HereditArte Lab inaugurado no Parkurbis. Laboratório dedicado ao património cultural é o terceiro no país

O Município da Covilhã inaugurou, esta quinta-feira, o HereditArte Lab, laboratório dedicado à conservação e valorização do património cultural, no Parkurbis – Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã.

Com um investimento de 200 mil euros financiado pela Fundação BPI La Caixa, o espaço é o terceiro no país e pretende formar 40 pessoas para estudar e restaurar.


A iniciativa resulta de uma parceria entre o Município da Covilhã e o Parkurbis e integra as comemorações dos 840 anos de história do concelho e dos 156 anos de elevação da Covilhã a cidade.

O HereditArte Lab nasceu para aproximar a ciência e a tecnologia do património cultural, dotando a Covilhã de uma capacidade especializada de investigação, diagnóstico, conservação e valorização de bens culturais. Junta-se a vontade da Universidade da Beira Interior (UBI) para este lançamento.

Jorge Patrão, presidente do Parkurbis, entidade promotora do laboratório, que acolhe esta nova valência tecnológica, afirmou que o avança do mesmo é bastante relevante, sendo que é o terceiro no país.

“O avanço deste laboratório para nós é muito relevante, porque não sei se têm conhecimento de quantos laboratórios existem destes no país. Dois, um em Lisboa, o Instituto José Figueiredo, e outro na Universidade de Évora, muito virado para a investigação. O nosso é o terceiro laboratório do país, e estará muito virado também para a sociedade civil, religiosa, para a igreja, para coleções particulares, museus, estando aberto a colaborar e a trabalhar com essas instituições”, começou por dizer na sua intervenção.

Para o presidente do Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã, é muito importante inovar. Uma das inovações diz respeito à introdução da Inteligência Artificial, que vai trazer um valor acrescido à análise das obras de arte.

“Uma das principais inovações foi o facto de anexar, já que somos um parque tecnológico, a parte de inteligência artificial. Como temos uma empresa especializada nessa área, ela vai ser um valor acrescido à análise das obras de arte, que depois é também transportada por uma linguagem a elaborar pela inteligência artificial e depois eventualmente para o respetivo restauro. Outra surpresa que gostava de vos dar conta é que só na Covilhã há 200 pinturas religiosas e civis que não têm um bilhete de identidade”, revelou Jorge Patrão.

O presidente salientou a importância decisiva da UBI, derivado à colaboração da professora Maria do Carmo Mendes, dado que foi possível conseguirem uma credibilidade, com peças que estão indexadas ao projeto.

Ricardo Silveira, CEO do Instituto de Conservação e Salvaguarda do Património, informou que vão criar uma inédita, para além de avaliar o estado de conservação das pinturas e esculturas, que se baseia na ligação à inteligência artificial, para salvaguardar o património. Pioneiros nesta introdução, o CEO mostrou-se “orgulhoso”, dado que vão formar pessoas e salvaguardar o património do país.

Durante a inauguração foram homenageadas duas personalidades do património artístico português. Francisco Gil, uma das grandes referências nacionais da investigação científica aplicada às obras de arte e Vítor Serrão, uma referência incontornável da história da arte.

Francisco Gil é professor do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e coordenador dos ciclos de estudo em Património Cultural e Museologia. Reconhecido pela aplicação das ciências físicas ao estudo do património cultural, representa à vertente científica e tecnológica um dos pilares do laboratório.

O professor abordou, durante o seu discurso, a importância das parcerias, visto que são mais abrangentes do que qualquer pessoa possa imaginar.

“As parceiras são mais abrangentes do que à primeira vista nós possamos descobrir. Acompanhei um pouco deste projeto e percebo as parcerias que tentaram e fizeram, incluindo instituições da Universidade, instituições científicas, do Parque Industrial e também parcerias com as dioceses. Conheço por dentro essa parceria com a diocese de Coimbra, e tudo isto se conjuga e correrá bem.”

Francisco Gil desejou também que continuem a adquirir financiamentos, porque é este tipo de instalações que vai acolher alunos ligados às artes.

Vítor Serrão, outro dos homenageados, é professor catedrático da Universidade de Lisboa e investigador do Instituto de História de Arte. Uma das autoridades nacionais em História de Arte, com particular destaque para o estudo da pintura.

Por motivos alheios, Vítor Serrão não conseguiu marcar presença no evento, mas deixou uma mensagem, exaltando a Covilhã, que passa agora a contar com um “poderoso instrumento de intervenção de salvaguarda”, que a projeta a “nível nacional e além-fronteiras”.

Hélio Fazendeiro, presidente da Câmara Municipal da Covilhã, afirmou que esta inauguração está alinhada com aquilo que é a história e a tradição da Covilhã, bem como a ambição de futuro numa área importante, do ponto de vista cultural.

Para o autarca, o laboratório é bastante rico e o município tem trabalhado muito para que o património seja valorizado e divulgado, de modo a ser também inspirador.

“Este laboratório de análise de obras de arte e acolher um território com um património industrial riquíssimo de todos os pontos de vista, arquitetónico, cultural e material, social, diz-nos muito. Basta percebermos que sendo nós um concelho, um território com raízes industriais, raízes empresariais, eram exatamente esses que tinham capacidade financeira e económica, também para promover a arte, o património. Nós temos trabalhado muito para que esse trabalho seja valorizado, esse património seja divulgado, seja exposto e sobretudo também inspirador para aquilo que vem aí”, disse Hélio Fazendeiro.

O presidente da autarquia salientou ainda que a Covilhã se distinguiu sempre por construir o futuro e é esse o compromisso do município, continuar a acompanhar todos os empresários.