A 44ª edição do Festival de Teatro da Covilhã, organizada pelo Teatro das Beiras, decorre entre 12 e 21 de novembro. O Ciclo de Teatro de Outono, um dos mais antigos do país, regressa para mais uma edição, apesar de algumas dificuldades financeiras.
Fernando Sena, diretor artístico do Teatro das Beiras, afirmou, na conferência de imprensa de apresentação do festival, que apesar das dificuldades financeiras, a programação do evento é possível com o dinheiro que têm.
“Vamos conseguir manter o festival, apesar das dificuldades financeiras, de maneira que este programa é o possível com o dinheiro que temos. Temos as mesmas verbas que em 2023 e é claro que isso traz dificuldades, porque os preços e a inflação aumentaram. Vamos continuar a organizar este festival dentro das condições que podemos e nos propomos, que é apresentar espetáculos com qualidade e diversidade todos os anos”, começou por dizer.
O diretor revelou que foi solicitado um apoio para o festival à Câmara Municipal da Covilhã (CMC), no entanto, não foi obtida nenhuma resposta e a programação foi realizada com aquilo que conseguiram fazer.
“Apesar de termos solicitado um apoio para o festival à CMC, nem sequer tivemos resposta, ao contrário de outras organizações que são feitas na cidade. Isso é uma questão que nos ultrapassa e esta programação que foi realizada é a que conseguimos fazer e temos a certeza que tem qualidade para fazer parte desta edição do Festival de Teatro da Covilhã”, disse Fernando Sena.
7 dias de espetáculos na Covilhã
O Festival de Teatro, que se realiza de 12 a 21 de novembro, vai apresentar diversos espetáculos no Auditório Fernando Landeira, no Teatro das Beiras, sendo que o primeiro espetáculo acontece no Teatro Municipal da Covilhã, com a Companhia de Teatro do Chapitô, no dia 12, às 21:30.
A Companhia de Teatro do Chapitô faz digressões nacionais e internacionais, criando espetáculos que são uma adaptação de grandes autores e fazendo um trabalho muito físico, visual e cómico.
A peça “Rei Lear” é uma adaptação da obra de William Shakespeare, onde Rei Lear decide dividir o seu reino entre as suas filhas. O meta-teatro expõe a relação entre ficção e realidade, revelando os seus dispositivos de construção e emerge como a chave deste jogo. A sessão tem a duração de 75 minutos e está classificada para maiores de 12 anos.
Com programação dedica ao público escolar, no dia 13 de novembro, o Teatro das Beiras recebe a Companhia de Teatro de Braga, com o espetáculo “Em Pessoa”, inspirado nos textos de Fernando Pessoa, dedicado aos alunos do Ensino Secundário.
No dia 14, a Comuna – Teatro de Pesquisa, de Lisboa, apresenta “Um Jantar de Família”, pelas 21:30, no Teatro das Beiras. A peça retrata discussões inesperadas, verdades inconvenientes e momentos de rir e chorar por mais, num jantar que promete ser um verdadeiro caos e uma comédia imperdível.
Os dias 18 e 19 são novamente voltados para o público escolar. No dia 18 decorrem duas sessões (11:00 e 14:30) do espetáculo “Adivinha Quanto Gosto de ti”, que conta a história de duas pequenas lebres. Já no dia 19, o Teatro do Montemuro apresenta “Boboglobo” (11:00 e 14:30), que consiste numa história sobre Beatriz e o seu primo músico Baltasar.
No dia 20 de novembro, o Teatro das Beiras recebe uma Companhia de Teatro de Madrid (Teatro Del Astillero), com o espetáculo “Los Virtuosos”, às 21:30. A apresentação vai ser legendada, sendo que conta a história do rei de Espanha que alerta para o desaparecimento da cultura ocidente às mãos de uma inteligência artificial, no funeral do mestre da dramaturgia espanhola contemporânea.
O Festival vai terminar com um espetáculo do Cendrev – Centro Dramático de Évora, denominado “O Auto da Revolta do Mestre Salas”, às 21:30. Esta peça é inspirada nos bonecos de Santo Aleixo, em que o Mestre Salas é uma personagem ícone, que se revolta por ser uma marioneta.
As sessões dedicadas ao público escolar já se encontram esgotadas, com os 90 lugares preenchidos, no entanto, os bilhetes para os restantes espetáculos podem ser adquiridos na Ticketline ou na bilheteira do Teatro das Beiras.
Os ingressos têm o custo de 7 euros (bilhete normal), 4 euros (desconto) e as escolas pagam 1 euro.
No final da conferência, Fernando Sena admitiu ainda que pretendem continuar com a realização do festival, sendo que em 2030 vão voltar a concorrer aos apoios da Direção Geral das Artes, mas a ajuda da autarquia vai ser fundamental para a continuação deste Ciclo de Teatro de Outono.
Recorde-se que na apresentação estiveram também presentes Celina Gonçalves, diretora de produção e comunicação, e Sónia Botelho, que integra a direção artística.
