O Hospital Privado das Beiras, na Covilhã, representa um investimento entre 30 e 40 milhões de euros, incluindo equipamentos, e tem abertura prevista para breve, embora ainda sem data definida. A conclusão das obras de reabilitação do edifício e os licenciamentos necessários são os passos que faltam para a entrada em funcionamento da unidade.
A informação foi avançada por António Sáàgua, administrador executivo do Hospital Privado das Beiras, durante uma visita realizada esta quinta-feira, dia 22 de outubro, no âmbito das comemorações do aniversário do concelho e da cidade da Covilhã.

“O hospital está para breve, mas ainda não temos uma data concreta. Estamos à espera do término das obras e dos licenciamentos”, explicou o responsável, admitindo que a abertura ainda este ano será difícil, sobretudo devido aos procedimentos de licenciamento, que dependem de entidades públicas.
A unidade vai disponibilizar quase todas as especialidades médicas, com exceção dos cuidados intensivos e intermédios, da neonatologia e da maternidade. Terá 23 camas de internamento, duas salas de bloco cirúrgico, salas de pequena cirurgia e técnicas de gastroenterologia.
Quanto ao serviço de urgência, está ainda em avaliação a possibilidade de funcionar inicialmente entre as 8h00 e a meia-noite, com o objetivo de evoluir posteriormente para um serviço permanente, 24 horas por dia.
O hospital pretende servir sobretudo a população da Cova da Beira, embora esteja aberto a utentes de todo o país. Para facilitar o acesso aos cuidados de saúde, a administração pretende estabelecer acordos com todas as seguradoras e subsistemas de saúde, incluindo a ADSE.
Recrutamento para 120 a 130 postos de trabalho
A nova unidade deverá criar entre 120 e 130 postos de trabalho, abrangendo médicos, enfermeiros, auxiliares, administrativos e outros profissionais.
António Sáàgua reconheceu que o recrutamento de profissionais de saúde diferenciados pode constituir um desafio, mas mostrou-se confiante na capacidade de preencher os lugares disponíveis.
“Já temos centenas, para não dizer um milhar e tanto de CVs para fazer recrutamento e seleção”, revelou, acrescentando que o processo deverá começar “muito em breve”, dependendo da evolução dos trabalhos e dos licenciamentos.
O administrador executivo defendeu que a nova unidade deve assumir uma relação de complementaridade com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), em vez de uma lógica de concorrência.
“Nós temos exatamente a postura da complementariedade”, afirmou, dando como exemplo um acordo já estabelecido com o hospital público para a realização de ecografias obstétricas, numa área em que, segundo explicou, a unidade pública não consegue assegurar toda a resposta necessária.
Na perspetiva de António Sáàgua, a existência de mais uma unidade de saúde na região poderá também contribuir para atrair profissionais, permitindo-lhes conciliar atividade nos setores público e privado.
“Eu acho que isto vai ser um motor propulsor da economia na saúde, aqui na região”, considerou, classificando o hospital como “uma mais-valia”.
Câmara destaca reforço da economia da saúde
Presente na visita o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, valorizou o investimento privado, considerando que vem reforçar a oferta de serviços de saúde e a capacidade de atração do território.

O autarca sublinhou que o Hospital Privado das Beiras complementa a resposta assegurada pelo SNS e contribui para consolidar o cluster das ciências médicas e dos serviços de saúde existente no concelho.
“É mais um espaço não só para a criação de postos de trabalho, mas também para a prestação de cuidados de saúde muito específicos, que vem alargar e complementar aquilo que é a âncora e o centro destes serviços, que é o Serviço Nacional de Saúde”, afirmou.
O presidente da Câmara considera ainda que o reforço da oferta de saúde pode ajudar a atrair médicos e outros profissionais, bem como famílias que procuram condições para se fixarem na região.
“A qualidade dos serviços de saúde que podem ser prestados aos covilhanenses, ou que quem vem de fora encontra, são absolutamente determinantes”, defendeu, salientando que a saúde está entre as principais preocupações de quem pondera construir um projeto de vida.
A visita ao Hospital Privado das Beiras foi o último ponto de paragem de um dia dedicado ao setor empresarial, que começou na Zona Industrial do Tortosendo, com passagens por empresas da indústria e dos serviços.
“É uma forma extraordinária de terminarmos um dia de celebração do aniversário do concelho e da cidade, dedicado exclusivamente ao setor empresarial do concelho”, afirmou o autarca, destacando a capacidade empreendedora e a iniciativa privada como características históricas da Covilhã, defendendo o reforço da posição do município na economia da saúde, mas também nos setores tecnológico e industrial.
