“A FIADA continua a crescer, sobretudo em qualidade”, destaca Regina Gouveia

A FIADA – Feira Internacional de Artesanato, Design e Artes encerrou no domingo, 6 de setembro, no Jardim das Artes e na Biblioteca Municipal da Covilhã, com a organização do Município da Covilhã a fazer um balanço positivo de mais uma edição. O certame reuniu 40 artesãos, além de cerca de uma dezena de entidades convidadas.

Para Regina Gouveia, vereadora da Cultura da Câmara Municipal da Covilhã, o crescimento da FIADA não deve ser medido pelo número de participantes, mas sobretudo pela qualidade e pelo carácter diferenciador do evento.


“A fiada continua a crescer, sobretudo em qualidade.”

A responsável destaca a qualidade dos artesãos selecionados, depois de um processo que recebeu perto de 200 candidaturas, mas também a evolução das próprias oficinas e o trabalho de capacitação desenvolvido ao longo do ano.

“Nós não pretendemos crescer em dimensão, em termos de número de stands, não queremos é este o conceito da FIADA.”

Regina Gouveia explica que o objetivo passa por distinguir a FIADA de outras feiras de artesanato realizadas no país, apostando na inovação e na ligação ao design, numa cidade que integra a Rede de Cidades Criativas da UNESCO na área do Design.

“Aquilo que nós queremos é um crescimento em termos de aspetos que dão um carácter diferenciador à fiada.”

A vereadora sublinha que o certame pretende ir além da exposição e venda de peças, promovendo também a inovação no artesanato através do design e de oficinas dirigidas aos próprios artesãos.

“Nós temos muitas feiras de artesanato no país, que são exposição, são venda. Nós não queremos só ser isso.”

Nesse sentido, Regina Gouveia considera que a FIADA resulta de um trabalho desenvolvido durante todo o ano e não apenas dos dias em que decorre a feira.

“A fiada não acontece apenas com aquilo que vem do artesanato no momento ou com os concertos que se trazem para cada edição.”

A ligação entre os artesãos participantes e o território da Covilhã é também uma das componentes do conceito do evento, através de iniciativas como as visitas promovidas durante a feira.

Tatiana Arazaki vence prémio de Inovação pelo Design

A edição de 2026 contou ainda com dois concursos destinados a distinguir trabalhos que valorizassem a identidade da Covilhã e a inovação através do design.

Na categoria “Peça de Artesanato Inovação pelo Design”, o primeiro prémio, no valor de 500 euros e patrocinado pelo ICOVI, foi atribuído a Tatiana Arazaki, pela peça “A atar Covilhã”. Houve ainda menções honrosas para Cláudia Beatriz e João Manuel Esteves Órfão.

A vencedora explica que a peça foi criada especificamente para o concurso e recorre a uma técnica tradicional japonesa.

“É uma peça que eu desenvolvi para esse concurso. Ela é uma peça feita com fios de papel japonês, o mizuhiki, e ela é toda entrelaçada com os nós, que é utilizado tradicionalmente no Japão.”

Tatiana Arazaki procurou, através desses nós, estabelecer uma ligação com a identidade do concelho.

“Eu quis, na peça, criar nós que remetessem à identidade do município da Covilhã.”

A distinção acabou por ser uma surpresa para a artesã, que se mostrou “muito honrada” com o reconhecimento.

“Fios de uma História” vence prémio de Identidade Covilhã

Na categoria “Peça de Artesanato Identidade Covilhã”, o primeiro prémio, também de 500 euros, patrocinado pela Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor, foi entregue a Célia de Lurdes Alves, pela peça “Fios de uma História”.

A artesã conta que teve de investigar a história e as características da Covilhã para desenvolver o trabalho apresentado.

“Eu tive que pesquisar bastante sobre a Covilhã para entender o funcionamento, o que é que deveria fazer, e acabei por fazer um painel.” Célia de Lurdes, que habitualmente participa em exposições e não em feiras, explica que foi precisamente o carácter internacional da FIADA e o facto de se realizar na Covilhã que despertaram o seu interesse.

“Chamou-me a atenção o facto de ser uma feira internacional e ser na Covilhã, porque eu não conhecia a Covilhã.”

A vencedora admite ter ficado especialmente satisfeita com a distinção, tendo em conta a qualidade dos trabalhos em concurso. “Havia trabalhos maravilhosos mesmo, e fiquei muito feliz por ter ganho.”

O júri dos concursos integrou representantes da Câmara Municipal da Covilhã, do ICOVI e da Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor, além dos designers Luiz da Cruz e Vasco Pinho.

A FIADA 2026 procurou, assim, reforçar a aposta do Município na valorização do artesanato contemporâneo, na inovação pelo design e na aproximação entre artesãos de diferentes territórios e a Covilhã.