João Roque quer levar a política aos jovens de todo o país: “Este livro não é para estar nas prateleiras”

O Salão Nobre da Câmara Municipal da Covilhã encheu-se, no sábado, para a apresentação de Vamos falar de política?, o primeiro livro do jovem covilhanense João Roque. A obra pretende tornar a política mais acessível e dar origem a um projeto de cidadania que percorra o país, colocando os jovens a falar e a pensar sobre política.

Para João Roque, a adesão à apresentação demonstra que existe interesse pelo tema quando este é apresentado de forma acessível.


“O Salão Nobre cheio significa, acima de tudo, que há pessoas interessadas. E quando se diz que a política é uma coisa que está distante das pessoas, ela está distante muitas vezes por causa não só dos políticos, que também usam uma linguagem muito complexa, muito técnica, mas também da percepção que é criada à volta da política.”

O autor defende que é necessário “desconstruir a política”, explicando conceitos e fenómenos que muitas vezes parecem distantes dos cidadãos. Uma necessidade que considera particularmente importante num momento em que, afirma, “a democracia está mesmo em crise”.

A pluralidade e o respeito pela opinião divergente são também ideias centrais no livro e na mensagem deixada por João Roque na apresentação.

O jovem covilhanense explica que o livro é apenas o ponto de partida para um projeto mais amplo de cidadania. A intenção é levar a iniciativa “de norte a sul” do país, sobretudo junto das camadas mais jovens.

“Nada melhor do que materializar isto num livro e depois transformá-lo num projeto de cidadania que vai percorrer o país de norte a sul a colocar os jovens a falar e a pensar sobre política.”

João Roque garante que a obra não ficará limitada às livrarias. A ideia é levá-la aos territórios e promover o debate, procurando também reforçar a informação e a capacidade de pensamento crítico.

“Este livro não é para estar nas prateleiras. Ele vai sair das prateleiras e vai às cidades, vai aos territórios falar com as pessoas. Perceber o que é que elas querem.”

Na sessão, o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, destacou a forte adesão à apresentação e o percurso do jovem covilhanense na área da pedagogia politica, no seu percurso pessoal e profissional.

O autarca destacou ainda a existência de um “chão comum” entre diferentes sensibilidades políticas, assente em princípios como a liberdade, a democracia, os direitos humanos, a empatia, a igualdade e a solidariedade.

“Temos opções diferentes do ponto de vista partidário, mas isso não me impede, João, de, com gosto e orgulho, receber na Câmara Municipal a apresentação deste livro, sobretudo pela razão do conteúdo e da temática que ele trata e também porque, apesar das nossas diferenças, algumas do ponto de vista ideológico, há um chão comum que nos une”, sublinhou.

Para Hélio Fazendeiro, é nesse espaço de valores partilhados que deve ser construída a participação democrática.

“É dentro deste chão comum que nós temos de continuar a construir a democracia, a construir o futuro das nossas comunidades.”

O presidente da Câmara estabeleceu ainda um paralelismo entre a mensagem do livro e o trabalho que o município tem vindo a desenvolver junto dos jovens, nomeadamente através da iniciativa “Dia do Presidente”, que pretende aproximar os estudantes do funcionamento da autarquia e da participação cívica.

O autarca considera que o livro de João Roque segue precisamente essa lógica de aproximação e participação cívica.

“Este livro que hoje aqui temos (…) vai exatamente desconstruir, transversalmente, independentemente da faixa etária, aquilo que é a importância da participação cívica, da participação política de cada um de nós na nossa comunidade.”

Hélio Fazendeiro defende que a participação dos cidadãos é essencial para a construção do futuro coletivo e considera que esse trabalho de literacia democrática deve envolver instituições, escolas e a sociedade em geral.

“Mas este é um trabalho inacabado. É um trabalho inacabado de todos, desde logo das instituições, desde logo do sistema educativo, mas eu diria desde logo de todos nós enquanto cidadãos.”

A apresentação de “Vamos falar de política?” juntou pessoas de diferentes sensibilidades e acabou por refletir uma das ideias defendidas pelo autor: a importância da pluralidade e do debate informado.

Através do livro e do projeto que pretende desenvolver a partir dele, João Roque quer agora levar esta conversa para além da Covilhã e envolver jovens de diferentes pontos do país na reflexão sobre política, cidadania e democracia.