A Assembleia Municipal da Covilhã rejeitou a proposta do Movimento Independente Pelas Pessoas (MIPP), pela afirmação da “Universidade da Covilhã e Beira Interior”, com 42 votos contra (DMI, PS, PSD, CDS-PP e PCP), 1 abstenção (CHEGA) e 4 votos a favor.
José Marques, líder da bancada do MIPP, revelou que a proposta se enquadra na intenção que o nome da Universidade da Beira Interior inclua a centralidade, de modo a reforçar a cidade da Covilhã.
“Em 2026, as condições evoluíram no espaço universitário regional da Beira Interior, pelo que é nossa intenção que a designação da Universidade deva incluir a centralidade e reforçar a cidade da Covilhã e também da Beira Interior”, afirmou o deputado.

PCP vota contra a proposta apresentada
O PCP votou contra a moção, alegando, Vítor Reis Silva, líder do Grupo Municipal, que se existir a necessidade de alterar o nome, que seja por iniciativa da comunidade académica, como por exemplo da reitora, Ana Paula Duarte.
“Estamos contra e que seja a comunidade académica a ter alguma iniciativa, a propor alteração. Se houver necessidade de fazer alteração do nome que venha lá a iniciativa das instituições académicas, do seu Conselho Geral, da reitora e depois penso eu que podemos fazer a apreciação dessa proposta”, explicou o líder da bancada do PCP.
CDS-PP é contra moção porque se trata de uma questão de nome
João Bernardo, substituto de Adolfo Mesquita Nunes, na bancada do CDS-PP, informou que por se tratar de uma questão de alterar o nome da Universidade são contra a moção, sendo que devia ser a própria UBI a desencadear a vontade da alteração.
“O CDS-PP vota contra esta moção, porque se trata de uma questão de nome, à qual nem esta Assembleia tem competência para deliberar isto e, de facto, tinha que ser a própria Universidade a desencadear este processo. Não somos nós quem deve impor o que quer que seja à nossa Universidade. Nós devemos cá estar para colaborar com ela no desenvolvimento do que é, de facto, uma Universidade Regional, uma Universidade nacional e, de facto, é isso o trabalho que nós temos que fazer aqui”, disse o deputado.
João Bernardo afirmou ainda que podem contar com o partido para votar favoravelmente em todas as moções de valorização de afirmação da Universidade da Beira Interior, mas pelo o nome em si, não faz sentido.
PSD contra a recomendação
António Saraiva, do PSD, afirmou que o voto do Grupo Municipal do Partido Social Democrata não é favorável, sendo que consideram que a mudança de nome poderia diminuir a abrangência territorial da Universidade.
“Entendemos que, embora a UBI seja sediada no nosso concelho e seja dos seus maiores motores de desenvolvimento e atração de talento, acreditamos também que a sua estratégia deve ser uma de expandir horizontes. Em particular, em parceria com as outras instituições de ensino superior próximas, criando na Beira Interior um hub de produção e partilha de conhecimento interdisciplinar que beneficiará não só a UBI e a Covilhã, como toda a Beira Interior, considerando que esta mudança de nome poderia até, de certo modo, ser redutora para a abrangência territorial da UBI.”
PS vota contra por duas razões
O Partido Socialista (PS), representado pelo líder da bancada, Pedro Bernardo, diz ser contra por duas razões essenciais.
“Num momento de uma vida na instituição com 40 anos de existência, com os seus instigadores, estudantes, funcionários, que faz a instituição da UBI uma referência a nível regional, ao serviço da região, mas também a nível nacional e internacional, que resiste aos desafios. Esta é uma razão de substância que vos apresentamos para votar contra. Mas também porque este espaço, esta Assembleia de Direitos Humanos, sejam elas, até porque a própria reitora já se manifestou contra esta ideia que, enfim, de substância tem muito pouco àquilo que são os reais problemas da UBI e do ensino superior no interior”, rematou Pedro Bernardo.
Magna Lourenço, membro independente na Assembleia Municipal, votou contra esta proposta, considerando que o voto seria favorável se a própria reitoria demonstrasse interesse na alteração.
CHEGA abstêm-se da votação
Por outro lado, o partido CHEGA, representado pelo líder da bancada, Amadeu Alberto, explicou que a abstenção vem no sentido da designação merecer alguma prudência e ser necessário avaliar os riscos.
“O CHEGA reconhece a importância absolutamente incontornável da Universidade da Beira Interior para a Covilhã e para toda a região. Contudo, entendemos que a proposta de alteração da sua designação para a Universidade da Covilhã e Beira Interior merece alguma prudência. A Covilhã é, inequivocamente, parte da Beira Interior. Por isso, entendemos que existe o risco de estarmos a procurar reforçar uma identidade através de uma designação que pode acabar por ser redundante ou excessivamente descritiva”, atirou o deputado.
O MIPP, autor desta proposta, votou a favor, dado que não se restringem a provincianismos, sendo um movimento regionalista e querendo uma região mais localizada e próxima.
