Festival Portas do Sol regressa à Covilhã com 44 atividades gratuitas e reforço da ligação à comunidade

A sétima edição do Festival Portas do Sol vai decorrer entre 2 e 4 de julho, no Centro Histórico da Covilhã, com organização da ASTA e com um programa que reúne 44 atividades gratuitas e reforça a aposta na ocupação artística do espaço público, na valorização do património e no envolvimento da comunidade local.

Na apresentação do evento, realizada esta quarta-feira, a Associação de Teatro e Outras Artes (ASTA) destacou o crescimento sustentado do festival e a sua capacidade de transformar o centro histórico num espaço de encontro entre artistas, residentes e visitantes.


Novidades levam museus e arquivo para a rua

Uma das principais novidades desta edição é a participação dos museus da Covilhã e do Arquivo Municipal em atividades desenvolvidas no espaço público. A organização lançou o desafio para que estas instituições saiam dos seus espaços habituais e se aproximem da população.

“Desafiámos os museus da Covilhã e também o Arquivo, que normalmente são instituições que não estão muito na rua. Queremos trazer o Arquivo para a rua e acho que estas atividades fazem todo o sentido integrar o festival”, afirmou Rui Pires, diretor da ASTA.

A ligação às associações locais mantém-se igualmente como uma das marcas do festival. Depois da experiência realizada no ano passado, a ASTA renovou a colaboração com a Associação Estrela Três Pontas, que participará num espetáculo resultante de um workshop de teatro-circo.

“Desde a primeira edição tentamos trazer atividades novas e propor desafios às instituições locais. O Portas do Sol sempre apostou muito no que é local, tanto em artistas como em instituições”, destacou Rui Pires.

Um mapa para descobrir o Centro Histórico

A organização apresentou também um novo formato de divulgação do evento, concebido como um mapa artístico do Centro Histórico da Covilhã.

Segundo Rui Pires, a mudança surge da necessidade de ajudar os visitantes a descobrir os diferentes espaços que acolhem o festival.

Para a ASTA, o festival continua a assumir-se como um instrumento de valorização do espaço público e de promoção da vivência urbana.

“Continuamos com este desígnio de querer trazer para a Covilhã ruas onde não haja trânsito. Esperamos que nos próximos anos possamos ter mais espaços pedonais e que o espaço público seja devolvido aos cidadãos”, defendeu.

Circo contemporâneo continua a ser imagem de marca

A programação deste ano inclui 44 atividades, embora duas delas sejam repetidas em dias diferentes, perfazendo um total de 42 propostas distintas.

Todas as iniciativas mantêm entrada gratuita, uma característica que a organização considera essencial para garantir o acesso universal à cultura.

“É uma das características do festival ser o mais democrático possível. Leva a cultura ao encontro das pessoas e coloca-se à frente delas. São 44 atividades completamente gratuitas”, salientou Rui Pires.

O circo contemporâneo, a dança aérea, o malabarismo e outras disciplinas acrobáticas continuam a ocupar um lugar central na programação.

“Trata-se do único festival do concelho dedicado a estas atividades acrobáticas e ginásticas ligadas à arte”, referiu o diretor da ASTA.

Sunset no miradouro e novos espaços do festival

A edição de 2026 introduz também novos espaços e atividades. Entre as novidades está a realização de um sunset no Miradouro das Portas do Sol, entre as 19h30 e as 21h00.

A Rua Portas do Sol contará igualmente com alterações ao nível da decoração e manterá a já habitual praça de alimentação.

Além disso, a organização alargou a área geográfica do festival, integrando locais que não faziam parte do roteiro em edições anteriores, incluindo a zona envolvente da Igreja de Santa Maria.

Orçamento cresce para 85 mil euros

O orçamento do Festival Portas do Sol ascende este ano aos 85 mil euros, o valor mais elevado desde a criação do evento.

Sérgio Novo, da ASTA, explicou que o aumento do investimento acompanha o crescimento da iniciativa.

“Este ano o orçamento do festival está em 85 mil euros. Como podem ver, tem vindo de ano para ano a aumentar, mas também o festival tem crescido bastante”, afirmou.

A Câmara Municipal da Covilhã assegura um apoio financeiro de 25 mil euros, além do suporte logístico necessário à realização do evento. O restante financiamento resulta de apoios obtidos pela ASTA, nomeadamente através da Direção-Geral das Artes e de outras entidades parceiras.

“O festival só é possível ser realizado com todos. Graças ao envolvimento dos agentes locais e dos privados conseguimos fazer o que fazemos”, acrescentou.

Moradores continuam a ser parceiros do festival

Questionado sobre a relação com os residentes do Centro Histórico, Sérgio Novo garantiu que a população acolhe o festival de forma positiva e participa ativamente na sua concretização.

“A população não só acolhe bem, como está ansiosa para que o festival ocorra e decorra”, afirmou.

Segundo o responsável, muitos moradores colaboram diretamente com a organização, ajudando na decoração dos espaços e no apoio logístico durante os três dias do evento.

“A própria população faz parte integrante da dinâmica organizativa”, sublinhou.

O dirigente destacou ainda que o respeito pelos habitantes continua a ser um princípio fundamental do festival.

“O espaço é de quem ali vive. A palavra fundamental é o respeito. As pessoas querem que o festival aconteça e trabalham de braço dado connosco”, acrescentou.

Festival ocupa lugar de destaque na programação cultural da cidade

A vereadora da Cultura da Câmara Municipal da Covilhã, Regina Gouveia, considerou que o Festival Portas do Sol se tornou uma referência na agenda cultural do concelho.

“Está claro que este festival ocupa um lugar muito importante no programa anual da cidade”, afirmou.

A autarca destacou ainda o papel desempenhado pelo evento na dinamização do Centro Histórico e na criação de laços com a comunidade local.

“É um lugar artístico e cultural, mas também um lugar de missão social”, referiu.

Para Regina Gouveia, o crescimento do festival demonstra a sua capacidade de evolução e de aprofundamento da relação com o território.

“Vocês ocupam esse lugar físico, mas também simbólico, da arte e da cultura, com respeito e proximidade às pessoas”, salientou.

A responsável classificou ainda o Portas do Sol como “um festival muito especial”, destacando a diversidade artística da programação e a capacidade de surpreender o público.

“É um evento muito importante para nós, covilhanenses, e espero que continuem o caminho que têm trilhado”, concluiu.

Programa completo AQUI