A situação financeira do Sporting Clube da Covilhã continua a inspirar fortes preocupações. O retrato foi traçado esta noite por Vítor Mota, elemento da comissão de gestão do clube, durante a Assembleia Geral Extraordinária, após uma questão colocada pelo sócio Afonso Gomes sobre o estado das contas do emblema serrano.
Apesar de admitir que não levava números “superpreparados” devido às constantes variáveis financeiras do clube, Vítor Mota foi direto na avaliação inicial.
“Posso dizer, contudo, que não é boa”, assumiu.
O responsável financeiro lembrou as dificuldades enfrentadas desde que a atual comissão assumiu funções, descrevendo a sobrevivência recente do clube como “quase um pequeno milagre”.
“Naturalmente, foi como já se disse, quase como um pequeno milagre aguentarmos à tona de água. O clube até agora não [parou], mas neste momento estamos num ponto de viragem e é preciso tomar decisões sérias nesta vertente”, alertou.
Menos de cinco mil euros em conta e 34 mil de despesas imediatas
Vítor Mota revelou que, à data da assembleia, o Sporting da Covilhã tinha menos de cinco mil euros disponíveis em contas bancárias, valor manifestamente insuficiente para responder aos compromissos imediatos.
“Hoje tínhamos, não chegava a cinco mil euros”, revelou.

Segundo explicou, até ao final do mês de maio, o clube precisa de assegurar cerca de 33.897 euros para cumprir obrigações fiscais, contributivas e salariais.
“Os compromissos imediatos para o mês de maio totalizam 33.897 euros, isto é, até ao final do mês de maio o clube precisa deste dinheiro para resolver compromissos”, explicou.
Entre os pagamentos mais urgentes estão verbas de IRS, Segurança Social, IVA, prestações de dívidas às Finanças e salários dos funcionários e atletas.
Apesar do cenário financeiro descrito, a necessidade imediata de tesouraria até ao final do mês acabou por ser mitigada na assembleia, depois de Paulo Cunha Ribeiro ter garantido os cerca de 30 mil euros necessários para o clube cumprir os compromissos mais urgentes até às eleições “iriam aparecer”.
Dívidas a fornecedores ultrapassam os 200 mil euros
A análise apresentada por Vítor Mota revelou ainda um passivo significativo junto de fornecedores e credores.
“A fornecedores temos um valor acumulado de dívida de 200 mil e100 euros”, indicou.
Desse montante, parte refere-se a obras já realizadas e outras despesas estruturais, mas cerca de 82 mil euros dizem respeito a fornecedores correntes do dia a dia.
Além disso, o clube mantém valores em atraso junto de trabalhadores e sócios que, em anos anteriores, emprestaram dinheiro ao Sporting da Covilhã.
“Os funcionários têm ainda do ano passado para receber os subsídios de férias e de Natal”, revelou, apontando um montante superior a 11 mil euros.

Quanto aos sócios credores, Vítor Mota defendeu prioridade no pagamento.
“As dívidas a sócios que fizeram o favor de emprestar ao Sporting da Covilhã no passado teremos que honrar até com um nível de prioridade”, sustentou.
No imediato, caso o clube tivesse de liquidar todas as responsabilidades pendentes, seriam necessários mais de 313 mil euros.
“Se fosse para pagar já tudo, precisaríamos de 313.400 euros”, resumiu.
Comissão estima mais de 312 mil euros de despesas até final do ano
Vítor Mota apresentou ainda uma estimativa preliminar dos custos operacionais do clube até 31 de dezembro de 2026, apontando para necessidades financeiras superiores a 312 mil euros entre junho e dezembro.
“Tenho um valor apurado de 312 mil euros e 132”, avançou.
Ainda assim, admitiu que a projeção poderá estar subavaliada, sobretudo no que respeita aos custos com atletas.
“Calculei aqui para ordenados a atletas 150 mil euros, que é manifestamente pouco”, reconheceu.
O dirigente admitiu ainda existirem demasiadas variáveis para um cálculo fechado, desde o número de jogadores inscritos até à dimensão da formação.
Há margem para negociar e receitas por contabilizar

Apesar do cenário descrito, Vítor Mota procurou deixar uma nota menos pessimista, defendendo que parte das dívidas poderá ser renegociada.
“Grande parte dos fornecedores estão recetivos a fazermos planos faseados de pagamento que permitam suavizar o esforço financeiro do Sporting Clube da Covilhã”, explicou.
No total, somando compromissos correntes, dívida acumulada e previsão de despesas até ao final do ano, os encargos globais aproximam-se dos 706 mil euros.
Ainda assim, o responsável lembrou que esse valor não incorpora receitas futuras, nomeadamente apoios institucionais.
“A Câmara costuma dar 65 mil euros. Não sei se vai ser mais ou menos também”, referiu.
O retrato financeiro apresentado na assembleia reforçou a perceção de que o próximo ato eleitoral, marcado para 6 de junho, será determinante para definir não apenas a liderança do Sporting da Covilhã, mas também a estratégia de recuperação financeira do clube.
