Covilhã assinala Dia Municipal da Igualdade com apelo a uma linguagem mais inclusiva

O Município da Covilhã assinalou ontem, dia 26, o Dia Municipal para a Igualdade com o workshop “A falar nos entendemos: linguagem inclusiva na comunicação institucional”, dinamizado por Graça Rojão, cofundadora e diretora da CooLabora, e dirigido aos trabalhadores da autarquia. A iniciativa procurou sensibilizar para a importância da linguagem na promoção da igualdade, no respeito pela diversidade e na construção de uma sociedade mais inclusiva.

Para Hélio Fazendeiro, presidente da Câmara Municipal da Covilhã (CMC), a celebração desta data é uma oportunidade para reforçar um princípio fundamental na vida em comunidade e nas organizações.


“A igualdade não é ignorar as diferenças. A igualdade não é tratar igual aquilo que é diferente”, afirmou, defendendo que a igualdade implica compreender as diferenças e garantir “as mesmas oportunidades” e “as mesmas condições” para que cada pessoa possa concretizar os seus objetivos pessoais e profissionais.

O autarca destacou o trabalho desenvolvido pelo município na promoção da igualdade, tanto ao nível interno, junto dos trabalhadores, como na relação com a comunidade. Nesse âmbito, sublinhou a importância de assegurar condições de igualdade no acesso aos serviços públicos, num território que acolhe comunidades migrantes, cujo contributo considera determinante para o desenvolvimento económico e social.

“A multiculturalidade, a multirreligião, é fundamental nós compreendermos que o mundo é feito de muitas realidades e que não há nenhuma mais importante que outra”, afirmou Hélio Fazendeiro, defendendo a necessidade de promover “a tolerância, a inclusão, a empatia”, porque “é exatamente também dessa diversidade que se fazem os equilíbrios”.

O presidente da Câmara explicou ainda que o workshop pretende reforçar as competências dos recursos humanos municipais, criando espaço para a partilha de dificuldades e experiências relacionadas com a aplicação destes princípios no trabalho diário.

“É fundamental que ela vá sendo atualizada e que vá sendo até partilhada as dificuldades que cada um no seu posto de trabalho, na sua área, vão sentindo ao longo do seu serviço”, referiu, acrescentando que os trabalhadores da administração pública devem transpor para a sua atividade os princípios da igualdade, inclusão, solidariedade e fraternidade.

Linguagem inclusiva para tornar a diversidade visível

Durante o workshop Graça Rojão chamou a atenção para a influência da linguagem na forma como as pessoas percecionam a realidade e se relacionam com os outros.

“Quando nós falamos, o modo como falamos reflete o modo como pensamos”, afirmou, apontando o uso do masculino genérico como uma prática recorrente que pode contribuir para tornar invisível parte da diversidade existente na sociedade.

A formadora exemplificou com expressões como “todos os participantes” ou “todos os alunos”, contrapondo-as a formulações como “as mulheres e os homens que estão nesta sala”, que permitem dar visibilidade à diversidade. Segundo explicou, a utilização de expressões que incluem ambos os géneros também nos leva a questionar hábitos linguísticos que tendem a ser reproduzidos de forma automática.

“Uma comunicação inclusiva é, sobretudo, uma comunicação que respeita a diversidade, que reconhece que há estereótipos e que torna mais visível aquilo que está à nossa volta”, defendeu.

Graça Rojão destacou igualmente a importância de uma linguagem que tenha em conta as pessoas com deficiência, recorrendo ao exemplo de um auditório com acesso ao palco para pessoas com mobilidade reduzida. Mesmo que essa acessibilidade ainda não tenha sido utilizada, explicou, a sua existência transmite uma mensagem de acolhimento e de pertença.

A intervenção abordou também expressões do quotidiano que perpetuam preconceitos, como o uso da palavra “ciganices” ou a comparação depreciativa de um jogador de futebol com uma menina, exemplos que, segundo a formadora, mostram como a linguagem pode reforçar estereótipos.

Para Graça Rojão, a comunicação pode ser um instrumento de transformação social, contribuindo para questionar preconceitos e promover o respeito pelas diferenças.

“Ninguém morre se dissermos ‘todos os participantes’, mas se dissermos ‘as e os participantes’, mostramos que há aqui uma atenção à diversidade”, concluiu.

A iniciativa promovida pela Câmara Municipal da Covilhã procurou, assim, associar a celebração do Dia Municipal para a Igualdade a uma reflexão prática sobre a comunicação institucional e o papel dos trabalhadores municipais na construção de serviços públicos mais inclusivos e acessíveis a toda a população.