Orfeão da Covilhã inicia comemorações do centenário com programa até junho de 2027

O Orfeão da Covilhã deu início, esta quarta-feira, às comemorações do seu centenário, numa sessão solene realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal da Covilhã, marcando o arranque de um programa comemorativo que se prolongará até 7 de junho de 2027.

Na abertura da cerimónia, o presidente da direção do Orfeão, Henrique Silva, destacou o papel “incontornável” da instituição na vida cultural covilhanense ao longo de cem anos, sublinhando a sua dimensão artística, educativa e social.


“O Orfeão afirmou-se como um espaço de criação, de aprendizagem e de partilha, onde sucessivas gerações encontraram a arte, a dança e a música como caminho de formação pessoal e comunitária”, afirmou.

Conservatório e comunidade no centro das celebrações

O dirigente enalteceu igualmente o papel do Conservatório Regional de Música da Covilhã, que classificou como “expoente máximo” da missão do Orfeão, destacando o contributo dos professores e das equipas educativas na formação de milhares de jovens da região.

Henrique Silva apresentou ainda o programa oficial das comemorações, que inclui concertos, intercâmbios internacionais — nomeadamente com o Conservatório de Sabadell —, exposições, iniciativas culturais, ações ambientais e eventos simbólicos.

Entre as iniciativas previstas contam-se a plantação de 100 árvores na Serra da Estrela, a exposição dos 100 anos do Orfeão no Museu da Covilhã, o concerto oficial do aniversário, janeiras do centenário, um jantar de gala e um concerto de encerramento já em 2027.

“O programa honra o passado, celebra o presente e projeta o futuro”, resumiu.

Orfeão está no âmago da Covilhã. E agora? Com a IA?

Durante a sessão, o presidente da Assembleia Geral do Orfeão, Pina Simão, sublinhou a marca profunda deixada pela instituição na identidade da cidade ao longo do último século.

“O concelho, as suas gentes, não seriam a mesma realidade se não tivesse existido o Orfeão”, afirmou, considerando que a história da instituição está “fixada no âmago da sociedade covilhanense”.

Depois de destacar o papel histórico do Orfeão na vida cultural da cidade, Pina Simão lançou uma reflexão sobre os desafios que a inteligência artificial poderá trazer ao universo musical e artístico.

“A inteligência artificial vai ser uma realidade imersiva em todos os setores da vida e também na música”, afirmou, questionando de que forma a criação artística humana irá coexistir com sistemas capazes de gerar música personalizada em tempo real.

“Como é que as associações, os maestros e os criadores vão lidar com isto?”, interrogou.

Uma história ligada à identidade da Covilhã

A sessão contou também com intervenções de membros da comissão de honra das comemorações, que é composta por Hélio Fazendeiro, Presidente da CMC; Henrique Silva, Presidente do Orfeão; Ana Paula Duarte, Reitora da UBI; Pina Simão, Presidente da AG do Orfeão; Elisa Pinheiro, Historiadora e Museóloga e Filomena Gomes, Professora aposentada.

Filomena Gomes que também é antiga dirigente da instituição, recordou os fundadores e traçou uma retrospetiva da atividade do Orfeão ao longo das décadas, desde os coros e iniciativas beneficentes às secções de teatro, cinema, filatelia, orquestra ligeira e formação cultural.

“Não se poderá nunca falar da história da Covilhã sem se mencionar esta instituição”, afirmou ao recordar o percurso histórico do Orfeão da Covilhã.

Destacou ainda a criação do Conservatório de Música da Covilhã nos anos 60 e o contributo da sua mãe, Maria Vitória Pires, uma das primeiras professoras da instituição. Sublinhou a importância do Orfeão, ao recordar que este foi inspiração para a criação dos Conservatórios de Castelo Branco e da Guarda, apontando ainda que este foi um dos promotores da EPABI.

Também Elisa Pinheiro realçou o papel do Orfeão na promoção da coesão social na cidade, considerando que a instituição ajudou a “esbater diferenciações” e a criar um espaço de união numa cidade marcada por “fraturas sociais”.

