A Câmara Municipal da Covilhã assinou esta quarta-feira o contrato-programa que garante um apoio de 500 mil euros do Estado para a requalificação da Estrada Verde que liga Verdelhos ao Poço do Inferno, no concelho de Manteigas. A intervenção, que estava integrada no Programa de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), representa um investimento global de cerca de 1,5 milhões de euros.
A obra prevê a pavimentação de um troço de seis quilómetros, atualmente em terra batida, bem como a melhoria das bermas, reforçando a segurança e as acessibilidades numa ligação considerada estratégica para a mobilidade e para o turismo na Serra da Estrela.
Em declarações à Rádio Clube da Covilhã, o presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, explicou que o apoio estatal ascende a 500 mil euros, sendo a restante verba suportada pelo orçamento municipal.
“É uma estrada que está hoje feita, não alcatroada, vai ser qualificada com asfaltamento, com a melhoria das bermas, numa distância de seis quilómetros, que vai melhorar a circulação e a acessibilidade dentro da Serra da Estrela, não só no município da Covilhã, mas também no município de Manteigas”, afirmou.
Segundo o autarca, a estrada permitirá uma ligação direta ao Poço do Inferno, um dos principais pontos turísticos da região. “Estamos a abrir uma nova acessibilidade à Serra da Estrela. Esta estrada é importante não apenas para a freguesia de Verdelhos e para o concelho da Covilhã, mas para toda a região, porque estamos a capacitar e alavancar as condições de circulação e de mobilidade na Serra da Estrela, potenciando o turismo”, sublinhou.
Hélio Fazendeiro adiantou ainda que o projeto está concluído e segue agora para a fase de obtenção das autorizações necessárias, nomeadamente ambientais, antes do lançamento da empreitada. O objetivo é que a intervenção esteja concluída “dentro de um ano, um ano e pouco”.
Autarca pede avanço dos restantes projetos do Plano de Revitalização

Durante a cerimónia, Hélio Fazendeiro considerou que a assinatura do contrato representa “mais um passo determinante e decisivo” na concretização do Programa de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela, aprovado em 2024 na sequência dos incêndios de 2022.
“É um passo muito positivo que a Covilhã recebe com gratidão e realismo de quem sabe reconhecer o que está certo, sem deixar de dizer, com a mesma franqueza e lealdade, o que ainda falta”, afirmou.
O presidente da autarquia lembrou que esta intervenção concretiza uma das medidas previstas no plano, mas alertou que é necessário acelerar os restantes investimentos.
“Esperamos que o passo agora dado seja o início do caminho dessa concretização no terreno dos vários projetos identificados”, referiu.
Entre as prioridades apontadas pelo autarca estão a revitalização da Escola Profissional Agrícola da Quinta da Lageosa, a construção da Barragem das Cortes, o Plano de Pormenor Intermunicipal da Torre e, “muito em particular”, a construção do IC6 entre Coimbra e a Covilhã.
“Não pedimos favores, pedimos justiça, oportunidades e investimento”, afirmou, defendendo que os territórios do interior “deixem de ser encarados como uma fatalidade e passem a ser encarados como uma oportunidade”.
O presidente da Câmara aproveitou ainda a presença dos membros do Governo para solicitar a libertação das verbas do Fundo de Emergência Municipal (FEM), destinadas à reparação dos danos provocados pelos incêndios de 2025 no concelho.
Governo diz que contratos dão expressão concreta ao Plano de Revitalização

Na resposta às reivindicações, o secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, afirmou que a assinatura dos contratos representa o início da concretização financeira de um plano aprovado em 2024.
“Hoje começamos a dar os passos fundamentais para cumprir uma resolução do Conselho de Ministros que foi tomada em 2024 para os incêndios de 2022, mas para a qual não havia dotação financeira”, afirmou.
O governante salientou que os contratos agora assinados abrangem dez municípios, cinco dos quais pertencem ao Parque Natural da Serra da Estrela — Covilhã, Seia, Gouveia, Manteigas e Celorico da Beira — correspondendo a uma comparticipação estatal de cerca de 2,5 milhões de euros para investimentos superiores a sete milhões.
“À semelhança do que aconteceu com o município da Guarda em 2025, os cinco contratos destinados aos municípios da Serra da Estrela dão expressão concreta no terreno aos objetivos do Programa de Revitalização da Serra da Estrela, através de investimentos que reforçam a resiliência, as acessibilidades, a valorização económica e social e a qualidade de vida neste território”, afirmou.
Silvério Regalado garantiu ainda que o Governo continuará a desenvolver políticas para o interior.
“O interior não é um problema a administrar, é uma oportunidade estratégica para Portugal”, defendeu.
Finanças garantem compromisso com investimentos nos territórios
Também o secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, José Maria Brandão de Brito, destacou o significado dos contratos-programa e assegurou que a disciplina das contas públicas permite continuar a financiar investimentos estruturantes.

“Esta cerimónia não celebra um ponto de chegada, representa antes de mais um compromisso de transformar este financiamento em investimento concretizado, obras executadas e benefícios efetivos para as populações”, afirmou.
O governante acrescentou que “Portugal só será verdadeiramente mais competitivo se for também mais coeso”, garantindo que “a valorização dos territórios de baixa densidade, o reforço da atratividade do interior e a melhoria das condições de vida das populações serão sempre prioridades da ação governativa”.
Além da intervenção na Estrada Verde entre Verdelhos e o Poço do Inferno, foram assinados contratos-programa para outras obras no Parque Natural da Serra da Estrela. Em Seia será reabilitada a Estrada Verde do PNSE entre a CM1125, no Sabugueiro, e a EN232 (Cabaço), com melhoria das condições de segurança e das acessibilidades. Em Gouveia avança a beneficiação do Caminho Municipal n.º 1112, entre Gouveia e Curral do Negro, enquanto Manteigas irá requalificar o Auditório Municipal. Já em Celorico da Beira, o investimento destina-se à alteração de um edifício para multiusos de apoio ao Mercado Municipal.
