Na reunião pública da Câmara Municipal da Covilhã realizada na sexta-feira, 22 de maio, Miguel Almeida, morador e empresário na zona do Jardim Público, manifestou preocupação com um eventual alargamento do horário e dos dias de realização da iniciativa “Até os Santos Dançam”, defendendo a manutenção dos limites anteriormente definidos para o evento.
Na sua intervenção, Miguel Almeida, proprietário de uma unidade hoteleira junto ao Jardim Público, afirmou falar “em ambas qualidades”, enquanto residente e empresário, considerando que o atual modelo do evento tem impactos negativos no descanso dos moradores e na atividade económica local.
O empresário recordou que, no passado, o município limitou a iniciativa a “três fins de semana, correspondente a seis dias e até às duas da manhã”, defendendo que esse é “o limite tolerável” para os residentes da zona.
Entre as preocupações apresentadas, destacou os efeitos do ruído na qualidade de vida e no descanso dos moradores, alertando também para o impacto na ocupação turística. Segundo Miguel Almeida, os registos do seu alojamento indicam que junho é, de forma recorrente, o mês de menor ocupação, situação que atribui à realização das festas junto ao Jardim Público.
O interveniente denunciou ainda problemas de acessibilidade, segurança e higiene associados ao evento, alegando que o seu estabelecimento fica com acessos condicionados durante os festejos, dificultando o acesso de hóspedes e, em caso de emergência, de meios de socorro.
“A nossa microempresa sustenta várias famílias”, afirmou, criticando a anterior organização do evento por, segundo disse, nunca ter encontrado soluções para mitigar os impactos causados.
“Relembrando que a antiga organização deste evento, apesar de se ter reunido connosco várias vezes e conhecer todas as nossas preocupações, nunca e nada fez para tentar resolver ou chegarmos a um compromisso e um acordo. A única voz que ouvimos da parte da antiga organização do evento sempre foi ‘queremos todos os fins de semana, incluindo feriados, até as quatro ou seis horas da manhã’. Até nos foi dito que era mais fácil mudar as pedras do nosso edifício que o próprio evento”, apontou.
No final da intervenção, deixou um apelo ao executivo municipal para reconsiderar qualquer prolongamento das festividades e convidou os membros da autarquia a passarem uma noite no hotel durante os festejos para experienciar a realidade vivida pelos moradores.
Em resposta, o presidente da Câmara Municipal da Covilhã, Hélio Fazendeiro, garantiu que o município não irá autorizar um aumento do número de fins de semana do evento.
“Não vamos permitir que seja aumentado o número de fins de semana”, afirmou o autarca, revelando que já deu orientações ao executivo e aos serviços municipais para que a iniciativa decorra nos mesmos moldes do ano passado, limitada a três fins de semana e com horário até às duas da manhã.
O presidente da autarquia admitiu apenas uma exceção no dia das marchas populares, justificando que, devido ao término tardio das atuações no Pelourinho, poderá haver alguma flexibilidade horária nesse dia específico.
Hélio Fazendeiro reconheceu ainda os prejuízos apontados pelos empresários da zona, admitindo compreender as dificuldades causadas por festas que, em anos anteriores, se prolongavam “até às quatro ou seis da manhã”, situação que, reconheceu, dificultava o descanso dos hóspedes e se traduzia em perdas económicas.
A Câmara Municipal diz querer agora “compatibilizar interesses”, conciliando o carácter popular e festivo do evento com o direito ao descanso dos moradores e a atividade económica dos empresários da zona envolvente do Jardim Público.
O arraial popular “até os Santos dançam” é uma iniciativa conjunta entre a Banda da Covilhã, a Associação Cultural Desertuna e a Covilhã Eventos.
