direção optou por manter uma postura de responsabilidade e contenção pública, sempre na defesa da verdade, da legalidade e do prestígio da associação. Todos os assuntos têm sido encaminhados para as entidades competentes, através das vias próprias, confiando esta Direção que os factos serão devidamente apurados e esclarecidos em tempo oportuno”, pode ler-se.

O comunicado conclui com uma defesa da gestão da associação, afirmando que esta direção “sempre pagou mais do que o estipulado pelos Governos consecutivos” e reafirmando que “quando esta Direção constatar que é o problema, saberá qual a porta da saída”.