Covilhã 156 anos: “Recebemos uma cidade com história. Juntos, temos o dever de lhe acrescentar futuro”

“A Covilhã constrói-se com todos”. “Recebemos uma cidade com história. Juntos, temos o dever de lhe acrescentar futuro” foram as mensagens deixadas por Hélio Fazendeiro no encerramento do discurso da Sessão Solene comemorativa dos 156 anos da elevação da Covilhã a cidade, que decorreu esta manhã no Salão Nobre da Câmara Municipal da Covilhã, num claro apelo à união. 

O autarca fez o balanço do primeiro ano de mandato, destacando obras em curso, as concluídas e candidaturas apresentadas neste primeiro ano que representam cerca de 17 milhões de euros de investimento potencial.


O presidente da Câmara também pediu ao Governo decisões e financiamento para três projetos estruturantes para o concelho.

IC6, Barragem das Cortes e área empresarial entre os pedidos ao Governo

Depois de apresentar o trabalho desenvolvido pelo município, Hélio Fazendeiro destacou três prioridades que dependem de um compromisso do Governo: o IC6, a Barragem das Cortes e a criação de uma Área de Acolhimento Empresarial e Tecnológico de dimensão regional.

O presidente da Câmara defendeu que estes investimentos precisam de decisões, financiamento e calendários concretos por parte do Estado, considerando que o seu impacto ultrapassa as fronteiras do concelho.

O IC6 foi apontado como fundamental para aproximar a Covilhã de Coimbra e do litoral. Já a Barragem das Cortes foi identificada como um investimento essencial para reforçar a segurança e a resiliência do abastecimento de água.

A terceira prioridade passa pela criação de uma área empresarial e tecnológica de dimensão regional, articulada com a futura Zona Livre Tecnológica da Covilhã e eventualmente desenvolvida em parceria com outros municípios da Cova da Beira.

«A Covilhã está a fazer a sua parte», afirmou Hélio Fazendeiro, defendendo que o município está a investir, a preparar território e a criar condições para captar empresas, gerar emprego e fixar população.

«Da nossa parte haverá trabalho e iniciativa. Do Governo precisamos de compromisso e investimento», concluiu sobre os projetos estruturantes.

Mais de dois milhões de euros para estradas e arruamentos

Hélio fazendeiro, no balanço do primeiro ano à frente da autarquia,  vincou que o município preparou e submeteu candidaturas que representam mais de 17 milhões de euros de investimento potencial, em áreas como educação, mobilidade, inclusão social, regeneração urbana, ambiente e proteção do território.

Afirmou que o primeiro ano de mandato permitiu preparar projetos, tomar decisões e iniciar intervenções, reconhecendo que há problemas que exigem mais tempo e financiamento.

“Há também trabalho realizado. Há decisões tomadas. Há obra no terreno. Há projetos preparados. Há novas respostas. E há uma direção”, declarou.

A requalificação da rede viária foi uma das áreas destacadas pelo autarca, que reconheceu tratar-se de uma das preocupações mais sentidas pela população.

Segundo Hélio Fazendeiro, o município mobilizou mais de dois milhões de euros, no primeiro ano de mandato, para pavimentações e requalificação de estradas e arruamentos, através de empreitadas e do trabalho das equipas municipais.

Entre as intervenções de maior dimensão, apontou o eixo entre a Rotunda do Operário, no TCT, e o Canhoso, com um investimento superior a 700 mil euros, e a ligação entre a Zona Industrial do Tortosendo e o eixo TCT, contratualizada por mais de 800 mil euros.

“Seria irresponsável prometer recuperar toda a rede viária num único ano ou mesmo num único mandato. Mas podemos planear, priorizar e executar. E é isso que estamos a fazer”, afirmou, garantindo que a estratégia deverá prosseguir progressivamente até ao final do mandato.

Noutra área recordou a validação do Tribunal de Contas do plano de modernização da iluminação pública, apontando que a autarquia prevê aprovar o plano de trabalhos no início de novembro e iniciar, ainda em 2026, a substituição de cerca de 20 mil luminárias em todo o concelho.

