Covilhã tem 6.182 residentes estrangeiros. Plano municipal define estratégia para a integração

A população de nacionalidade estrangeira representa já 12% dos residentes no concelho da Covilhã, de acordo com os dados apresentados na elaboração do Plano Municipal para a Integração de Migrantes.

O documento identifica cinco eixos estratégicos de intervenção, com medidas que passam pelo acolhimento, acesso ao emprego e à habitação, aprendizagem da língua portuguesa, participação comunitária e combate à discriminação.


O plano foi apresentado por Susana Carvalho, da empresa social “O Lugar Comum”, responsável pela sua elaboração, no âmbito do 6.º Encontro Covilhã Social, que decorre hoje e amanhã na cidade.

Os dados apresentados revelam uma evolução significativa da população estrangeira residente. Em 2021, o concelho contabilizava 2.044 cidadãos de nacionalidade estrangeira, cerca de 4% de uma população total de 47.585 habitantes. Em 2025, segundo as estimativas divulgadas, esse número tinha aumentado para 6.182, correspondendo a 12% dos 51.045 residentes.

Brasil, Angola, Moçambique e Índia são as nacionalidades mais representativas. A importância da população migrante reflete-se também na economia local: em 2025, 16% das contribuições para a Segurança Social na Covilhã correspondiam a cidadãos estrangeiros.

Na apresentação, Susana Carvalho destacou o contributo da migração para a evolução demográfica do concelho. “A nível do saldo populacional, a Covilhã regista um saldo populacional positivo, em que vemos aqui o saldo migratório atenuar a perda populacional pelo saldo natural”, explicou.

A elaboração do documento envolveu entidades locais, intermunicipais e supramunicipais, desde serviços de ação social, educação e segurança pública a organizações da sociedade civil e empresas. Foram realizadas reuniões e entrevistas para identificar necessidades, dificuldades no atendimento e problemas nos encaminhamentos entre instituições.

“Mas nada de construir respostas para migrantes sem que os migrantes estejam envolvidos”, sublinhou Susana Carvalho, defendendo que a participação é essencial para que as pessoas se sintam parte das soluções e das comunidades onde vivem.

Um dos desafios passa por aproximar as competências dos cidadãos migrantes das necessidades das empresas, promovendo o reconhecimento e a valorização da experiência profissional de quem chega.

Entre as prioridades apontadas está também a criação de condições para a fixação da população estrangeira, nomeadamente através de respostas no acesso à habitação e da melhoria das condições de mobilidade.

O plano organiza a intervenção em cinco eixos estratégicos: acolhimento acessível e articulado; emprego, qualificação e economia; participação e cidadania; coesão social e interculturalidade; e conhecimento e monitorização.

Entre as medidas previstas encontram-se a criação de um guia intermunicipal de acolhimento, com informação sobre os recursos e serviços disponíveis, o acompanhamento jurídico e a mediação intercultural.

Estão igualmente propostas ações de orientação profissional, mapeamento de competências, aproximação entre empresas e trabalhadores, literacia digital e apoio ao empreendedorismo migrante.

Na área da participação comunitária, o documento prevê novos encontros participativos e cursos informais de aprendizagem da língua portuguesa, procurando também descentralizar estas iniciativas. Estão ainda contempladas oficinas culturais, ações de sensibilização e combate à discriminação e o reforço do envolvimento das comunidades migrantes nas iniciativas locais.

A monitorização dos resultados será outra componente do plano, através da recolha e análise de dados, avaliação das ações e partilha de boas práticas entre as entidades envolvidas.

Susana Carvalho ressalvou que a Covilhã já dispõe de respostas e projetos nesta área, nomeadamente o Espaço AIMA, dois Centros Locais de Integração de Migrantes (CLIMES), Centros Qualifica e organizações da sociedade civil. O objetivo é reforçar e articular o trabalho que já existe, criando uma estratégia comum.

“A Covilhã não parte do zero, não encontramos a Covilhã à espera deste plano”, salientou, acrescentando que o documento pretende organizar recursos, reforçar parcerias e abrir caminho a novas respostas.

A implementação está estruturada em duas fases. Entre 2026 e 2027, a prioridade será a capacitação e articulação dos diferentes intervenientes, o desenvolvimento das primeiras ações financiadas pelo Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração (FAMI) e a criação de instrumentos comuns de trabalho. Entre 2028 e 2030, está prevista uma fase de consolidação e expansão de oportunidades, com novos projetos, parcerias e possibilidades de financiamento.

Recordar que na sessão de abertura do Encontro Covilhã Social, Hélio Fazendeiro, presidente da autarquia, defendeu a importância do acolhimento e da integração de migrantes, sublinhando o contributo destas comunidades para a economia e para a sustentabilidade demográfica dos territórios.

Destacou que as migrações e a integração são questões centrais para a Covilhã, para o país e para a Europa, considerando indispensável o trabalho em rede e a articulação entre as diferentes entidades.

O autarca reafirmou o compromisso do município com o acolhimento e a integração, defendendo que a Covilhã deve continuar a afirmar-se “como um espaço de integração, um espaço de encontro, um espaço de afirmação de identidade e de culturas”.