AM Covilhã aprova contas de 2025. Oposição aponta reservas e executivo defende “rigor e investimento sustentado”

A Assembleia Municipal da Covilhã aprovou, na sessão de 27 de abril, o relatório de gestão e contas de 2025 da Câmara Municipal, num debate marcado por leituras políticas opostas sobre o desempenho financeiro do município. Os documentos passaram com o voto favorável da maioria socialista, a abstenção do MIPP e PSD, e o voto contra do PCP e CDS.

A discussão colocou frente a frente críticas da oposição sobre execução orçamental, reservas do Revisor Oficial de Contas e resultado líquido negativo, e a defesa do executivo socialista, que sublinhou indicadores de investimento, capacidade de execução e estabilidade financeira.


PSD e MIPP optam pela abstenção

Na apresentação da posição do PSD, Nuno Pais considerou que o documento é “um espelho da gestão política do Executivo Municipal” e sustentou que esse retrato “está longe de ser tranquilizador”.

O social-democrata centrou críticas na certificação legal com reservas, no resultado líquido negativo superior a 3 milhões de euros e na execução orçamental, acusando o executivo de privilegiar “mostrar obra” em detrimento da sustentabilidade.

“Gastou-se mais do que se gerou. Mais uma vez”, afirmou, acrescentando que “mudou a comunicação, mudou os rostos, mas a gestão continua a ser a mesma”.

Nuno Pais questionou ainda o saldo de gerência acumulado, apontando que o município terminou o ano com cerca de 21 milhões de euros em caixa e contrapondo: “Tanto dinheiro na conta e as obras nem as vemos.”

O MIPP também optou pela abstenção, invocando não ter tido intervenção política em 2025 e o facto de o atual executivo só ter exercido funções nos dois últimos meses do ano, disse Ana Branco

CDS e Chega votam contra e apontam falhas na execução

Por parte do CDS João Bernardo classificou as contas como “manifestamente negativas”, centrando críticas sobretudo na execução do Plano Plurianual de Investimentos, que apontou em 39%.

Para o eleito centrista, os saldos de gerência elevados refletem falta de concretização: “São estes 18 milhões de euros de saldos de gerência que não permitem qualquer dúvida sobre a negatividade destas contas.”

O Chega, pela foz de Amadeu Alberto, justificou o voto contra com o resultado líquido negativo, reservas do auditor e dúvidas sobre o impacto das participações financeiras, classificando o sentido de voto como “um voto de responsabilidade institucional”.

PS contrapõe investimento sem hipotecar futuro

Na resposta, Pedro Bernardo, do PS, rejeitou a leitura da oposição e destacou indicadores que, na visão socialista, demonstram robustez financeira e capacidade de investimento.

O deputado socialista salientou que a receita corrente continua superior à despesa corrente em mais de 6,5 milhões de euros e que o município “continua a financiar investimento com a atividade corrente, sendo este um sinal de um município que investe no seu futuro sem se hipotecar”.

Pedro Bernardo valorizou ainda o aumento da receita fiscal sem agravamento de impostos municipais, defendendo que isso reflete maior dinamismo económico no concelho.

“Se mantemos as taxas em mínimos e aumentamos a nossa receita, é porque a nossa atividade económica aumentou”, afirmou.

Referiu também constrangimentos nacionais na execução de obras, nomeadamente a falta de empresas em concursos públicos, para justificar parte das margens de execução por concretizar.

Hélio Fazendeiro assume contas e responde às críticas

Na defesa do documento, o presidente da Câmara, Hélio Fazendeiro, assumiu politicamente o exercício, apesar de o atual executivo ter governado apenas os últimos dois meses de 2025. “Assumo totalmente por completo”, afirmou e disse rever-se no retrato apresentado pelas contas.

“Eu gosto daquilo que vejo”, declarou, sublinhando a taxa de execução de 85,6%. “Não fizemos tudo o que era necessário, mas fizemos tudo o que era possível para continuar a desenvolver a Covilhã”, acrescentou.

O autarca rejeitou leituras alarmistas sobre os resultados negativos e sustentou que a missão do município não é gerar lucro.

“Comigo a Câmara Municipal não é uma empresa privada (…) não contarão com este presidente para pôr a Câmara a dar lucro”, afirmou, reforçando: “Vamos continuar a priorizar o investimento público, o apoio às famílias, às associações e às IPSS.”

Quanto às reservas do Revisor Oficial de Contas, ligadas sobretudo às participações municipais e consolidação de informação das empresas participadas, o presidente remeteu esclarecimentos mais amplos para a consolidação de contas prevista para junho, garantindo que haverá oportunidade para “verificar a conformidade toda das contas”.

Hélio Fazendeiro sublinhou que “a Covilhã apresenta com este exercício contas equilibradas, com forte execução na receita e com investimento sustentado.”