O Sindicato dos Trabalhadores do Setor Têxtil da Beira Baixa denuncia que as empresas continuam a recusar uma valorização justa dos trabalhadores, apesar dos resultados económicos positivos registados por algumas unidades da região. A posição surge na sequência dos plenários realizados nas últimas duas semanas em diversas empresas do setor têxtil e do vestuário.
Segundo o sindicato, uma das principais reivindicações dos trabalhadores prende-se com o valor do subsídio de alimentação, que considera “manifestamente insuficiente” face ao aumento do custo de vida.
A partir do final de julho, os trabalhadores abrangidos pelo Contrato Coletivo de Trabalho dos Lanifícios passaram a receber um subsídio de alimentação de 3 euros por dia, mais 20 cêntimos do que os 2,80 euros anteriormente praticados. Ainda assim, a estrutura sindical considera o aumento insuficiente e lembra que este corresponde apenas ao valor mínimo previsto no contrato coletivo, não existindo qualquer impedimento para que as empresas atribuam montantes superiores.
No comunicado, o sindicato aponta o exemplo da empresa Paulo de Oliveira, que registou um lucro líquido de 11,9 milhões de euros em 2023 e de 10,1 milhões de euros em 2024, questionando como é possível que, com estes resultados, continue a pagar apenas o valor mínimo do subsídio de alimentação.
A estrutura sindical defende que a falta de valorização dos trabalhadores está também na origem das dificuldades de recrutamento e retenção de mão de obra, uma vez que muitos optam por empresas que oferecem melhores salários, melhores condições de trabalho e subsídios de alimentação mais elevados.
Durante os plenários realizados na Paulo de Oliveira, os trabalhadores denunciaram igualmente problemas relacionados com as condições de higiene das instalações. Segundo o sindicato, existe apenas uma funcionária responsável pela limpeza de toda a empresa, sendo que as casas de banho das diferentes secções são limpas apenas uma vez por semana. Nos restantes dias é feita apenas a reposição de papel higiénico e a recolha de resíduos.
O comunicado refere ainda que a empresa terá pretendido que fossem os próprios trabalhadores a assegurar diariamente a limpeza destes espaços, situação que foi recusada pelos funcionários. O sindicato sublinha que a limpeza das instalações é uma responsabilidade da entidade patronal e não pode ser transferida para trabalhadores contratados para outras funções.
A organização sindical manifesta ainda apoio às trabalhadoras da Benoli, que exigem um aumento do subsídio de alimentação, atualmente fixado em 3 euros por dia, e aos trabalhadores da Haco Etiquetas, que reclamam melhores condições de trabalho e uma valorização salarial, tendo em conta os resultados positivos da empresa.
No final do comunicado, o sindicato apela à participação e organização dos trabalhadores, defendendo que só através da unidade será possível alcançar melhores salários, melhores condições de trabalho e um futuro mais digno para os profissionais do setor.
