A 8.ª edição do Festival de Bandas Filarmónicas Joaquim Garra reuniu este sábado cerca de 250 músicos na Covilhã, num encontro que este ano levou a música a vários bairros da cidade antes de juntar as seis bandas num desfile conjunto pelo centro histórico.
No encerramento, o presidente da Banda da Covilhã que organiza o evento, Nuno Abreu, destacou a dimensão humana e cultural do encontro e evocou a figura de Joaquim Garra, a quem é dedicado o festival. Sublinhou que a iniciativa representa “celebrar a dedicação de uma vida inteira à causa filarmónica”, lembrando o legado de uma personalidade que considera incontornável na comunidade covilhanense e na própria Banda da Covilhã.
“Um legado de paixão pela música que hoje continua a ecoar nas ruas da Covilhã, através do talento de cerca de 250 músicos aqui reunidos”, afirmou Nuno Abreu.
O presidente da Banda da Covilhã deixou ainda uma palavra à família de Joaquim Garra, presente no encontro, considerando que a sua participação “unifica a herança afetiva deste grande homem”.

Coube depois ao filho, Luís Garra, representar a família numa intervenção marcada pela emoção. Também presidente da Assembleia Geral da Banda da Covilhã, admitiu a dificuldade de conciliar as duas funções.
“Eu, de vez em quando, converso com o meu pai sem palavras. Não nos ouvimos, mas percebemos e entendemos.” Luís Garra contou que, durante o desfile, sentiu ter “conversado” com o pai e transmitiu uma mensagem que, simbolicamente, lhe atribuiu:
“Diz à direção da banda que eu cá onde estou estou muito, muito feliz. E eu sei que estava feliz porque ele adorava a música.”
O filho de Joaquim Garra destacou ainda a ligação do pai à música, às bandas filarmónicas e à Banda da Covilhã, considerando que a presença dos cerca de 250 músicos constitui uma forma de honrar a sua memória.
“E que melhor forma de honrar a memória dele que foi um executante notável, um dirigente dedicado, uma pessoa que mostrou sempre amor a esta banda e à sua Covilhã, de que seja este número imenso de executantes, de dirigentes, de maestros que querem, com a sua presença, com a sua arte, com a sua música, honrar a memória do nosso pai.”

Luís Garra saudou também a opção de levar o festival aos bairros da cidade, defendendo a continuidade da iniciativa: “É uma boa iniciativa continuar a levar a música aos bairros”, disse.
Também Hélio Fazendeiro, Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, e Francisco Mota, Presidente da UF Covilhã e Canhoso, destacaram o legado de Joaquim Garra e a importância de preservar a memória de quem marcou o percurso das instituições. O presidente da Câmara da Covilhã considerou que a homenagem é dirigida a alguém que “tanto deu à nossa cidade, tanto deu ao nosso concelho e tanto deu à filarmonia e, nomeadamente, à Banda da Covilhã”. Já Francisco Mota sublinhou que o festival com o nome de Joaquim Garra é também uma forma de “homenagear as pessoas que fazem parte da história destas instituições”, lembrando que “as instituições são feitas de pessoas”, estejam elas vivas ou já tenham partido.
Francisco Mota sublinhou também a importância das bandas enquanto espaços de aprendizagem musical e de formação cívica, considerando que são “escolas de cidadania” que devem ser incentivadas.
“Foi aqui que muitas pessoas, e hoje grandes músicos, aprenderam as primeiras notas, mas aprenderam, sobretudo, as primeiras lições de cidadania, as primeiras lições de como ser solidário e de como ser fraterno uns com os outros”, apontou.

Também o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, sublinhou o papel histórico das filarmónicas na formação musical das populações, recordando que, durante décadas, foram a principal ligação à aprendizagem da música em muitas localidades.
“Durante muito tempo era a única ligação à música de formação musical que existia no nosso território e nas nossas aldeias. Isso deve-se a vocês, deve-se àqueles que se antecederam nesses postos e que conseguiram transmitir à população não só o gosto pela música, mas a formação musical.”
Este ano, cada uma das bandas participantes atuou inicialmente num bairro da Covilhã. Depois, os músicos concentraram-se na Praça do Município, de onde seguiram pelo centro histórico numa mega banda, com cerca de 250 executantes, até à sede da Banda da Covilhã.
Foi aí que teve lugar a homenagem a Joaquim Garra, com a interpretação da marcha “Amigo Garra”, da autoria de Carlos Almeida, maestro da Banda da Covilhã.

Além da banda anfitriã, participaram no encontro a Banda Filarmónica Sanjorgense, a Banda Filarmónica de Póvoa e Meadas, a Banda Filarmónica de Famalicão da Serra, a Banda Filarmónica Carvalhense e a Banda Filarmónica dos Bombeiros Voluntários de Sousel.
