O Grupo Desportivo da Mata iniciou ontem, ao final da tarde, as comemorações dos 65 anos de existência, celebrações que pretendem realçar a atividade do clube, mas também vincar a preocupação com a falta de um pavilhão próprio.
O presidente da direção, Elias Riscado, admite, em declarações à Rádio Clube da Covilhã, que a ausência de uma infraestrutura desportiva continua a ser o principal problema da coletividade e confessa que começa a perder a esperança de ver o projeto concretizado.
O pavilhão está orçamentado em cerca de dois milhões de euros e, segundo Elias Riscado, o projeto prevê aproveitar o espaço existente com as obras já realizadas.
Sublinha que o clube precisa sobretudo de apoio para conseguir concretizar a obra.
O dirigente considera que a construção do pavilhão seria determinante não apenas para o futuro do Grupo Desportivo da Mata, mas para o desenvolvimento desportivo da cidade.
Salienta a necessidade de reunir com a Federação Portuguesa de Futebol, vincando que “não é só apontar que em 2030 querem ter mais praticantes de futsal, para isso é preciso criar condições” reivindica.
“É preciso condições, é preciso instalações. E a Câmara também tem que olhar para isso, porque eu estou farto de ouvir o pavilhão, o pavilhão, o pavilhão, mas o pavilhão não aparece”, lamentou.
Elias Riscado pretende continuar a pressionar as entidades responsáveis e revelou que está a procurar uma reunião com a Federação Portuguesa de Futebol para tentar encontrar soluções de financiamento.
“Tenho que bater às portas a ver se alguma se consegue abrir”, afirmou, garantindo que o clube não vai desistir.
O presidente da direção considera ainda que a falta de apoios para instalações desportivas é um problema mais abrangente.
“Na União Europeia ao tempo que não há fundos para instalações desportivas. No Governo não há nenhuma linha aberta para instalações desportivas. Na Federação também não. O que é que querem do desporto? Querem mais atletas? querem mais competição?”, questiona o dirigente, deixando ainda uma crítica implícita: “Ou é só para apoiar meia dúzia deles, que depois são recebidos para entregar as medalhas?”, defende que “tem apostar no desporto em massa, é da quantidade que nasce a qualidade”.
A falta de instalações próprias obriga atualmente o Grupo Desportivo da Mata a recorrer aos pavilhões da Universidade da Beira Interior, instituição com quem mantém protocolo há vários anos e que foi já renovado para a época 2026/2027, permitindo assegurar os espaços necessários para o futsal.
Ainda assim, os custos são significativos. Na época passada, o clube gastou cerca de 2.200 euros em aluguer de outros pavilhões, segundo o presidente.
Apesar das dificuldades, o Grupo Desportivo da Mata mantém uma atividade desportiva diversificada. O atletismo, o trail e o Centro de Marcha e Corrida estão agora agregados numa única secção, enquanto o clube continua também ligado às modalidades de pavilhão.
Elias Riscado estima que a atividade do clube envolva atualmente entre 300 e 500 pessoas.
As comemorações dos 65 anos servem também para recordar a história do clube, nomeadamente o percurso no futebol de salão e futsal.
Depois do arranque de ontem, está prevista para sábado uma missa, seguida de uma romagem ao cemitério.
O momento principal está marcado para 27 de setembro, às 16 horas, no Teatro Municipal da Covilhã, com a segunda gala comemorativa dos 65 anos do Grupo Desportivo da Mata.
A gala vai distinguir secções, escalões, treinadores, patrocinadores, parceiros e cinco individualidades ligadas ao clube, estando ainda previsto um prémio de excelência. Na gala está prevista a homenagem a antigos atletas ligados ao passado do futsal, incluindo Pedro Dias atual Secretário de Estado do Desporto.
As comemorações vão prolongar-se até final do ano.
