O Grupo de Cidadãos do Centro Histórico da Covilhã voltou a defender que o futuro espaço da antiga loja Zé André deve ser pensado com maior participação dos moradores e lançou uma nova proposta para a empreitada já adjudicada: substituir o pavimento em asfalto previsto para o futuro parque de estacionamento por soluções mais permeáveis e menos agressivas do ponto de vista térmico.
A posição foi apresentada por Pedro Seixo Rodrigues, porta-voz do movimento, na reunião pública da Câmara Municipal da Covilhã, na sexta-feira, na sequência de um debate participativo promovido pelo grupo com moradores da zona histórica, do qual saíram novas preocupações e sugestões.
Debate com moradores reforçou defesa de espaço mais comunitário
Pedro Seixo Rodrigues recordou que a questão do aproveitamento daquele terreno — onde está prevista a criação de um parque com 19 lugares e dois para mobilidade condicionada — já tinha sido levada à Assembleia Municipal, estando essa matéria “tratada” do ponto de vista político, mas sublinhou que o encontro promovido com a população trouxe novos contributos.
No debate, realizado a 17 de abril e que reuniu cerca de 35 participantes, o porta-voz disse ter ficado claro que os moradores querem ser envolvidos no desenho do espaço urbano e continuam a preferir uma solução mais orientada para uso comunitário.
“O que se sente é necessidade é ter um espaço verde, porque em toda esta zona da cidade não existe um espaço verde”, afirmou.
Segundo Pedro Seixo Rodrigues, muitos participantes consideraram que o estacionamento não responde a uma carência efetiva, apontando a existência do silo do mercado e de oferta disponível na zona.
“Uma das situações que foi praticamente unânime foi esta de que as pessoas gostariam de ser ouvidas, gostariam de participar naquilo que é o desenho da cidade”, sublinhou.
Moradores apontaram problemas de pavimento, limpeza e iluminação
Do encontro resultaram também preocupações mais amplas sobre o centro histórico, nomeadamente quanto às lajetas dos arruamentos, à limpeza e à iluminação pública.
“Tivemos o testemunho de uma das moradoras que referiu que já tinha havido quedas de pessoas de idade devido a essas lajetas”, relatou.
Outra preocupação apontada foi a escassa iluminação em alguns percursos pedonais, em especial na escadaria de acesso entre o mercado municipal e o miradouro das Portas do Sol.
“Tivemos um participante que referiu que tem de usar o telemóvel para conseguir ver onde está a caminhar”, disse.
Hélio Fazendeiro respondeu que a questão da iluminação já tinha sido sinalizada e garantiu intervenção: “Foi de imediato por mim sinalizado para que seja rapidamente instalada uma solução de iluminação”.
Grupo propõe trocar asfalto por paralelo ou grelhas de relvamento
A principal novidade saída da intervenção do movimento foi, porém, a proposta para rever o revestimento previsto para o futuro parque de estacionamento.
“Lançamos o desafio que pelo menos a nível deste revestimento seja repensado, seja com paralelos, seja com grelhas de relvamento”, apelou Pedro Seixo Rodrigues.
O porta-voz alertou que “mais de 70 por cento de asfalto” naquele espaço poderá agravar o efeito de calor nos meses de verão e tornar o local pouco utilizável.
O presidente da Câmara mostrou abertura para avaliar a sugestão, admitindo que o argumento é relevante.
“Aquilo que me diz relativamente à temperatura e à permeabilidade do solo é um argumento suficientemente forte para nos levar a repensar isto”, afirmou.
Hélio Fazendeiro explicou, contudo, que uma eventual alteração ao projeto poderá esbarrar nas regras da contratação pública e nos limites legais para trabalhos a mais.
“Não tenho uma resposta definitiva, mas aquilo que me dizem é que dificilmente será possível por esta regra jurídica que na limita”, disse.
Ainda assim, deixou a porta aberta: “Se for possível, fá-lo-emos”.
Autarquia mantém parque de estacionamento e garante que será gratuito

Sobre o projeto em si, o autarca reiterou que a obra vai avançar, lembrando tratar-se de uma adjudicação herdada e difícil de reverter nesta fase.
“O projeto de estacionamento vai mesmo avançar”, afirmou.
Hélio Fazendeiro respondeu também a uma dúvida levantada no debate com moradores e garantiu que o futuro parque não será tarifado.
“É um estacionamento livre”, assegurou, reiterando que não está previsto criar mais estacionamento pago à superfície na cidade.
Vereador do PSD considera parque de estacionamento uma “opção pobre”
Também Jorge Simões, vereador do PSD na autarquia se pronunciou sobre esta matéria, criticando a opção da autarquia, referindo que tem “outra opinião” e considerando que o parque de estacionamento é uma “opção pobre para um espaço nobre”.
O vereador deixou exemplos de programas de financiamento para realizar outras obras que envolvam o Mercado Municipal, acusando a autarquia de falta de visão e estratégia para realizar outras opções.
