A edição de 2026 da Rampa Serra da Estrela/Covilhã confirmou, uma vez mais, o estatuto de uma das mais emblemáticas provas do automobilismo nacional. Com milhares de espectadores espalhados pela encosta da Serra da Estrela, condições meteorológicas favoráveis e um programa que decorreu praticamente sem interrupções, o fim de semana ficou marcado pelo espetáculo em pista, pela forte participação de pilotos da região e pelas novidades tecnológicas que aproximaram a prova dos adeptos.
Fim de semana de espetáculo e segurança
No balanço final, o vereador do Desporto da Câmara Municipal da Covilhã, Luís Marques, destacou o sucesso da organização e o comportamento exemplar do público.
“Foi um fim de semana fantástico, como costuma ser. Este ano o tempo ajudou, também a prova fluiu normalmente (…) e tenho a certeza de que os covilhanenses estão muito orgulhosos desta Rampa 2026.”
Apesar de algumas ocorrências ao longo do percurso, a prova decorreu sem incidentes graves.

“Houve alguns acidentes, mas coisa pouca, não houve grandes interrupções e conseguimos concluir a prova no tempo que estava previsto.”
Luís Marques fez ainda questão de elogiar o trabalho da organização, das forças de segurança, dos bombeiros e dos funcionários municipais, sublinhando que a segurança continua a ser um dos fatores mais importantes na avaliação da prova.
O sonho de regressar ao calendário europeu
Uma das ambições assumidas pelo município continua a ser o regresso da Rampa Serra da Estrela ao calendário internacional.
“É o anseio dos covilhanenses, dos amantes da Rampa Serra da Estrela e obviamente também do município.”
O autarca explicou que a candidatura depende, sobretudo, da requalificação do troço rodoviário que liga aos Piornos, intervenção que está sob responsabilidade da Infraestruturas de Portugal.
“Eu tenho muita esperança e a Câmara Municipal tudo fará para que a IP faça essa intervenção, que é aquilo que falta para nós podermos iniciar o processo de concorrer para uma rampa internacional.”
Mesmo reconhecendo que poderão surgir novos obstáculos, Luís Marques garante que a meta permanece intacta. “Iremos trabalhar afincadamente para voltarmos a ter aqui a Rampa Internacional Serra da Estrela.”
Tecnologia aproxima emigrantes e adeptos da prova
A edição deste ano ficou igualmente marcada pela aposta na transmissão em direto e pela instalação de monitores em zonas de espetáculo.

Segundo Luís Marques, as novidades permitiram que muitos covilhanenses residentes fora da região acompanhassem a competição.
“Foi muito bom acompanhar nas redes sociais pessoas covilhanenses em França, noutros pontos do país, a matar saudades da rampa e a conseguir acompanhar a prova.”
O vereador considerou o live streaming uma aposta ganha: “Conseguimos pôr em direto para toda a gente quem podia estar aqui no traçado ou não, poder acompanhar.”
Patrícia Rosário: a paixão de quem cresceu a ver a rampa
Entre os pilotos locais, Patrícia Rosário voltou a marcar presença naquela que considera ser a prova da sua terra.

“A rampa da casa, somos de cá e não podemos mesmo faltar.”
A piloto recordou as memórias de infância ligadas à antiga Rampa Internacional Serra da Estrela, quando passava os fins de semana junto ao traçado a assistir às subidas.
“Nós vínhamos de madrugada para a Rosa Negra ou para a Sete Fontes. Passávamos o fim de semana todo.”
Depois de um acidente grave em 2023 e de uma ausência em 2024, Patrícia regressou à competição e alcançou um lugar no pódio. Contudo, o fim de semana não esteve isento de dificuldades.
“Consegui uma subida ao pódio e, entretanto, ontem tivemos um contratempo porque no arranque a caixa partiu.” “Tivemos, durante umas boas horinhas de madrugada, a consertar o carro, a meter uma caixa de velocidades nova.”
Ainda assim, considera que todo o esforço compensa: “Vale a pena porque são dois dias de muita adrenalina, são dois dias em que é muito trabalho e é uma família completa a trabalhar”, disse à reportagem da RCC.
Flávio Saínhas faz pausa nos clássicos para regressar no futuro na luta pelo campeonato absoluto de montanha

Outro dos pilotos covilhanenses em destaque foi Flávio Saínhas, atual campeão nacional de Clássicos de Montanha, que participou fora da luta pelo campeonato, vencendo no entanto os clássicos e batendo o seu recorde da pista.
Apesar de um pequeno problema com os pneus, o piloto terminou satisfeito.
“Consegui resolver para a última subida e consegui melhorar o tempo e bater o meu próprio recorde do ano passado.”
Quanto à ausência do campeonato em 2026, explicou que a decisão foi estratégica.
“Decidimos fazer uma paragem. Estamos a pensar num outro projeto, num outro carro para a próxima época.”

O objetivo passa por preparar uma candidatura mais ambiciosa no futuro.
Sem confirmar planos concretos, deixa em aberto a possibilidade de lutar por objetivos mais elevados já na próxima temporada.
“Talvez na geral, sim. Vamos ver. Estamos a trabalhar sobre o assunto.”
Uma rampa que continua a mobilizar a região
Entre a tradição, a paixão dos pilotos locais e a forte adesão do público, a Rampa Serra da Estrela/Covilhã voltou a afirmar-se como um dos grandes eventos desportivos da Beira Interior. Com o sonho do regresso ao panorama internacional ainda bem vivo, a organização e o município garantem que continuarão a trabalhar para elevar a qualidade de uma prova que, para muitos pilotos e adeptos, continua a representar um objetivo de vida.

Em termos desportivos, a vitória absoluta da Rampa Serra da Estrela/Covilhã 2026 sorriu a José Correia, em Osella PA.30, com o tempo total de 5m47,067s, à frente de Tomás Pinto (BRC CM 05 EVO), segundo classificado a 2,549 segundos, e de Hélder Silva (Norma FC20 M20FC), terceiro a 4,037 segundos. Nas principais categorias, José Rodrigues foi o mais rápido entre os GT, Pedro Alves venceu nos Turismos, Luís Nunes triunfou no Super Challenge, Flávio Saínhas foi o melhor nos Clássicos de Montanha, João Pires venceu nos Legends e Armando Freitas impôs-se no Campeonato de Portugal Montanha 1300.
Patrícia Rosário venceu a classificação feminina em Super Challenge.
