Intelcia sai do Parkurbis e Município aponta à instalação de novas empresas

A empresa Intelcia não vai renovar o contrato de arrendamento das instalações que ocupa na Parkurbis, celebrado em 2020, uma decisão que foi dada a conhecer na reunião privada da Câmara da Covilhã, realizada na sexta-feira, dia 12.

O tema constava da ordem de trabalhos para conhecimento e motivou críticas da oposição e esclarecimentos por parte do presidente da autarquia.


O vereador do PSD, Jorge Simões, considerou que o assunto “não é meramente administrativo”, uma vez que a operação foi apresentada como estratégica para a criação de emprego e a dinamização económica do concelho.

“O protocolo apontava para um objetivo de atingir 200 postos de trabalho e é aqui que o assunto é tratado em termos políticos”, afirmou.

O social-democrata questionou ainda a falta de informação sobre a evolução do número de trabalhadores afetos ao centro de operações da Covilhã, referindo que, após solicitar esses dados ao município, a resposta foi a sua inexistência.

“Se o fundamento político e económico deste negócio era a criação de emprego, o município tinha a obrigação de acompanhar esse indicador”, defendeu.

Jorge Simões levantou também dúvidas sobre o retorno do investimento público associado à operação, referindo que, nos primeiros cinco anos, o município suportou uma diferença significativa entre a renda paga à Parkurbis e a receita recebida da empresa.

“Este esforço é defensável se tivesse produzido emprego efetivo. Se os postos de trabalho foram criados e mantidos, importa demonstrá-lo, mas não foi o caso”, afirmou, acrescentando que “quando há dinheiro público envolvido não basta anunciar intenções, é preciso avaliar resultados, provar o impacto e prestar contas aos covilhanenses”.

O vereador questionou ainda qual o grau de satisfação global da operação e o que acontecerá ao contrato existente entre a Câmara e a Parkurbis após a saída da empresa.

Por sua vez, o presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, explicou que a decisão resulta de uma alteração das condições do mercado e da consolidação do teletrabalho.

“A Intelcia continua com muitos trabalhadores da área de residência do município da Covilhã que conseguem hoje prestar este trabalho no conforto das suas casas e, portanto, entendeu que não tinha necessidade no imediato de ter aquela infraestrutura que está disponível na Parkurbis para a sua operação física”, afirmou.

O autarca garantiu que a decisão não está relacionada com qualquer conflito institucional. “Não houve nenhum desentendimento. Pelo contrário, tive a oportunidade de ter uma reunião com a CEO da empresa, onde ela não só enalteceu como agradeceu toda a colaboração que sempre teve do município da Covilhã para o desenvolvimento daquela operação.”

Hélio Fazendeiro sublinhou ainda que a libertação do espaço poderá representar uma oportunidade para atrair novos investimentos para o concelho.

“A Parkurbis está com uma taxa de ocupação muitíssimo elevada e era um espaço que estava subaproveitado, um espaço com grandes capacidades e condições de acolhimento de outras empresas”, disse, acrescentando que existem “várias empresas, sobretudo dos setores tecnológicos”, interessadas em instalar-se na Covilhã.

Segundo o presidente da autarquia, a empresa manifestou ainda disponibilidade para regressar futuramente ao concelho, caso venha a necessitar de novas instalações, destacando a relação positiva mantida com as instituições locais, entre as quais a Câmara Municipal, a Parkurbis, a Universidade da Beira Interior e o Instituto do Emprego e Formação Profissional.

A Intelcia é uma multinacional de outsourcing e atendimento ao cliente, está presente em 19 países e emprega cerca de 40 mil pessoas.