Adesão à greve geral ultrapassa os 70% na região, diz União dos Sindicatos

A adesão à greve geral desta quarta-feira está a ultrapassar os 70% no distrito de Castelo Branco, segundo Sérgio Santos, coordenador da União dos Sindicatos de Castelo Branco, que considera que a mobilização dos trabalhadores está a superar os números registados na greve geral de 11 de dezembro.

“Números, até o momento, provavelmente estamos a ultrapassar os 70%. Na greve geral de 11 de dezembro tivemos os 70%. Estamos a subir um bocadinho”, afirmou.


Apesar de ainda faltarem contabilizar alguns setores, nomeadamente serviços hospitalares e empresas com trocas de turno durante a tarde, o dirigente sindical destaca os dados já recolhidos em vários locais de trabalho.

“Temos, por exemplo, as Minas da Panasqueira, que estão com 82%. Temos a Paulo de Oliveira, que está neste momento com 60% de adesão à greve”, referiu.

Serviços encerrados e transportes parados

Sérgio Santos sublinha que a greve teve impacto significativo em diversos serviços públicos e empresas da região.

“Temos estado a ter uma grande greve geral, temos serviços encerrados, como é o caso das Finanças, temos os transportes da Covilhã completamente parados, temos as escolas do distrito praticamente encerradas, portanto está a ser uma boa adesão”, disse.

Para o coordenador sindical, a dimensão da paralisação constitui uma mensagem clara dirigida ao Governo.

“Estamos a dizer ao Governo, à Ministra do Trabalho e ao Primeiro-Ministro, que nós queremos derrotar o pacote laboral. O pacote laboral é para cair e estes números são os números reais que nós temos”, afirmou.

Críticas às declarações da ministra do Trabalho

O responsável contestou ainda as declarações da ministra do Trabalho sobre a adesão do setor privado à greve.

“Não é como a ministra disse ainda agora à hora do almoço, que o privado é um número residual”, afirmou, acrescentando que a governante terá baseado a sua avaliação na informação fornecida pela CIP.

Segundo Sérgio Santos, muitas empresas mantiveram atividade reduzida, recorrendo a um número limitado de trabalhadores.

“Esquece-se de dizer que muitas estão a trabalhar com secções com dois, três trabalhadores, muitos deles trabalhadores de outras nacionalidades, porque estes têm medo, ou é o desconhecimento, às vezes a dificuldade na língua faz com que seja mais difícil chegar a estes trabalhadores”, sustentou.

Medo afasta trabalhadores das manifestações

Questionado sobre a reduzida participação nas manifestações promovidas durante o dia, Sérgio Santos apontou o receio de represálias como uma das principais razões.

“É normal que as pessoas não venham, por muitas razões. A primeira é o medo”, afirmou.

O dirigente considera que muitos trabalhadores evitam expor-se publicamente devido às possíveis consequências no local de trabalho.

“Basta uma fotografia, basta uma imagem que passe na televisão e que apareça a cara. Elas sabem que depois, ao dia a seguir, ou quando forem trabalhar, vão ter represálias”, declarou.

Além disso, referiu que alguns trabalhadores aproveitaram o dia de greve para descansar, sobretudo em setores que entram de seguida em período de férias.

Sindicatos acreditam que a pressão pode travar o pacote laboral

Apesar das declarações do Governo minimizando o impacto da paralisação, Sérgio Santos considera que a adesão registada demonstra a rejeição dos trabalhadores às alterações laborais propostas.

“Nós estamos a crer que sim, que é uma greve suficientemente forte”, respondeu quando questionado sobre a capacidade da greve para influenciar o futuro do pacote laboral.

“Aquilo que a gente nota e que a gente vê é que as pessoas estão a aderir massivamente, que as pessoas continuam a rejeitar o que é este pacote laboral e que o Governo a única coisa que tem que fazer é abrir os olhos e tirar ilações desta greve geral, já que não quis tirar na greve geral do dia 11”, concluiu.