“Negociatas” e “emboscada” geram pontos quentes na Assembleia Municipal da Covilhã

A sessão da Assembleia Municipal da Covilhã ficou marcada por momentos de elevada tensão política, com as palavras “negociatas” e “emboscada” a gerarem fortes trocas de acusações entre eleitos.

Acusação de “negociatas” gera confronto direto

Na sequência de uma saudação à eleição de Nuno Fazenda (PS) para a presidência da Mesa da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela, Pedro Bernardo (PS) deixou no ar que alguns dos eleitos na assembleia intermunicipal terão votado contra, mesmo sendo da Covilhã.


Na resposta Nuno Pais (PSD) acusou diretamente responsáveis autárquicos:

“Acho vergonhoso o comportamento que os senhores presidentes de Câmara, nomeadamente o Sr. Presidente da Câmara da Covilhã, teve em negociatas prévias à eleição da mesa da Assembleia Intermunicipal. E, por isso, questionem-se como é que a mesa da Assembleia Intermunicipal da Beira-Serra da Estrela teve mais votos nulos do que votos a favor. E isso espelha aquilo que foi feito.”

A reação do presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, foi imediata e contundente:

“Eu não sei quais são os meios em que o Sr. Deputado se move, mas o termo que utilizou para se referir ao Presidente da Câmara sobre negociata é totalmente injusto e inqualificável. Eu não sei quais são os termos e as formas como utiliza na sua vida, mas esse termo de negociata eu não lhe admito ao Presidente da Câmara e já agora aos meus colegas do Conselho Intermunicipal.”

Pedro Bernardo, do PS, acusou o PSD de prejudicar a representação do concelho, afirmando que “Houve um boicote a um membro da Covilhã e um boicote à Covilhã”.

Perante a polémica, Nuno Pais acabou por recuar parcialmente:

“A expressão utilizada há pouco por mim teria sido exagerada e peço desculpa por essa palavra que pronunciei, contudo reitero e reforço que foi uma falta de respeito democrático para com esta Assembleia.”

CDS acusa “emboscada” ao Ministro da Economia e Coesão territorial

Outro momento de tensão surgiu com críticas do CDS à atuação do presidente da Câmara durante o encerramento evento Covilhã Innov Summit, em que autarca lançou desafios ao Governo (noticia AQUI)

João Bernardo acusou o autarca de falta de estratégia:

“Utilizar uma iniciativa como é a Covilhã Innov Summit para fazer quase uma emboscada a um Ministro sem ter um cuidado prévio de apresentar ao Ministro um plano competente e executável. Isto era a estratégia, não é chegar lá e mandar duas bitaites e dizer nós queremos cá isto. O que é que o Ministro pode dizer? Trabalhem para o efeito. Não é só mandar bocas, é fazer.”

Hélio Fazendeiro rejeitou as acusações e defendeu a legitimidade da sua intervenção:

“Foi emboscado porque o Presidente da Câmara da Covilhã cumpriu a sua obrigação e desafiou o Ministro a acompanhar o Município e a puxar pela nossa terra?”

O autarca garantiu ainda que houve transparência na abordagem:

“Eu tive a delicadeza e o cuidado de no início da sessão ter dito ao Sr. Ministro que na minha intervenção ia falar de dois temas concretos, lançando dois desafios ao Governo, sobre a criação da Zona Industrial do Interior e também sobre o IC6 e a linha da Beira Baixa.”

E concluiu com uma crítica política direta:

“Não foi uma emboscada, foi uma intervenção no âmbito do mandato que os covilhanenses me deram para os representar e reivindicar. E lamento que entre os interesses da defesa partidária e os interesses dos covilhanenses, o Sr. Deputado não escolha a defesa dos covilhanenses.”

Intervenções e tensão na condução dos trabalhos

A sessão ficou ainda marcada por momentos de confronto na condução dos trabalhos.

Marco Gabriel, da Junta de Freguesia da Boidobra, criticou o sentido de voto de outros autarcas. A intervenção levou à interrupção do presidente da Assembleia Municipal, João Casteleiro.

Marco Gabriel: “É incompreensível que vocês, numa coisa muito concreta, a defesa das vossas populações, votem só porque o Partido Socialista levantou a mão e votem contra as vossas populações. É inadmissível, inadmissível.”

João Casteleiro: “Ó Sr. Deputado, desculpe lá, isso é uma declaração de voto?, não é uma declaração de voto”, alertou o presidente..

Também João Bernardo entrou em confronto com a mesa durante uma declaração de voto. Quando este estava a criticar a bancada socialista sem aludir aos seus motivos para a votação foi interrompido pelo Presidente da Mesa.

João Bernardo: “O Sr. Presidente da Assembleia tem a obrigação de respeitar. A declaração de voto é livre. O Sr. Presidente não tem o poder de interpretar nem de selecionar nada. Se eu quiser dizer a maior barbaridade em termos de declaração de voto, digo. Isto é a minha liberdade.”

João Casteleiro respondeu, insistindo no cumprimento das regras:

“Eu disse-lhe que tem um minuto para fazer uma declaração de voto. Já o conheço para saber que aproveita para outra intervenção. O Sr. com a profissão que tem sabe até melhor do que eu o que é uma declaração de voto. Faça favor, faça lá a declaração de voto, que tem um minuto”.