156 anos da Covilhã: o orgulho na história e os desafios do futuro no centro dos discursos

A sessão solene da Assembleia Municipal comemorativa dos 156 anos da elevação da Covilhã a cidade ficou marcada pela exaltação da história e da excelência das suas gentes, mas também pelos alertas para os problemas que condicionam o futuro do concelho. Habitação, educação, saúde, mobilidade e fixação dos jovens foram temas transversais às intervenções das forças políticas, esta manhã, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

Apesar das diferentes perspetivas políticas, os eleitos convergiram na necessidade de valorizar o território e criar melhores condições de vida para a população. Os elevados custos dos transportes públicos nas freguesias rurais, a dificuldade no acesso à habitação e a necessidade de oportunidades para as novas gerações estiveram entre as principais preocupações manifestadas.


PCP alerta para desigualdades nos transportes e nos apoios sociais

Rita Videira, do PCP, defendeu um modelo de desenvolvimento assente na valorização da indústria, da agricultura, da investigação e dos serviços públicos. A eleita chamou a atenção para as diferenças no custo dos transportes públicos entre a cidade e as freguesias rurais, considerando “inadmissível e socialmente insustentável” que os passes custem 38 euros na Grande Covilhã e mais de 100 euros nas freguesias rurais.

A comunista apontou também a necessidade de reforçar os apoios sociais escolares e o investimento na educação, na saúde e nas respostas públicas de apoio à infância.

“Temos património, conhecimento, capacidade empresarial e recursos humanos qualificados”, afirmou, defendendo que é necessário transformar estas potencialidades em melhores oportunidades para a população.

Chega defende mais emprego e habitação acessível

Amadeu Alberto, do Chega, considerou que o desenvolvimento do concelho deve ser medido pelos resultados concretos na vida dos cidadãos, nomeadamente na criação de emprego, no acesso à habitação e na qualidade dos serviços públicos.

“Não basta pedir aos jovens que fiquem, temos de lhes dar razões para ficar”, afirmou, defendendo uma economia local mais dinâmica, melhores condições para o empreendedorismo e maior proximidade dos serviços públicos.

O eleito sublinhou ainda que o desenvolvimento deve abranger todo o território, incluindo as freguesias, as associações e as atividades económicas locais.

CDS quer afirmar a Covilhã como referência cultural e de design

Adolfo Mesquita Nunes, do CDS, centrou a intervenção no potencial da candidatura da Covilhã a Capital Portuguesa da Cultura, apresentando quatro propostas para valorizar a identidade industrial, cultural e criativa do concelho.

Entre as ideias defendidas está a ambição de transformar a cidade no “maior museu de arte urbana ao ar livre do mundo”, aproveitando o património já existente e reforçando a programação ao longo de todo o ano.

O deputado municipal propôs também dar expressão concreta à marca Made in Covilhã, aproximando empresas, designers, escolas e consumidores, e defendeu que a oferta cultural deve chegar às freguesias e ser mais facilmente acessível através de uma agenda interativa.

“A cultura não pode ser uma sucessão de eventos, tem de ter uma narrativa, tem de ter uma persistência, tem de ter uma consistência, e essa narrativa, persistência, consistência é encontrada na história desta cidade.”

MIPP quer valorizar o Zêzere com um corredor verde de turismo e lazer

Ana Branco, do Movimento Independente Pelas Pessoas (MIPP), destacou a proposta do Corredor Verde do Zêzere, que defende como uma forma de valorizar o rio e as freguesias do concelho através do turismo, do lazer, do desporto e do ambiente. A eleita considerou que o projeto pode contribuir para dinamizar a economia local e promover o bem-estar da população, reforçando a atratividade do território.

A intervenção abordou também os desafios da fixação dos jovens, da habitação acessível e da mobilidade, com Ana Branco a alertar para a necessidade de melhorar as ligações entre as freguesias e a cidade.

Na área da habitação defendeu que, para além do que já se fez na Estratégia Local de Habitação, é necessário intervir também nas habitações que continuam degradadas, algumas delas ocupadas por pessoas idosas e com problemas de saúde.

“Prevenir deveria ser o mote”, afirmou, apelando a uma atuação antecipada sobre os problemas das populações e à valorização de todo o território.

PSD pede estratégia para a Covilhã até 2056

João Morgado, do PSD, defendeu uma visão estratégica de longo prazo para o concelho, que ultrapasse os ciclos eleitorais e estabeleça prioridades para as próximas décadas.

«Os nossos filhos têm direito a partir, é certo. Mas que seja por opção. Não por falta de opções», afirmou, relacionando a saída dos jovens com a falta de oportunidades e de condições para construir uma vida na Covilhã.

O social-democrata desafiou o executivo municipal a apresentar, até ao final de 2027, uma estratégia para a Covilhã em 2056, com prioridades, meios e metas definidos e envolvendo a Universidade da Beira Interior, as empresas, as associações, as freguesias e os cidadãos.

Entre as áreas que considera prioritárias estão a inovação, a saúde, o envelhecimento e a habitação a custos controlados para jovens, famílias e profissionais que o concelho pretende atrair.

PS destaca medidas para a juventude e cooperação regional

João Cristóvão, do PS, destacou as medidas municipais dirigidas aos jovens, nomeadamente os espaços de acesso gratuito, os descontos no Teatro Municipal, os incentivos fiscais à aquisição da primeira habitação e a criação de um orçamento participativo jovem.

O eleito defendeu ainda que a Covilhã deve assumir um papel de liderança regional, promovendo a cooperação entre municípios para criar um território com melhores condições de vida.

No final da intervenção, apelou à continuidade de uma política atenta às expectativas das novas gerações, alertando para as dificuldades que os jovens enfrentam num contexto de incerteza económica, tecnológica e ambiental.

“Pela primeira vez, a minha geração e talvez a geração que vier a seguir a mim terá piores condições e oportunidades que a geração que sucedemos”…”E, por isso, peço que na Covilhã as preocupações dos jovens continuem a ser ouvidas”,apelou ao executivo.

Presidente da Assembleia Municipal apela ao respeito pelos idosos

João Casteleiro encerrou a sessão destacando a identidade cultural da Covilhã, a diversidade das suas gentes e o envolvimento da comunidade na candidatura a Capital Portuguesa da Cultura. Saudou, em particular, o papel da Universidade da Beira Interior na valorização do conhecimento e na preservação da identidade local.

Nun discurso em que citou vários autores, desde a Desertuna, passando por Fernando Paulouro Neves e Alçada Batista, centrou-se também no envelhecimento da população, no isolamento e na necessidade de garantir cuidados de saúde acessíveis, proteção social e dignidade aos mais velhos.

“É de toda a justiça que os nossos maiores, todos sem exceção, tenham afeto, segurança económica, cuidados de saúde e respeito pela sua autonomia enquanto for possível”, afirmou.

Uma intervenção, tal como é seu timbre habitual, apelou ao humanismo e á união.