Em representação da Universidade da Beira Interior, o vice-reitor Bruno Ferreira da Costa salientou a importância do Orfeão na formação de sucessivas gerações e na preservação da identidade cultural da região.

A mim preocupa mais a desinteligência natural do que a inteligência artificial”

Já o presidente da Câmara da Covilhã, Hélio Fazendeiro, classificou o Orfeão como “muito mais do que um grupo coral”, definindo-o como “um espaço de cultura, cidadania, educação e criação”, sublinhando que este é “a prova vida de que a Covilhã tem talento”.

O autarca mostrou-se confiante na capacidade da instituição para enfrentar os desafios futuros, incluindo os colocados pela inteligência artificial, com a mesma resiliência que enfrentou os desafios que se lhe colocaram na sua fundação.

“A mim preocupa mais a desinteligência natural do que a inteligência artificial”, disse, vincando a certeza de que o orfeão saberá contornar os obstáculos tal como no passado.

“Tal como no início do século, em 1926, muitos desafios se colocaram, de todos os pontos de vista, do ponto de vista societário, do ponto de vista tecnológico, inclusivamente, e também na altura havia sustos e havia medos, e é natural, o ser humano é conservador e é avesso a mudança, e, portanto, tudo aquilo que seja novo, nós temos dificuldade e, às vezes, alguma ansiedade e medo em encará-la”, “eu não tenho dúvida nenhuma que nós estamos perfeitamente capazes de vencer esses desafios e de dar respostas que são precisas de dar”, disse.

Hélio Fazendeiro conclui que “há uma coisa que as máquinas nunca vão substituir: o humanismo, o carácter, a dignidade e as emoções”, afirmou.

Fundado em 1926, o Orfeão da Covilhã inicia agora um ano de celebrações destinado a assinalar um século de atividade cultural, artística e educativa na cidade e na região, com o lema que norteia a instituição “Pela Arte e Pela Nossa Terra”.

Programa das Comemorações do Centenário do Orfeão da Covilhã

10 de maio de 2026 – 18:00

Concerto de Encerramento do Intercâmbio com o Conservatório de Sabadell – Espanha

Local: Auditório do CRMC

29 de maio de 2026

Concerto Final de Ano – Coro e Orquestra de Guitarras

Local: Grande Auditório FCS-UBI

9 de junho de 2026

Concerto de Encerramento das Atividades Letivas

Local: Grande Auditório FCS-UBI

09 a 21 de junho de 2026

Mural artístico 2026 Orfeão – Festival de arte urbana da Wool

Local: parede do edifício em frente à sede do OC

16 a 28 de julho de 2025 – Participação na Feira de S. Tiago

Setembro de 2026 – Plantação 100 árvores na Serra

Outubro de 2026 – Mural artístico Escola Secundária Campos Melo

Local: Hall de entrada do CRMC

Setembro/outubro de 2026 – Plantação da Árvore do Centenário

Local: Largo do Rato do CRMC

17 de outubro de 2026

One Day Choir

“Concerto 100 Vozes para 100 Anos”

Local: Auditório do Orfeão da Covilhã

7 Novembro de 2026 a 31 dezembro de 2026

Exposição “100 Anos do Orfeão da Covilhã”

Local: Museu da Covilhã

13 de novembro de 2026 – Celebração Eucarística Comemorativa do Centenário do Orfeão da Covilhã

13 de novembro de 2026 – Jantar de Gala

22 de novembro de 2026 – Concerto de Aniversário

Local: TMC

Dezembro de 2026 Concerto de Natal CRMC

Dezembro de 2026 – Concerto “Natal à nossa Beira” – Coro do Orfeão da Covilhã

Janeiro de 2027 – Janeiras do Centenário

Local: ruas da cidade

Março de 2027 – Intercâmbios 1.ª Edição CRMC

Local: CRMC

9 de junho de 2027

Concerto de Encerramento das Comemorações do Centenário