O presidente destacou também os protocolos de colaboração com as 25 juntas de freguesia, num montante anual de 250 mil euros, destinados à melhoria e requalificação do espaço público, apontando que em alguns casos já há obras no terreno.

Habitação e apoio às instituições sociais

Na habitação, Hélio Fazendeiro referiu a conclusão de mais de uma centena de intervenções no parque habitacional municipal e a entrega de quase 40 chaves, que permitiram dar resposta habitacional a mais de 70 pessoas.

Recordou que a Câmara está a trabalhar na revisão da Estratégia Local de Habitação, com o objetivo de reforçar a oferta de casas municipais a rendas acessíveis e criar condições para novos projetos de habitação a custos controlados, envolvendo também privados e cooperativas.

O autarca destacou ainda a existência de mais de 800 habitações em construção ou em diferentes fases de aprovação urbanística.

“A habitação não é apenas uma questão social. É uma condição para fixar jovens, atrair profissionais, constituir família e promover o desenvolvimento do concelho”, sustentou.

Na área social apontou o regulamento municipal de apoio às instituições particulares de solidariedade social (IPSS), com critérios claros para apoiar projetos e investimentos e a intenção de apoio extraordinário às instituições que realizaram obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e tiveram de suportar trabalhos adicionais não abrangidos pelo financiamento.

Escolas e unidades de saúde

Na educação, Hélio Fazendeiro destacou a preparação de candidaturas para intervenções na Escola Secundária Campos Melo, na Escola Básica Pêro da Covilhã e na Escola Secundária Quinta das Palmeiras.

Reconheceu a existência de outras necessidades na rede escolar, nomeadamente no Tortosendo, no Paul e em São Domingos, defendendo que a descentralização de competências deve ser acompanhada pelos recursos necessários.

Na saúde, o autarca apontou a conclusão de intervenções em oito espaços de saúde de proximidade, num investimento global de cerca de 2,5 milhões de euros que já foram, ou serão ainda inaugurados no âmbito destas celebrações.

Defendeu, contudo, a necessidade de um Serviço Nacional de Saúde capaz de garantir cuidados de qualidade e proximidade a toda a população, independentemente do local de residência.

Zona Industrial do Tortosendo e inovação

A criação de condições para atrair empresas e gerar emprego foi igualmente apontada como uma prioridade do executivo municipal.

Hélio Fazendeiro considerou fundamental avançar com a terceira fase da Zona Industrial do Tortosendo, para disponibilizar mais espaço empresarial infraestruturado e permitir a expansão de empresas e a instalações de novas unidades

Hélio fazendeiro recordou também que o município está também a trabalhar na criação de uma Zona Livre Tecnológica da Covilhã e na preparação do necessário para que o Governo aqui instale uma Área de Acolhimento Empresarial e Tecnológico de dimensão regional.

“A Covilhã sempre soube produzir, empreender e inovar. Agora temos de preparar o território para uma nova geração de empresas, investimento e emprego”, afirmou.

Cultura, desporto e equipamentos municipais

Na cultura, Hélio Fazendeiro reafirmou a aposta na candidatura da Covilhã a Capital Portuguesa da Cultura 2028, que pretende envolver a região.

“A Covilhã candidata-se, mas esta é uma ambição que queremos partilhar com toda a Beira Interior”, declarou.

No desporto, destacou a inauguração do Estádio Municipal do Teixoso, a conclusão da requalificação da Piscina Municipal dos Penedos Altos, a intervenção na pista de atletismo e a preparação da requalificação do Campo de Jogos n.º 2.

Ao projetar o segundo ano de mandato, Hélio Fazendeiro prometeu reforçar a concretização dos projetos em curso e a resolução dos problemas identificados no concelho.

«Não faltará trabalho, proximidade, exigência e determinação na defesa dos interesses da Covilhã», garantiu.

Recordar que no âmbito das comemorações dos 156 anos da elevação da Covilhã a cidade, durante a tarde, no Museu da Covilhã, abre a exposição «Origens e Privilégios: O Foral de 1186 e Outras Memórias Reais», realizada em colaboração com a Torre do Tombo.