Covilhã faz homenagens em dia de aniversário. Cerimónia marcada por celebração e emoção 

O Município da Covilhã homenageou 12 personalidades e empresas do concelho, numa cerimónia que ficou marcada por emoção, onde Hélio Fazendeiro entregou as medalhas de mérito municipal aos homenageados, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

A Cerimónia decorreu esta terça-feira, dia 20 de outubro, no âmbito das comemorações dos 840 anos de história do concelho e dos 156 anos de elevação da Covilhã a cidade. 


Hélio Fazendeiro, presidente da Câmara Municipal da Covilhã, abriu a sessão solene dos homenageados, revelando o orgulho que sente e deixando a mensagem para que todos aqueles que foram distinguidos continuem a inspirar as novas gerações. 

“Para mim é um orgulho e uma grande honra poder atribuir-vos esta distinção simbólica em nome de todos os covilhanenses, do município da Covilhã e de todos os órgãos autárquicos. Faço votos de que o vosso exemplo inspire as novas gerações e que o vosso trabalho inspire aquilo que é a nossa ação, a começar pela minha. Bem-haja a todos pelo trabalho, pelo exemplo e pela dedicação que tiveram à Covilhã”, começou por dizer o presidente. 

O autarca falou também sobre a cidade, afirmando que “cabe a nós darmos continuidade a esta história gloriosa”. 

Homenagens a personalidades e entidades do concelho

A empresa “A Penteadora”, fábrica de tecelagem, localizada em Unhais da Serra, foi a primeira entidade a receber a medalha de mérito municipal. Depois de atravessar crises económicas e transformações sociais, a fábrica, criada em 1930, afirmou-se como uma das maiores e mais modernas fábricas de lanifícios do país. 

Angelina Pinto, diretora financeira da empresa, recebeu a distinção e chamou ao palco José Ramos Duarte, trabalhador na Penteadora há 55 anos e chefe da serralharia, lembrando todos os trabalhadores que estão ou que já passaram pela empresa. 

A cerimónia seguiu com a homenagem à Comissão de Pais do Bolinha de Neve, um grupo de pais e mães que se uniu desde janeiro de 2025, após o anúncio do encerramento do Colégio das Freias. A comissão foi determinante no desenvolvimento deste projeto educativo, que abriu portas a 1 de setembro de 2026 com 130 vagas, todas preenchidas. 

Carlos Gaspar, representante da Comissão de Pais, falou sobre todo o processo e sobre a abertura de um edifício pela qual lutaram, sendo algo essencial para as crianças. 

“Batemos a portas, sentámo-nos à mesa e pelo caminho aprendemos que uma Comissão de Pais pode ser um instrumento de participação cívica. Sempre foi um projeto apartidário, mas nunca apolítico. Fizemos política no seu sentido mais antigo, o de participar na vida da nossa cidade. A 1 de setembro reabrimos as portas de um edifício estatal devoluto. Lutámos por ele, demos-lhe vida e preparámos o regresso daqueles por quem trabalhámos com tanto afinco, as crianças e as nossas colaboradoras.” 

Outra das distinções pertence a Ascensão Simões professora com uma vida ligada ao ensino, diretora da Escola Secundária Campos Melo durante muitos anos, reitora e fundadora da Universidade Sénior da Covilhã (2003-2018), tendo sempre um papel em prol da educação. 

Com 97 anos e muito emocionada, Ascensão Simões foi aplaudida de pé por uma sala cheia. Agradeceu ao município da Covilhã pela inclusão na sessão de homenageados, apesar de mencionar que “não merecia estar aqui.” 

O município homenageou também os cinco bombeiros, que sofreram um acidente nos incêndios de 17 agosto de 2025 (Gonçalo Gomes, Júlio Semedo, Paulo Abreu e Tiago Ramos), sendo homenageado Daniel Agrelo, a título póstumo, depois de ter perdido a vida no acidente. A homenagem serve para a causa do voluntariado, bombeiros, proteção civil e todos aqueles que diariamente colocam a vida em risco e continuam a trabalhar para a segurança do concelho. 

A medalha de mérito municipal a Daniel Agrelo, foi entregue a título póstumo, como reconhecimento pelos serviços prestados à cidade e à região. Em representação da família, a viúva Sandra Correia e o filho Eduardo receberam a distinção. 

Sandra Correia, muito emocionada, agradeceu a todas as entidades e lembrou o bombeiro, que deixou um enorme vazio, mas também um orgulho pelo “homem que foi”. 

“A sua partida deixou-nos uma dor impossível de explicar, a saudade que não passa e o vazio que ninguém poderá preencher, mas deixou-nos também um enorme orgulho pelo homem que foi, pelo bombeiro que honrou a sua farda e pelo ser humano que nunca deixou de ser. Daniel, o teu tempo foi demasiado curto, mas o teu exemplo ficará para sempre”, disse Sandra Correia. 

Foram ainda homenageados os restantes quatro bombeiros que seguiam na viatura, no dia do acidente. Gonçalo Gomes, que sofreu vários ferimentos e regressou ao trabalho em março deste ano, Júlio Semedo, Paulo Abreu, que ainda tem uma recuperação pela frente e Tiago Ramos. 

Tiago Ramos, representou todos os bombeiros, no discurso protocolar e afirmou que a medalha é também de Daniel Agrelo e de todos aqueles que no verão de 2025 deixaram as suas casas para ir ao fogo. 

“Daniel Agrelo, esta medalha também é tua. Não somos heróis, somos bombeiros a fazer o que os bombeiros fazem, ir onde é preciso. Recebemos esta homenagem com humildade em nome de todos os que naquele verão deixaram a casa e o descanso para ir ao fogo. 17 de agosto, está connosco todos os dias.” 

Francisco Elias, médico que se aposentou recentemente e teve uma vida ligada ao Serviço Nacional de Saúde e causa público, foi outro dos homenageados na sessão. Com a sua vocação voltada para o bloco de partos, o médico foi reconhecido pelos serviços prestados, sendo que contribuiu para o prestígio e projeção da Covilhã. 

Francisco Elias agradeceu, na sua intervenção, a todos aqueles que contribuíram para esta distinção, destacando todas as mulheres e mães da cidade e da região. 

“Esta medalha que vou receber representa todas as mulheres e mães desta cidade e da região, que me confiaram e tiveram o prazer de me darem os seus partos. Mas para isso também tenho de prestar homenagem a todos os profissionais que trabalharam comigo”, revelou o médico. 

Luzia Mendes (Histórica Operária Têxtil) e José Mendes (Histórico Alfaiate da Covilhã), ambos já aposentados, mas que ao longo da vida trabalharam para a cidade/concelho receberam também a homenagem. 

José Figueiredo Mendes, mais conhecido como “José Alfaiate” foi reconhecido por uma vida dedicada à arte da alfaiataria. A sua esposa, Luzia Mendes, trabalhou durante muitos anos como operária têxtil, sendo assim o exemplo de uma vida de trabalho, fé e solidariedade. 

O último homenageado, a título póstumo, foi o professor Sérgio Saraiva, que faleceu neste verão, aos 81 anos, mas teve um trabalho impactante na vida social, associativa e política da Covilhã. 

Devido à impossibilidade da família estar presente, a Câmara Municipal da Covilhã irá entregar, noutra ocasião, a Sérgio Gaspar Saraiva, o reconhecimento pelos serviços prestados à cidade e à região. 

Recordar que o ator Ruy de Carvalho, que se estreou na Covilhã aos 10 anos, recebeu a chave da cidade, depois de apresentar o espetáculo “Ruy, A História Devida” no Teatro Municipal da Covilhã, ontem à noite.