Cicloturismo: Covilhã lança Festival 1993 cujo ponto alto será “A conquista da Torre”

A Câmara Municipal da Covilhã apresentou esta segunda-feira o Festival 1993 – Festival de Cicloturismo da Serra da Estrela, um novo evento anual dedicado ao desporto, à natureza e à promoção da Serra da Estrela, que decorrerá entre 18 e 20 de setembro.

O presidente da autarquia, Hélio Fazendeiro, explicou que a iniciativa pretende “reforçar o posicionamento da Covilhã como a principal porta de entrada da Serra da Estrela”, promovendo simultaneamente “um espaço de vida saudável, de dinamização do turismo, de dinamização do património natural, mas também do desporto”.


O festival terá como principal atração a iniciativa “À Conquista da Torre”, uma subida à Torre aberta a todos os participantes, sem carácter competitivo.

“Este evento não tem uma componente competitiva. Tem uma componente de desporto, de convívio, de animação e de consolidação da participação, demonstrando a possibilidade de todas as pessoas participarem nesta subida. Não é só para profissionais, não é só para ciclistas”, afirmou.

Três dias de atividades no Complexo Desportivo

O Festival 1993 arrancará na sexta-feira, 18 de setembro, no Complexo Desportivo da Covilhã, com exposições, stands, promoção de marcas ligadas ao desporto e ao ciclismo, sessões de autógrafos, atividades com escolas, animação musical e espaços de restauração.

No sábado, pelas 8h00, terá início a subida à Torre, que incluirá duas vertentes: uma ciclável e outra pedonal, permitindo que os participantes escolham a forma como pretendem enfrentar o desafio.

Ao longo do percurso existirão pontos de abastecimento e animação, culminando num convívio nas Penhas da Saúde e numa programação cultural no Complexo Desportivo.

“Esperemos que muitas centenas, eventualmente milhares de pessoas, possam não só participar na subida, em ciclismo ou de forma pedonal, mas também envolver-se nos tradicionais piqueniques e na assistência que é feita habitualmente ao longo do percurso na Volta a Portugal”, destacou Hélio Fazendeiro.

Luís Marques destaca aposta estratégica da Covilhã no ciclismo

O vereador do Desporto da Câmara Municipal da Covilhã, Luís Marques, enquadrou o Festival 1993 na estratégia municipal de afirmação da modalidade, defendendo que o concelho reúne condições únicas para se assumir como uma referência nacional do ciclismo.

O autarca lembrou que a Serra da Estrela já é um local de treino habitual para dezenas de atletas e equipas do pelotão nacional e considerou que a modalidade está profundamente ligada à identidade da cidade. “Temos todas as condições para sermos e para termos essa importância ao nível do ciclismo. Já temos dezenas de atletas nacionais, temos todas as equipas do pelotão nacional que treinam na nossa Serra da Estrela”, afirmou.

Luís Marques reconheceu ainda que o concelho ainda não possui uma expressão significativa ao nível do associativismo ligado à modalidade, mas manifestou o desejo de ver crescer essa realidade. “A Covilhã é a cidade mítica onde todos começam a sofrer quando sobem à Torre, naquela que é a subida principal da Volta a Portugal”, sublinhou, acrescentando que este será “um evento nacional de ciclismo 100% organizado por nós, pela Câmara Municipal e pelos clubes que nos venham ainda a fazer parte desta parceria”.

Olivier Bonamici: de 123 quilos a um desafio de superação pessoal

O padrinho da primeira edição será o jornalista e comentador desportivo Olivier Bonamici, rosto conhecido das transmissões de ciclismo da Eurosport, que transformou uma aposta perdida num desafio pessoal de mudança de vida.

Bonamici revelou que, há cerca de um ano, pesava 123 quilos e assumiu publicamente a necessidade de cuidar da sua saúde.

“Eu era obeso. Eu pesava 123 quilos e isso era uma forma, para mim, de pensar nisto porque ninguém me dizia que eu era obeso, mas eu era obeso”, confessou.

O comentador explicou que a decisão surgiu após perder uma aposta relacionada com a Volta a França.

“Perdi uma aposta, tens que a pagar e se calhar é a oportunidade da tua vida para tratar de ti um pouco mais, aliviar um pouco mais, ter mais cuidado.”

O resultado foi uma perda de peso significativa. “Perdi 31 quilos. Agora falta a segunda parte. Para mim, perder 31 quilos é uma coisa completamente surreal.”

Apesar da transformação física, Bonamici admite que o maior desafio ainda está por cumprir. “Eu não sei se vou conseguir subir a Torre. Duvido que vou conseguir os 28 quilómetros, mas vou morrer ali, nem que seja de joelhos.”

“A Covilhã tem tudo para ser a capital do ciclismo em Portugal”

Olivier Bonamici defendeu ainda a dimensão popular da iniciativa, considerando que o desporto perdeu parte da sua essência comunitária.

“Atualmente o desporto é só business. Já se perdeu esta vertente do povo, popular. Podemos rir, dançar, beber, comer e ter uma vida saudável ao mesmo tempo.”

O comentador acredita que a Covilhã reúne condições únicas para se afirmar no panorama nacional. “Eu acho que a Covilhã tem tudo para ser a capital do ciclismo em Portugal. Tem tudo”, disse.

Bonamici destacou ainda a importância do envolvimento da autarquia para transformar uma ideia individual num evento de grande dimensão.

“Recebi uma chamada do presidente da Câmara da Covilhã e disse: “Nós alinhamos. Alinhamos porque achamos que é um projeto muito giro, sobretudo nesta ideia da questão popular’.”

Hélio Fazendeiro detalhou que o festival de Cicloturismo já estava pensado e foi a oportunidade de o unir a este desafio

Evento aberto a todos os públicos

O presidente da autarquia sublinhou que o festival foi concebido para toda a população e não apenas para praticantes habituais da modalidade.

“Nós não estamos a desenhar o evento exclusivamente para desportistas, não estamos a desenhar o evento exclusivamente para competição. Pelo contrário, o desafio é superar-se a si próprio.”

O autarca acrescentou que a iniciativa pretende “desconstruir a ideia de que a subida à Serra de bicicleta é um exclusivo de profissionais”.

“É importante demonstrar que é possível todos fazê-lo, cada um ao seu ritmo, e desfrutar daquilo que é uma grande festa do desporto.”

As inscrições custarão 10 euros e incluirão jersey oficial, seguro, abastecimentos ao longo do percurso e a participação em todas as atividades do festival.

A organização admite estabelecer um limite de participantes por razões logísticas, caso a procura seja muito elevada.

O site oficial do evento ficará disponível no início de julho, altura em que serão divulgadas todas as condições de participação. O nome do festival, “1993”, faz referência aos 1.993 metros de altitude da Torre, o ponto mais alto de Portugal continental.