Contas consolidadas do Grupo Município da Covilhã aprovadas por maioria

As contas consolidadas do Grupo Município da Covilhã, que englobam a autarquia, Águas da Covilhã (ADC), ICOVI e Parkurbis, relativas ao exercício de 2025 foram aprovadas, por maioria, na reunião privada da Câmara Municipal realizada na sexta-feira, dia 12, com a abstenção de todos os vereadores da oposição. PSD, coligação CDS-IL e Movimento Independente Pelas Pessoas (MIP) justificaram a posição assumida com reservas sobre os resultados financeiros, a necessidade de maior transparência e o facto de o atual executivo ter estado em funções apenas nos últimos meses do exercício em análise.

O presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, defendeu o documento, assumiu o resultado líquido negativo e sublinhou que este decorre de uma opção política de investimento no território.


PSD aponta fragilidades e pede mais transparência

O vereador do PSD, Jorge Simões, considerou que a situação financeira do município não configura uma rutura, mas alertou para indicadores que justificam preocupação.

“Eu diria que não estamos perante uma situação de rutura financeira do município, porque tem património, há disponibilidade de tesouraria, reduziu financiamentos obtidos, mas também afirmei que estas contas não permitem uma leitura confortável. Os números principais justificam alguma preocupação”, afirmou.

O social-democrata destacou que “o resultado líquido consolidado é negativo, em 3,42 milhões” e enumerou o aumento de várias rubricas de despesa, nomeadamente as transferências e subsídios, os fornecimentos e serviços externos e os gastos com pessoal.

Num ano de eleições autárquicas, Jorge Simões considerou “legítimo perguntar quais foram os critérios, qual foi o calendário das decisões, que entidades beneficiaram e que resultados foram avaliados”.

O vereador ressalvou, contudo, que “não está em causa o apoio às freguesias, às associações, às instituições, às nossas famílias. Muitos desses apoios são necessários e socialmente justificados”.

Ainda assim, defendeu que “quando a despesa cresce desta forma e o resultado se agrava, a Câmara tem a obrigação de demonstrar qual foi o critério, a transparência, a avaliação e a sustentabilidade do aumento destes encargos”.

Jorge Simões alertou ainda para os riscos associados à ADC e à ADS, no âmbito do saneamento em alta, e deixou uma “nota de justiça política”, recordando que “o atual executivo entrou em funções em novembro de 2025, pelo que não é sério imputar integralmente a este exercício, mas conhecer esta realidade aumenta a sua responsabilidade”.

“Exige-se rigor, transparência e é preciso explicar os riscos, corrigir estas fragilidades e demonstrar que o município tem uma estratégia financeira sustentável para o futuro”, concluiu.

CDS/IL fala em “custo do eleitoralismo de fim de mandato”

O vereador da coligação CDS-IL, Eduardo Cavaco, enquadrou a votação como o encerramento de um ciclo político de 12 anos.

Apesar de reconhecer a redução da dívida municipal, de cerca de 142 milhões de euros em 2013 para 38 milhões em 2024, Eduardo Cavaco sustentou que o ciclo termina com “o pior resultado consolidado da história recente”.

“O que estas contas revelam é que o ciclo encerra com o pior resultado consolidado da história recente, um prejuízo de 3.419.614,37 euros, o que representa o triplo do resultado negativo registado em 2024”, declarou.

Para o vereador, “este agravamento não é conjuntural e é o produto de opções de gestão que exige responsabilização”.

Eduardo Cavaco apontou o aumento dos gastos com pessoal, dos fornecimentos e serviços externos e das transferências e subsídios, concluindo que “o custo do eleitoralismo de fim de mandato é documentado e foi suportado pelas finanças do município em detrimento do equilíbrio operacional do grupo”.

O autarca manifestou ainda preocupação com a situação financeira das empresas municipais, destacando a ADC, que “apresenta um passivo corrente que supera os 17 milhões de euros e uma dívida ao seu fornecedor principal, Águas da Serra, que ascendia a 7.920.392 euros em 31 de dezembro de 2025, com injunção judicial em curso”.

Referiu também um contrato de consultadoria “declarado nulo por auditoria externa”, cujos efeitos contabilísticos, no valor de quase 5,8 milhões de euros, “se mantêm registados sem resolução”.

Dirigindo-se ao presidente da Câmara, Eduardo Cavaco recordou que Hélio Fazendeiro “não sendo um ator externo a este trajeto histórico, recebe uma herança financeira indissociável do que o precedeu, mas dispõe agora de total margem de manobra para a retificar”.

“Essa experiência deve traduzir-se agora num distanciamento face aos vícios administrativos expostos no relatório de 2025”, acrescentou, justificando a sua abstenção.

MIPP justifica abstenção com falta de tempo para análise

O vereador do Movimento Independente Pelas Pessoas, Miguel Rebelo, explicou que a abstenção se deveu, sobretudo, ao prazo de entrega da documentação e ao reduzido período de governação do atual executivo.

“O voto do MIPP nas contas consolidadas foi uma abstenção devido à documentação também não chegar atempadamente aos vereadores”, afirmou.

Miguel Rebelo considerou ainda que “não podemos julgar o executivo e estamos a falar das contas consolidadas de 2025, onde este executivo teve dois meses ou dois meses e meio destas contas”.

“Não podemos tomar uma posição, seja ela favorável seja desfavorável e então entendemos que a abstenção seria o voto mais adequado para aquilo que foi apresentado”, concluiu.

Hélio Fazendeiro assume resultado negativo e defende investimento no território

O presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, rejeitou as críticas da oposição e sublinhou que as contas refletem a solidez financeira do grupo municipal.

O autarca destacou que o documento revela “uma grande solidez patrimonial, mais liquidez, menos dívida, mais capacidade para continuar a investir no território”.

Hélio Fazendeiro assumiu igualmente o resultado líquido negativo, mas enquadrou-o como consequência de uma opção política.

“Não escondemos também que o resultado líquido conhecido e assumido, negativo em 2025, é por nós assumido, mas isso reflete exatamente uma opção política de investir no território”, declarou.

Segundo o presidente da Câmara, esse resultado decorre “de um conjunto de circunstâncias de atribuição de apoios, de investimento, protocolos que celebrámos com as juntas de freguesia, com as IPSS e com associações”.

“São tudo despesas que contribuem para este resultado negativo, mas que para nós são determinantes e essenciais para melhorar aquilo que são as condições de vida dos nossos concidadãos e das nossas instituições”, acrescentou.

Hélio Fazendeiro defendeu ainda que “o essencial de uma Câmara Municipal não é dar lucro, o essencial de uma Câmara Municipal é resolver o problema das pessoas, estar ao lado das nossas instituições e contribuir para o desenvolvimento do nosso território”.

“Estou muito confortável com aquilo que é o resultado que esta consolidação de contas nos apresenta, porque ela demonstra que é o resultado de uma boa gestão municipal”, afirmou.

O presidente da autarquia admitiu, contudo, que “há sempre espaço de melhoria, há sempre espaço para fazer melhor, há sempre espaço para fazer diferente”, apontando esse objetivo para o exercício de 2026.

No final, anunciou que, concluído o processo de consolidação das contas, o município avançará para a eleição dos conselhos de administração das três empresas municipais, cujos nomes serão divulgados posteriormente aos órgãos municipais e à população.